juegos

PL-29: uma tortuosa tramitação no Senado Federal

Jornalista erra. Por mais que a gente se esforce, busque informações com diferentes fontes, apure opiniões antagônicas e visões diferenciadas para assim poder transmitir  ao leitor as nuances deste mundo multifacetado e multicolorido, erramos na interpretação dos fatos, na sua análise e mesmo na apuração mais precisa da informação. Pois, em meu último artigo, dei  minha opinião com base em uma informação defasada, embora não de todo errada.

A assessoria de imprensa da Sky me enviou a seguinte nota de esclarecimento: “respeitamos a opinião da articulista. A Sky tem uma visão técnica e não política sobre o assunto. No entanto, alertamos para o fato da análise estar baseada em uma premissa errada - a de que a News Corporation, do Sr. Rupert Murdoch, está por trás das decisões da operadora. Informamos que a News Corporation vendeu a sua participação para a Liberty Media em 2006, não tendo mais qualquer ligação com a Sky Brasil ou empresas coligadas".

Fui, então, fazer o dever de casa com mais cuidado. Constatei que, de fato,  enquanto o Brasil analisava a fusão da DirectTV com a Sky de Murdoch, a Liberty Media fazia, lá fora, um acordo de troca de ações com a News Corporation, no qual dava os 16,3% de participação da News e ficava com os 38,5% das ações da operadora de DTH. Em 2008, a Liberty propõe  ficar com o controle da DirectTV norte-americana e latino-americana, numa operação que previa, primeiro, um spin-off do braço Liberty Media, e depois uma fusão do Liberty Enterteinement  (empresa resultante do spin-off) com a DirectTV.

Esta operação, que só se concretizou no ano passado, passou a fazer com que o grupo Liberty ficasse com 55% das ações totais da operadora de DTH, e com 66% das ações com direito a voto; e os demais acionistas com 45% do capital total e 34% dos votos. Entre estes demais acionistas minoritarios, continua a ter posição de controle indireto na DirectTV  a News Corporation. Ou seja, o conservadorismo da News Corporation, por mim criticado no artigo anterior, não foi totalmente eliminado das operações brasileiras, visto que, mesmo minoritario, ainda participa do bloco de controle.

A mudança de controle da DirecTV acabou gerando um Pado (Procedimento de Descumprimento de Obrigações) pela Anatel, que teria que ter sido informada previamente sobre estas trocas, o que não ocorreu.

Senado

O  fato é que a Sky e os produtores de conteúdo audiovisual estrangeiros, depois de terem sido derrotados na Câmara dos Deputados, quando assistiram ao PL-29 ser aprovado pelas comissões temáticas, devem estar satisfeitos com  a decisão da Mesa do Senado Federal, de enviar o projeto – que trata sobre o mercado de TV paga e cota de conteúdo audiovisual – para  cinco comissões, das onze existentes na Casa, para darem seu parecer sobre o mérito da questão.

Além da Comissão de Constituição e Justiça (por onde passam todas as proposições do Congresso Nacional, que analisa a constitucionalidade do projeto), e Ciência, Tecnologia e Comunicações, o projeto será analisado por comissões tão díspares como as de  Assuntos Econômicos (Cae); de Educação Cultura e Esporte (CE); de Meio Ambiente e Defesa do Consumidor (CMA) e de Ciência e Tecnologia (CCT), em decisão terminativa.

Aqueles que estavam otimistas com a possível aprovação do projeto ainda este ano, apesar do difícil calendário eleitoral, receberam como uma ducha de água fria a decisão da mesa diretora do Senado, de fazer com que a proposta receba o parecer de tantas comissões diferentes. A tramitação é sequencial, e não há prazo para que um projeto saia de uma comissão e vá para outra comissão.  Se não houver um grande acordo, o PL terá que ser desenterrado na próxima legislatura, quando dois terços do Senado Federal estará renovado.

tv.síntese

Telefônica vai dar prioridade ao vídeo na fibra

Entrevista com Antonio Carlos Valente, presidente do Grupo Telefônica no Brasil

hoje, em destaque

entrevista

O problema da Telebras não é orçamento. É gente.

O problema da Telebras não é orçamento. É gente.

Uma das prioridades da direção da Telebras é aumentar significativamente, senão dobrar, seu quadro de 220 funcionários. De acordo com Caio Bonilha, presidente da estatal, ainda este ano será realizado um concurso para preencher as novas vagas.

Leia mais +