IBM: integração e interoperabilidade, em qualquer linguagem.


{mosimage}A convergência é muito mais do que tecnológica. Ela precisa ser capaz de unir as empresas de telecom e as de tecnologia da informação (TI) às ISV (Industry Solution Value Partners). E a a IBM está certa de que essa união não tardará a acontecer. Conforme Emerson Pierdoná, diretor da área de telecomunicações, ao se aliar a capilaridade das telcos com as competências dos demais empresas, pode-se criar um vigoroso mercado de venda de serviços.

Tele.Síntese – Qual o peso de telecom no faturamento da companhia?
Emerson Pierdoná – A área de telecom, para a IBM, cresce de importância de
forma muito agressiva, por conta da convergência, com destaque para a área de serviços. E no Brasil, ocorre o mesmo da operação mundial, na qual serviços, tanto de consultoria, quanto de infra-estrutura, significam um pouco mais de 50% da receita. Aliás, aqui, esse peso é até maior do que em outros países.

Tele.Síntese –  Exatamente em que segmento de telecom?
Emerson Pierdoná
– Na época das privatizações, a IBM perdeu oportunidades  na área de infra-estrutura, enquanto os concorrentes estavam preparados para capturá-las, principalmente na telefonia celular, segmento no qual a concorrência foi mais ágil. Mas a IBM reagiu, e passou a dar ênfase na prestação de serviços, crescendo também no segmento de software, que é o alvo da companhia no mundo. A IBM comprou mais de 30 empresas de software. Só no ano passado, para telecom, se não me engano, foram adquiridas quatro,  entre elas, a  Micromuse,  de sistemas de segurança e gestão de redes, e cuja carteira de clientes inclui inúmeras operadoras de telecomunicações, principalmente de telefonia fixa porque, historicamente, a gestão dessas redes é mais complexa. Compramos também a Vallent, para  complementar o portifólio de gerência de redes da Micromuse.

Tele.SínteseQuais as outras aquisições?
Pierdoná
– A FileNet, com soluções focadas para as telcos, e a ISS, de segurança, também bastante importante para telecomunicações. A quinta empresa, que atende várias indústrias, inclusive telecom, é a MRO, dona do produto Máximo, que é um best of grid de gestão de ativos. Essas compras  são bastante estratégicas no contexto de convergência.

Tele.Síntese – Os mainframes ainda são importantes?
Pierdoná – O mainframe não acabou, como queriam sugerir. Temos soluções
baseadas em Linux e Microsoft também. Quanto ao Linux, a IBM está engajada em desenvolver soluções, sem ferir a questão da patente. Hoje a Telemar é referência entre nossos clientes de grande porte, usando o "mainframe" e rodando muitas aplicações Linux nativas e com interoperabilidade TCP/IP. Não há nada mais aberto do que isso. A IBM tem algumas iniciativas, ainda, como o Word Jam. Nesse fórum de debates para funcionários, familiares e parceiros de negócios, foram selecionadas 10 idéias em que a empresa está investindo algo como US$ 200 milhões. Uma delas é Internet 3D. Isso pode revolucionar toda a indústria. Esse tipo de aplicação já está em uso, por exemplo, na loja virtual da Adidas. O cliente entra no site,  escolhe o tênis da prateleira e vê se cabe no pé.

Tele.Síntese –  Mas, quando compramos um sapato, gostamos de calçá-lo e de andar para experimentar. O usuário está preparado para comprá-lo virtualmente?
Pierdoná- Há 30 anos, se eu falasse de internet banking, você iria me dizer que não funcionaria, que gostaria de manter um relacionamento pessoal com seu gerente, e ver o seu dinheiro. Hoje, não vamos mais ao banco, não vemos mais nosso gerente e estamos satisfeitos. E esse é o ícone das transformações tecnológicas que vamos enfrentar.

Tele.Síntese –  O que é inovação para a IBM?
Pierdoná- Para nós, inovar não é inventar coisas novas, mas utilizar o que existe, de maneira útil para a vida das pessoas.  Na IBM Brasil, há um grupo que tem aulas — contratamos o Ibmec para nos ajudar — para entender as tendências das telecomunicações.

