Banda larga: aumenta o fosso entre os países.
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- Domingo, 07 Dezembro 2008 22:00
- Escrito por Miriam Aquino
O recente relatório da União Internacional de Telecomunicações (UIT) , denominado “Trends in Telecommunication Reform”, que faz uma veemente defesa do compartilhamento de redes para estimular o crescimento da oferta de banda larga no mundo, se, por um lado, mostra a importância da telefonia móvel para a massificação dos serviços de voz, traz também informações contundentes sobre o fosso entre os países ricos e pobres no que se refere ao acesso à infra-estrutura de banda larga.
Em 2009, afirma a entidade, mais de 70% dos assinantes móveis estarão nos países em desenvolvimento. Enquanto isso, a telefonia fixa patina. Em 2007, os países em desenvolvimento contavam, em média, com apenas 13 linhas fixas por cada 100 habitantes. Em 2008 serão quatro bilhões de usuários de celular em todo o globo, o que representa uma penetração de 61%. Enquanto isso, as linhas fixas somavam 1,3 bilhão.
Apesar da ampla participação da telefonia celular nos mercados emergentes, quando se trata de banda larga, o celular não está conseguindo responder a contento e o fosso entre os países ricos e pobres está aumentando.
Conforme a UIT, em 2007 eram 167 milhões de assinantes de banda larga móvel no mundo (a velocidade mínima aceita pela entidade é de 256 Kbps), mas a penetração do acesso era de 13% nos países desenvolvidos e de apenas 3% nas nações em desenvolvimento.
Na banda larga fixa, a concentração nos países desenvolvidos também é marcante: 17% contra 6,2%. Conforme a UIT, a penetração da banda larga – fixa e móvel – no mundo varia muito por região, onde a Europa lidera, com 16%, seguida pelas Américas, com 10% e a África, com apenas 1%.
Mas a nossa realidade é muito pior, se for considerada apenas a América Latina. Estudos recentes apresentados pelo professor Raul Katz, da Universidade de Columbia, demonstram que o número de acessos banda larga por 100 habitantes na América Latina (sejam móveis ou fixos) é de apenas 3,5%. Venezuela, Peru, Panamá, Nicarágua e Colômbia são alguns dos países com desempenho abaixo dessa média. O Chile é o líder da região, com 8,8% de acesso banda larga e o Brasil ocupa a quarta posição (com 4,1%), atrás do México (4,3%), e Argentina (6,6%). Ainda assim, taxas insignificantes.
Esses números demonstram, por si só, o quanto é urgente o estabelecimento de políticas públicas consistentes para a reversão dessas desigualdades.
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