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Enquanto as universidades públicas reivindicam espectro de 6 MHz para poderem transmitir seus canais abertos de TV ,mas já foram avisadas de que não há espaço no congestionado espectro brasileiro de UHF, 25 empresas privadas serão em breve premiadas com a digitalização de seus sinais nessa mesma faixa. Essa medida permitirá que essas natimortas licenças passem a ter um significativo valor de mercado, com a construção de um novo modelo de negócios sustentado pela transmissão de canais de TV paga para as operadoras de celular.
Está em elaboração pelo Ministério das Comunicações um documento com as diretrizes que irão apontar as condições de digitalização do Serviço Especial de TV por Assinatura (TVA), serviço esse que foi criado no final dos anos 80 e acabou sendo entregue gratuitamente a 25 grupos políticos locais e grandes grupos de mídia, como Globo,Abril e RBS.
Essas 25 licenças, que ocupam o cobiçado espectro de UHF (que vai de 470 MHz a 806 MHz), e também têm para si os mesmos 6 MHz das TVs públicas e comerciais, são o símbolo da aliança espúria da política de amigos e omissão do Poder Público. E, a partir da portaria do Ministério das Comunicações, elas poderão se legitimar como novas operações de TV por assinatura no país.
Hoje, essas TVs funcionam de maneira bem precária. O serviço foi criado em 1988 para distribuir sons e imagens com sinais codificados. Difícil tarefa de convencer o cliente a pagar para receber um único canal de vídeo. Por isso, logo no início das transmissões as regras foram flexibilizadas e o serviço passou a transmitir parte da programação diária sem codificação, ou seja, como se fosse uma emissora de TV aberta. Mas como ocupava a banda de UHF, quase ninguém recebia os sinais.
Na década de 90, o tempo para transmissão dos sinais abertos era de 25% da grade diária. Por pressão dos concessionários, ele foi paulatinamente ampliado. Medida que foi adotada também também pela agência reguladora. A Anatel chegou a autorizar que a transmissão aberta ocupasse 45% do tempo diário de programação (o que soma mais de 11 horas por dia), percentual que se perpetua até hoje.
Por duas vezes a agência chegou a tentar acabar com a transmissão aberta e transformar a TVA em efetivo serviço de TV paga, mas não conseguiu. O último ato da Anatel sobre o assunto, em 2004, reverte a decisão anterior de por um fim à transmissão aberta “até a definição de uma nova política”.E essa nova política virá consubstanciada na autorização do Minicom para a digitalização dos sinais.
Resta saber por quê o Ministério Público nunca questionou o fato de um mesmo grupo econômico ter duas transmissões abertas de TV na mesma cidade, o que é proibido pela legislação. Vale ressaltar que, gato escaldado, o grupo Globo, que tem uma licença de TVA no Rio de Janeiro, não abriu os seus sinais.
Mudança de estratégia
Depois de brigarem por vários anos para se equipararem a uma emissora de TV aberta, as empresas constataram que, agora, o melhor é ser operador de TV paga e poder se apropriar das duas vertentes comerciais que existem no mundo: a norte-americana, da Qualcomm, com a sua tecnologia MediaFLO, e a europeia, com o padrão DVBH. As duas tecnologias têm o mesmo objetivo: levar a TV móvel para o celular.
A vantagem dessas duas vertentes é que elas levam os sinais de vídeo para o celular sem congestionar a rede das operadoras móveis. Para isso, precisam de frequência. Nos Estados Unidos, a Qualcomm pagou uma fortuna por essas bandas. Na Europa, o DVBH se desenvolve junto com a TV digital aberta, que irá liberar uma parte do espectro para ser vendido novamente. No Brasil, as outorgas de TVA, que não pagaram um tostão pela banda que ocupam,é que irão se apropriar desse novo modelo de negócios.
Das 25 licenças, quatro ficam em São Paulo, cinco no Rio de Janeiro, duas em Porto Alegre, três em Curitiba, cinco em Belo Horizonte, duas em Brasília, uma em Fortaleza, uma em Salvador, uma em São Luis e uma em Itapemirim.
