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Durante a reunião dos chefes de Estado dos países que integram
o G20 (grupo das maiores economias do planeta), realizada no
início de abril, a indústria de telefonia móvel europeia reivindicou a liberação de mais espectro como uma das propostas para acelerar a recuperação da economia global. Na Europa, ainda há muita confusão em torno das frequências de 700 MHz (aquelas que fazem parte do dividendo digital), que serão devolvidas após a digitalização dos sinais de TV aberta, pois, em alguns países, a transição para a TV digital está muito lenta.
Na América Latina, a previsão de diferentes empresas de consultoria é de que a venda de licenças de terceira geração e de WiMAX prometida para este ano irá dar mais fôlego para as economias locais. Afinal, a penetração da banda larga fixa na região está abaixo da média mundial: ela fechou 2008 com apenas 5% de penetração (acessos banda larga por cada 100 habitantes) contra a média global de 6,5% ( conforme dados da Pyramid Research).
Estão previstas licitações de frequências na Argentina, Chile, México, Peru, Venezuela. Para o Brasil, a expectativa é de que, depois da bem-sucedida licitação de 3G realizada pela Anatel há dois anos, o leilão das faixas do WiMAX (de 3,5 GHz) finalmente seja concretizado. Antes disso, porém, a Anatel deverá vender as sobras de frequências de GSM (1,8 GHZ, 850 MHz e 900 MHz) além do último pedaço de banda 3G disponível (a banda H, de 20 MHz).
A venda de frequências que permitem a oferta de dados em mais alta velocidade pela rede sem-fio é uma iniciativa bem-vinda promovida pelas agências reguladoras regionais, que acordaram para o fato de que a penetração da banda larga móvel na região é também inferior à média mundial. Ainda conforme a Pyramid Research, a América Latina encerrou 2008 com penetração de 3,4% na tecnologia de terceira geração, enquanto a média mundial é de 7,8%.
Com os leilões que já começam a ser lançados nos diferentes países, as projeções da consultoria apontam que a região como um todo sairá de parcos 9% de penetração de banda larga (contando os acessos fixos e sem-fio) para 70% no final de 2014.
O incremento da oferta de banda larga, além de promover o crescimento econômico e a democratização do saber, também tende a incrementar a receita das operadoras de celular, que poderão adotar modelos de negócios diferentes aos praticados atualmente para os serviços de voz. E nesse particular os números do mercado brasileiro continuam bastante discrepantes.
Voz no Brasil
Conforme o último Matrix da Merril Lynch (que analisa trimestralmente o mercado de celular de 54 países), o ARPU (conta média mensal) das operadoras brasileiras caiu 11,2% no último trimestre de 2008, comparado com o mesmo período de 2007. E a receita média por usuário/mês é de US$ 12,12, menor do que a de 34 países. A receita média mais alta no 4T08 foi a japonesa (US$ 56,82/mês).
O Brasil continua amargando uma das últimas posições na quantidade de minutos falados por usário/mês: 90 minutos, média somente mais alta do que a do Marrocos (52 minutos/usuário/mês) e Filipinas (16 minutos/usuário/mês). O norte-americano é o que mais fala ao celular (829 minutos/ usuário/mês).
Venda de frequências vai mexer com economia latino-americana
- Detalhes
- Segunda, 27 Abril 2009 06:00
- Escrito por Miriam Aquino
Durante a reunião dos chefes de Estado dos países que integramo G20 (grupo das maiores economias do planeta), realizada no
início de abril, a indústria de telefonia móvel europeia reivindicou a liberação de mais espectro como uma das propostas para acelerar a recuperação da economia global. Na Europa, ainda há muita confusão em torno das frequências de 700 MHz (aquelas que fazem parte do dividendo digital), que serão devolvidas após a digitalização dos sinais de TV aberta, pois, em alguns países, a transição para a TV digital está muito lenta.
Na América Latina, a previsão de diferentes empresas de consultoria é de que a venda de licenças de terceira geração e de WiMAX prometida para este ano irá dar mais fôlego para as economias locais. Afinal, a penetração da banda larga fixa na região está abaixo da média mundial: ela fechou 2008 com apenas 5% de penetração (acessos banda larga por cada 100 habitantes) contra a média global de 6,5% ( conforme dados da Pyramid Research).
Estão previstas licitações de frequências na Argentina, Chile, México, Peru, Venezuela. Para o Brasil, a expectativa é de que, depois da bem-sucedida licitação de 3G realizada pela Anatel há dois anos, o leilão das faixas do WiMAX (de 3,5 GHz) finalmente seja concretizado. Antes disso, porém, a Anatel deverá vender as sobras de frequências de GSM (1,8 GHZ, 850 MHz e 900 MHz) além do último pedaço de banda 3G disponível (a banda H, de 20 MHz).
A venda de frequências que permitem a oferta de dados em mais alta velocidade pela rede sem-fio é uma iniciativa bem-vinda promovida pelas agências reguladoras regionais, que acordaram para o fato de que a penetração da banda larga móvel na região é também inferior à média mundial. Ainda conforme a Pyramid Research, a América Latina encerrou 2008 com penetração de 3,4% na tecnologia de terceira geração, enquanto a média mundial é de 7,8%.
Com os leilões que já começam a ser lançados nos diferentes países, as projeções da consultoria apontam que a região como um todo sairá de parcos 9% de penetração de banda larga (contando os acessos fixos e sem-fio) para 70% no final de 2014.
O incremento da oferta de banda larga, além de promover o crescimento econômico e a democratização do saber, também tende a incrementar a receita das operadoras de celular, que poderão adotar modelos de negócios diferentes aos praticados atualmente para os serviços de voz. E nesse particular os números do mercado brasileiro continuam bastante discrepantes.
Voz no Brasil
Conforme o último Matrix da Merril Lynch (que analisa trimestralmente o mercado de celular de 54 países), o ARPU (conta média mensal) das operadoras brasileiras caiu 11,2% no último trimestre de 2008, comparado com o mesmo período de 2007. E a receita média por usuário/mês é de US$ 12,12, menor do que a de 34 países. A receita média mais alta no 4T08 foi a japonesa (US$ 56,82/mês).
O Brasil continua amargando uma das últimas posições na quantidade de minutos falados por usário/mês: 90 minutos, média somente mais alta do que a do Marrocos (52 minutos/usuário/mês) e Filipinas (16 minutos/usuário/mês). O norte-americano é o que mais fala ao celular (829 minutos/ usuário/mês).
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