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Em 2013, déficit de 140 mil profissionais de software.

O Observatório Softex traz uma boa radiografia do segmento de software e serviços de TI brasileiro. Esta indústria terá este ano receita líquida de R$ 57,7 bilhões. O estudo não traz, porém, qualquer informação sobre o balanço de pagamentos setorial.

Conforme o simulador do observatório Softex (Associação para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro), a se manter as taxas de crescimento do setor (taxa média de 4,8% ano em número de empresas criadas e de 9,3% ano em receitas líquidas), o Brasil chegará em 2013 com uma carência de 140 mil profissionais de TI, para um mercado de mais de 750 mil vagas.

Na verdade, alerta o documento, a falta de mão de obra qualificada fará com que as empresas estritamente vinculadas ao software (batizadas como IBSS) percam a disputa na contratação desses profissionais para as empresas que também têm muita demanda por este perfil de trabalhadores, como bancos, empresas de telecom, etc (batizadas pelo estudo como NIBSS).

Apesar de criar essas siglas esquisitas, o documento tem a vantagem de, pela primeira vez, conseguir diferenciar as atividades das empresas que têm no software a sua principal fonte de receitas (as IBSS) e aquelas que – mesmo grandes contratantes desta mão de obra – contam com as atividades de software e serviços de TI como fonte secundária de receita (as NIBSS).

Perfil

São as empresas NIBSS as maiores empregadoras, com mais de 380 mil contratados em 2008, contra 122 mil das empresas típicas do segmento. Mas as corporações envolvidas diretamente com o setor eram nada menos do que 67,8 mil empresas, a maioria de pequeno porte, com até quatro empregados (84,3%), incluídos aí os próprios sócios.

As receitas líquidas das IBSS não têm nada de pequenas: em 2007, somaram R$ 44,1 bilhões (valores deflacionados). As projeções para 2009 eram de R$ 52,8 bilhões e para este ano, R$ 57,7 bilhões.

O estudo dividiu o mercado em sete classificações: as empresas de consultoria de hardware; as que desenvolvem e editam softwares prontos para uso; as que desenvolvem softwares sob encomenda; as de processamento de dados; as com atividades de banco de dados e distribuição on line de conteúdo eletrônico; as de manutenção e reparação de máquinas de escritório e informática e as que mantêm outras atividades.

Em 2005, aquelas que faziam software como produto ou por encomenda concentravam 57,8% das receitas do setor (R$ 7,3 bilhões para produtos e 10,31 bilhões para encomendas). Em 2007, essas duas classes ainda concentravam 55,6% das receitas.

A exagerada concentração regional é outra característica desta indústria. Enquanto as empresas localizadas na região Sudeste são responsáveis por nada menos do que 78% das receitas do segmento, as da região Norte ficaram com apenas 0,4% da riqueza setorial.

Mercado Externo

A participação brasileira no mercado externo continua a ser bem tímida, embora apresente crescimento anual. Se em 2004 as exportações de softwares e serviços  somaram apenas US$ 551 milhões, em 2009 elas alcançaram US$ 3,7 bilhões e as projeções para este ano são de que somem outros US$ 5,78 bilhões.

O estudo, se completo sobre o mercado interno, não traz uma linha sequer sobre o balanço de pagamentos setorial, uma falha incompreensível. Continuamos sem saber quanto o Brasil gasta com o pagamento de patentes e direito do autor sobre os softwares importados.

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