A improvável venda da PT pela Oi


Há algumas semanas o mercado tem especulado sobre as alternativas disponíveis à Oi para arrecadar recursos para a compra da TIM. Além de já dada como certa a venda da operadora de Angola e a venda de mais ativos, o mercado começou a especular sobre a venda da própria Portugal Telecom, que teria muito menos importância relativa do que a concessionária brasileira.

A Portugal Telecom opera em um país saturado, em um continente em crise, em uma economia que não consegue crescer.  A Oi, por sua vez, está no mercado que soma vários portuguais. E mesmo atuando em um país com a economia que parou de crescer, o setor de telecomunicações daqui continua a apresentar taxas chinesas de crescimento. Argumentos para justificar a venda da operadora portuguesa em prol do fortalecimento da operação brasileira.

Mas esta não é a opção com que lidam os controladores da Oi, informam fontes próximas. É mais fácil a Portugal Telecom vender ativos, assim como fez a Oi (que já vendeu suas torres e cabo submarino) do que a operação portuguesa como um todo ser vendida. Entre outras razões, porque a operadora brasileira no processo de fusão (mesmo o novo processo revisto) já assumiu a dívida da Portugal Telecom (que veio juntamente com os seus ativos), dívida nada desprezível, de mais de sete vezes  o Ebitda português.

Compra

E quem coloca dúvidas sobre a real intenção da Oi de comprar a TIM, assinalam os interlocutores, não deve se esquecer que a venda da TIM é uma determinação do Cade (órgão antitruste brasileiro), que deu prazo de 18 meses (a contar de dezembro de 2013) para a espanhola Telefónica se desfazer da propriedade cruzada com a Telecom Italia. “O Cade mandou a Telefônica vender uma operação brasileira”, ressalta a fonte.

A versão da Oi é que o fatiamento da TIM só vai ocorrer devido a questões regulatórias – ninguém em sã consciência acredita que a quarta operadora poderia comprar a segunda colocada sem que fossem estabelecidos limites pela Anatel e Cade. E não se sabe quais seriam os condicionamentos para a aprovação da compra, mas certamente onde haveria muita concentração de mercado – como na região Nordeste, por exemplo – a nova empresa poderia ter que minimizar esta concentração, vendendo parte da operação. Mas o banco contratado – o BTG Pactual – está agindo para vender a empresa fatiada, conforme confirmou a América Móvil, antes mesmo de a operação ser efetivada.

O fatiamento não é a única medida concorrencial ou regulatória que pode ser adotada.  Há outros remédios, avaliam fontes que acompanham as decisões do Cade. E o exemplo que vem à tona é o caso Sadia Perdigão, no qual o Cade mandou que a marca Sadia não fosse retirada do mercado. “O Cade pode mandar que a TIM continue no mercado brasileiro, mesmo que seu controle mude de mãos”, observa fonte.

 

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