Indaiatuba avança na digitalização com soluções caseiras


 

A 99 km da capital São Paulo, a cidade de Indaiatuba avança na digitalização dos serviços municipais, que vão desde o uso de câmeras de vigilância, interligação de todos os prédios públicos e oferta de serviços diretos à população, a um custo relativamente baixo. A receita para o avanço foi o investimentos na contratação de pessoal de TI ao invés de buscar soluções oferecidas por empresas privadas.

Em 20 anos, os servidores ligados a esse setor passaram de três para 50 contratados, que são responsáveis pela estruturação dos serviços, elaborados sob medida para às necessidades do município. Além disso, a prefeitura vem investindo também em infraestrutura, com a implantação de uma rede de fibra óptica que já chega a 180 km, interligando também os órgãos instalados na área rural do município.

“Em 10 anos, a prefeitura investiu R$ 20 milhões em TI, que renderam em significativas reduções de custos para a administração da cidade”, afirma o diretor do Departamento de Tecnologia da Informação, José Carlos Melli Filho. Segundo ele, essa opção dá a garantia de que o que está sendo implantado serve aos anseios da administração pública e dos habitantes da cidade, além de reduzir os custos.

Em 10 anos, por exemplo, foi possível reduzir em 70% o número anual de roubos de veículos, que chegou a 3 mil por ano em 2008. A instalação de uma rede de 100 câmeras de vigilância e o constante trabalho da inteligência da Guarda Municipal, tem mantido o mesmo percentual desde então. Além da rede própria, por meio de programa, a prefeitura tem acesso às imagens coletadas por outras 800 câmeras instaladas pelos empresários da cidade.

Outro avanço obtido é a possibilidade de criação de empresa exclusivamente por meio da internet, o que reduziu os prazos de autorização para instalação das firmas de 60 dias para 15 dias no máximo. Além do mais, todos os prontuários médicos dos cidadãos foram unificados, assim como as informações relativas aos estudantes das escolas públicas municipais. Os próximos passos serão de instalação de Wi-fi público em todas as praças da cidade e ligação dos semáforos à rede municipal de fibra óptica.

Também está previsto o lançamento ainda este ano de uma aplicação para que os cidadãos tenham acesso aos serviços prestados pela prefeitura. Por esse app, por exemplo, o cidadão pode acessar as notas do seu filho na escola ou o cardápio da merenda escolar do dia. Em contrapartida, a administração pública ganha uma ferramenta para comunicação direta com os seus munícipes.

Provedor

Como resultado da implantação da rede de fibra óptica de 180 km, o município, que contratava vários links de internet de grandes prestadora ou de provedores regionais, hoje só paga por dois links, sendo um só de redundância, disse Melli, que já está há 10 anos à frente do Departamento de TI do município. E esses dois links foram contratados de provedores regionais, que apresentaram preços mais baixos que as grandes operadoras. “Agora, para nós, implantação de fibra é igual a instalação de luz e água”, afirma.

No futuro, diz Melli, a prefeitura pensa em se tornar um provedor, com o intuito de baratear ainda mais a ligação com a internet. Ele afirma que não há interesse de a administração pública em ganhar dinheiro com a conexão de pessoas, mas pode trocar esse serviço por avaliações dos serviços prestados. Nesse caso, a prefeitura terá de concorrer com os sete ou oito provedores regionais que atendem à cidade.

Sobre a digitalização da iluminação pública, Melli disse que a prefeitura está analisando as propostas de diferentes empresas de TI. “Cada uma das propostas tem serviços adicionais, que precisam ser avaliados”, afirma.

Indaiatuba tem cerca de 230 mil habitantes e está localizado na região de Campinas. Tem forte vocação industrial, com presença de grandes empresas como a Toyota e a Unilever, o que garante recursos necessários para manutenção dos serviços públicos, mesmo em épocas de crise econômica.

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