Abhijit-Karandikar

Por Abhijit Karandikar*

Ainda que os padrões técnicos estejam por ser definidos, as operadoras de telecomunicações e os desenvolvedores de serviços digitais já trabalham nos modelos de negócio viabilizados pela nova tecnologia. Há dois desafios paralelos, tecnológico e de construção de novos paradigmas de serviços. Nas migrações anteriores, do 1G ao 4G, temos uma evolução com foco na ampliação de cobertura e capacidade de comunicação de dados. O 5G é disruptivo e os desenvolvedores em áreas como IoT (Internet das Coisas) já exploram suas funcionalidades. A questão é descobrir o público e a região em que serão adotadas. Isso define a estratégia de investimento na infraestrutura, para onde haja um retorno mais rápido.

Além de alcançar velocidades de até 10 Gbps, as especificações das redes 5G (que devem ser concluídas no final de 2018) incluem a capacidade de atender até 1 milhão de conexões por quilômetro quadrado e limitar a latência (o tempo que um pacote de dados leva de um ponto para outro) para até 1 milissegundo. Para as aplicações que existem hoje, o 4G atende e continuamos a investir em melhorias nessas redes. Mas em aplicações como drones, telemedicina ou carros conectados, qualquer atraso de latência pode comprometer a segurança das pessoas.

Hoje, em paralelo ao desenvolvimento dos modelos de negócio, a indústria já trabalha sobre desafios técnicos, como a distribuição de acessos em distâncias menores entre as radiobase e os terminais. Os dispositivos conectados (celulares, sensores, carros etc.) também têm que ser modificados.

Big data, novos players e modelos de receita

O 5G é disruptivo em termos de premissas técnicas e possibilidade de criação de serviços, mas não vem para migrar toda a atual base de usuários. As operadoras e a indústria continuam a focar no aumento de cobertura e capacidade das redes 4G, ao mesmo tempo em que buscam sua estratégia para 5G. Há oportunidade para criar vários modelos de receita, que ainda não estão claras. Tudo depende de como os serviços serão rentabilizados em cada região. É provável que se comecem as implantações de 5G em áreas específicas, com alta densidade de usuários das novas aplicações.

O caminho para o 5G será determinado por iniciativas em vários setores que hoje protagonizam a economia digital. No caso do carro autônomo, por exemplo, a incorporação de sensores e inteligência artificial permitirá “substituir” o motorista sem necessidade de conexão. No entanto, ao entrar em uma área com cobertura 5G, pode passar a interagir com os demais veículos e com a infraestrutura urbana, para que um sistema inteligente otimize a gestão do tráfego. Entre as tendências, o mercado já antevê a disseminação de aplicações de Big Data capazes de prover serviços a partir das informações capturadas nas redes de milhões de dispositivos conectados.

Vemos hoje o início de um ciclo em que a tecnologia abre possibilidade à construção de novas aplicações e essas aplicações, por sua vez, puxam os investimentos na infraestrutura de telecomunicações.

*Abhijit Karandikar é diretor de Estratégia Tecnológica da Radio Frequency Systems (RFS)