Tele.SínteseUm exemplo…
Pierdoná – O iPhone, da Apple. O Steve Jobs é um gênio, pois incorporou nesse aparelho uma inovação do que já existe, que é o iPod. E vai mudar a indústria de telecomunicações daqui a 10, 15, ou 30 anos. O mais genial é o iTunes, que poderá se transformar no grande distribuidor de conteúdo.  Ele pode ser a  killer application que todo mundo buscava para a 3G. As telecomunicações jamais serão as mesmas. Veremos gigantes sumindo e surgindo do nada. Estamos falando de conceitos como o do MVNO, (operadora móvel virtual) que, hoje, poucas pessoas conseguem entender…

Tele.Síntese –  E mesmo lá fora, não está fácil.
Pierdoná- Não há como manter o monopólio das telecomunicações. Está ocorrendo uma grande transformação na indústria. O telefone celular mata a telefonia fixa local. Diversos perfis de usuários já migraram para o celular e, aqui, a portabilidade é muito mais relevante do que o preço da tarifa fixa. Quantas empresas fazendo VoIP existem no Brasil? Um monte. Mas concentradas nos grandes centros. Mas vamos voltar ao internet banking. Ele não foi regulamentado, mas ele está aí.

Tele.Síntese –  Como entra a IBM nesse cenário?
Pierdoná- Não se reclama da qualidade do serviço das operadoras? Por que? Não é porque elas querem. Para começar a resolver o problema, estamos implementando módulos de CRM da Telefônica, mas a  integração de todos os sistemas requer um esforço de tempo e dinheiro que nenhuma empresa estimou na época da privatização. Um dos principais papéis que a IBM desempenha é na integração. Aqui, um dos produtos da família Websphere está voltado para fazer interoperabilidade em larga escala, que é o que uma telco precisa. Ele está em uso na Telefônica, fazendo a integração OSS/BSS.

Tele.SínteseEntão o segredo está na família Websphere?
Pierdoná
–  Lembro que, quando comecei a lidar com a tecnologia wireless, em 2000, quando a IBM lançou a família, havia um produto chamado Websphere Every Place Connection Management, que pode criar uma VPN em qualquer tipo de rede, e possibilita o roaming entre as diferentes redes. Isso é muito útil para um usuário cujo laptop pode se conectar por cabo, Wi-Fi ou EV-DO; quando está em trânsito, ele precisa de conexão contínua durante um download. E como faturar em redes diferentes? Sem tecnologia não dá. Os produtos Websphere, que fazem tudo isso, são um conjunto de mais de 60 software para integração. Seu core é integração e interoperabilidade, qualquer que seja a linguagem da operadora.

Tele.Síntese –  Quem usa ?
Pierdoná-  Temos o Websphere para integração na Telefônica e estamos trabalhando junto a várias outras telcos. Temos sete clientes operadoras, quatro fixas, três celulares. Hoje, os grandes projetos de todas as telcos se relacionam à integração, atendimento ao cliente e segurança. Com a Telefônica, estamos desenvolvendo o ATIS, cujo objetivo é melhorar o atendimento ao cliente, e que está entrando em operação agora. Aqui, a Accenture se encarregou do sistema de  faturamento e a IBM do CRM. A operadora está fazendo um investimento violento.

Tele.Síntese –  O que vocês têm para as móveis?
Pierdoná-  Estamos trabalhando mais na infra-estrutura de TI. Temos presença importante na Vivo, com servidores e, na TIM, começamos a vender equipamentos e Tivoli para segurança.

Tele.Síntese –  A IBM tem SDP (Service Delivery Platform) ?
Pierdoná- A plataforma de entrega de serviços (SDP) se confunde com o  IMS (Internet Multimedia Subsystem).Temos soluções end-to-end, não de propriedade da IBM, mas de diversos parceiros do mundo inteiro, como Alcatel-Lucent, para IPTV, .

Tele.Síntese –  Que soluções fim-a-fim?
Pierdoná- Conseguimos ajudar uma empresa de telecom desde a  concepção até a implementação da plataforma IMS. Fizemos isso com uma empresa indiana, a Barth Telecom, que é um exemplo de inovação no setor.

Tele.Síntese – A plataforma de entrega de serviços é via internet?
Pierdoná- Tudo vai ser pela web, mas a web é só 0,1% do que se tem de fazer. O x da questão é o que está por trás, para funcionar. A SDP é um universo, uma arquitetura. E quando se implementa uma infra-estrutura desse porte, é preciso ter uma série de serviços, como outsourcing de datacenter, por exemplo. Breve, SDP e IMS serão 100% do que as telcos precisarão para sobreviver. Está- se discutindo agora a terceira geração da web, que está sendo chamada de internet tridimensional. Ou seja, ver tudo virtual e em terceira dimensão.