Governo vai premiar 25 empresas de TVA com a digitalização
- Detalhes
- Segunda, 15 Junho 2009 08:02
- Escrito por Miriam Aquino
Enquanto as universidades públicas reivindicam espectro de 6 MHz para poderem transmitir seus canais abertos de TV ,mas já foram avisadas de que não há espaço no congestionado espectro brasileiro de UHF, 25 empresas privadas serão em breve premiadas com a digitalização de seus sinais nessa mesma faixa. Essa medida permitirá que essas natimortas licenças passem a ter um significativo valor de mercado, com a construção de um novo modelo de negócios sustentado pela transmissão de canais de TV paga para as operadoras de celular.Está em elaboração pelo Ministério das Comunicações um documento com as diretrizes que irão apontar as condições de digitalização do Serviço Especial de TV por Assinatura (TVA), serviço esse que foi criado no final dos anos 80 e acabou sendo entregue gratuitamente a 25 grupos políticos locais e grandes grupos de mídia, como Globo,Abril e RBS.
Essas 25 licenças, que ocupam o cobiçado espectro de UHF (que vai de 470 MHz a 806 MHz), e também têm para si os mesmos 6 MHz das TVs públicas e comerciais, são o símbolo da aliança espúria da política de amigos e omissão do Poder Público. E, a partir da portaria do Ministério das Comunicações, elas poderão se legitimar como novas operações de TV por assinatura no país.
Hoje, essas TVs funcionam de maneira bem precária. O serviço foi criado em 1988 para distribuir sons e imagens com sinais codificados. Difícil tarefa de convencer o cliente a pagar para receber um único canal de vídeo. Por isso, logo no início das transmissões as regras foram flexibilizadas e o serviço passou a transmitir parte da programação diária sem codificação, ou seja, como se fosse uma emissora de TV aberta. Mas como ocupava a banda de UHF, quase ninguém recebia os sinais.
Na década de 90, o tempo para transmissão dos sinais abertos era de 25% da grade diária. Por pressão dos concessionários, ele foi paulatinamente ampliado. Medida que foi adotada também também pela agência reguladora. A Anatel chegou a autorizar que a transmissão aberta ocupasse 45% do tempo diário de programação (o que soma mais de 11 horas por dia), percentual que se perpetua até hoje.
Por duas vezes a agência chegou a tentar acabar com a transmissão aberta e transformar a TVA em efetivo serviço de TV paga, mas não conseguiu. O último ato da Anatel sobre o assunto, em 2004, reverte a decisão anterior de por um fim à transmissão aberta “até a definição de uma nova política”.E essa nova política virá consubstanciada na autorização do Minicom para a digitalização dos sinais.
Resta saber por quê o Ministério Público nunca questionou o fato de um mesmo grupo econômico ter duas transmissões abertas de TV na mesma cidade, o que é proibido pela legislação. Vale ressaltar que, gato escaldado, o grupo Globo, que tem uma licença de TVA no Rio de Janeiro, não abriu os seus sinais.
Mudança de estratégia
Depois de brigarem por vários anos para se equipararem a uma emissora de TV aberta, as empresas constataram que, agora, o melhor é ser operador de TV paga e poder se apropriar das duas vertentes comerciais que existem no mundo: a norte-americana, da Qualcomm, com a sua tecnologia MediaFLO, e a europeia, com o padrão DVBH. As duas tecnologias têm o mesmo objetivo: levar a TV móvel para o celular.
A vantagem dessas duas vertentes é que elas levam os sinais de vídeo para o celular sem congestionar a rede das operadoras móveis. Para isso, precisam de frequência. Nos Estados Unidos, a Qualcomm pagou uma fortuna por essas bandas. Na Europa, o DVBH se desenvolve junto com a TV digital aberta, que irá liberar uma parte do espectro para ser vendido novamente. No Brasil, as outorgas de TVA, que não pagaram um tostão pela banda que ocupam,é que irão se apropriar desse novo modelo de negócios.
Das 25 licenças, quatro ficam em São Paulo, cinco no Rio de Janeiro, duas em Porto Alegre, três em Curitiba, cinco em Belo Horizonte, duas em Brasília, uma em Fortaleza, uma em Salvador, uma em São Luis e uma em Itapemirim.
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