Tele.Síntese –  O que vai significar a internet 3D para uma operadora de telecom?
Pierdoná- Existe um grande mercado. Mas as telcos não perceberam ainda. Há também um outro mercado para o qual chamo atenção, mas, ao que parece, também ainda não despertou o interesse das telcos: serviços para para pequenas e médias empresas.

Tele.Síntese –  Não caiu a ficha das operadoras, ou não estão comendo pelas bordas?
Pierdoná- Está faltando convergência, que é muito mais do que a tecnológica, mas a da indústria, que seja capaz de unir  uma empresa de telecom, uma de TI e um ISV (Industry Solution Value Partner).

Tele.Síntese –
  Como seria essa convergência?
Pierdoná- Cito a Microsiga, parceira da IBM, que tem um sistema ERP para pequenas e médias empresas que não concorre com a SAP. A solução é da Microsiga, com tecnologia e hosting da IBM. Não seria interessante comprar o serviço, ao invés de adquirir e implementar todo o pacote?  Mas, o que acontece hoje é que as empresas ficam limitadas no acesso à tecnologia, enquanto há um leque de serviços para esse segmento do mercado que poderiam ser oferecidos dessa maneira, e pelos quais o usuário paga apenas pelos  serviços.

Tele.Síntese – Como as telcos participariam desse novo modelo?
Pierdoná- Uma operadora, principalmente a fixa, tem capilaridade, chega até o consumidor. E esse contato é importante. Por que o PDV da padaria e toda a solução de gestão precisam estar dentro do negócio, rodando em um desktop?Por que os sistemas não podem estar dentro de um portal acessado via ADSL? Essa é uma oportunidade que as telcos, sozinhas, não têm competência para atender. A IBM e a Microsiga não podem ir sozinhas também, porque não têm mecanismos para chegar até aquele estabelecimento.

Tele.Síntese –  Mas quem vai falar com o padeiro?
Pierdoná – É possível chegar nele por meio de uma associação das panificadoras, por exemplo.

Tele.Síntese – Alguma empresa no Brasil já trabalha dessa maneira?

Pierdoná- Não. E é justamente essa a minha provocação. Estou querendo dizer que esse é o tipo de convergência que vai acontecer, em mais ou menos tempo. Ou seja, utilizar soluções prontas e empacotá-las de tal forma que possam  transitar por meio do tubo das telcos. Com esse movimento, começa-se a se fazer a inclusão digital e social.  Esse pode ser um salto para as empresas de telecomunicações se sustentarem por muito tempo. É uma questão de maturidade.

Tele.Síntese –  Em 2006, como foi o desempenho da área de telecom da empresa?
Pierdoná- Foi um ano de consolidação e crescimento depois da explosão da bolha. Saímos de uma posição de market share reduzido. Éramos praticamente os lanterninhas, e alcançamos um índice acima de dois dígitos. Eu diria que antes, a participação de telecom eestava abaixo de 10%, e agora está bem acima.

Tele.Síntese – Qual é o portifólio e a composição na receita?
Pierdoná- Oferecemos prestação de serviços, outsourcing de TI, consultoria e software. Temos contratos grandes em outsourcing de TI, como, por exemplo, com a Embratel. E, na composição, os serviços significam mais de 50%. A IBM era só vista como uma empresa de hardware, hoje ela é reconhecida como uma empresa de software e serviços. Hardware representa menos de um quarto da receita.

Tele.Síntese – Quais são as expectativas para este ano?
Pierdoná- A meta é manter a curva de crescimento, que  deverá  ficar acima do mercado.

Tele.Síntese –  E o segmento de mídia e entretenimento?
Pierdoná- Esse setor vai demandar muitas soluções de segurança e de sistemas vinculados ao direito autoral. Há também uma grande oportunidade com as mudanças quer ocorrerão no segmento de energia, no qual podem ser adotadas uma série de aplicações, como energia pré-paga, medição e gestão remota de energia. A Enel, empresa de energia elétrica da Itália, tem mais de 20 milhões de consumidores com medidor automatizado. É possível fazer a gestão remota, seja por meio de GPRS, SMS, linha energizada, CDMA, fibra óptica, não importa. Mas esse tipo de aplicação precisa passar por uma discussão regulatória para que possa ser instalado o equipamento na casa do usuário. Um dos principais problemas é o pico de consumo. Com esse tipo de aplicação, as concessionárias podem oferecer descontos para que o usuário passe a utilizar horários alternativos.

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