Huawei estuda entrar no varejo brasileiro com marca própria


Dois movimentos levaram a Huawei do Brasil a estudar o lançamento de marca própria do mercado brasileiro. São eles a entrada no mercado de handsets celulares, agora que o desboqueio é obrigatório e pelo menos duas operadoras – Oi e TIM – não subsidiam aparelhos para clientes, e o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) …

Dois movimentos levaram a Huawei do Brasil a estudar o lançamento de marca própria do mercado brasileiro. São eles a entrada no mercado de handsets celulares, agora que o desboqueio é obrigatório e pelo menos duas operadoras – Oi e TIM – não subsidiam aparelhos para clientes, e o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) que pretende desonerar os modems que forem adquiridos diretamente pelo usuário final na cadeia varejista. A decisão, segundo Marcelo Motta, diretor de tecnologia e marketing, sairá em breve.

A comercialização direta no varejo com marca própria foge à estratégia da fabricante chinesa, que vende seus produtos de varejo sempre via operadora, com a sua marca. Nos dois segmentos de mercado, a situação da Huawei no Brasil é diferente. No de celulares, ela não tem presença, recém iniciou a comercialização de aparelhos celulares; no de modems móveis tem cerca de 55% dos 3,2 milhões comercializados no país até o primeiro trimestre deste ano, de acordo com levantamento feito para a empresa pela consultoria Teleco.

Segundo Motta, a entrada no varejo, que demanda fortes investimentos na marca, depende do aprofundamento dos estudos. Nessa área, a empresa já conta com uma cadeia de distribuição no país: são dois distribuidores e 40 revendas, que hoje escoam seus produtos na área de armazenamento, produzidos pela joint venture Symantec-Huawei, e também modems móveis. E, mais recentemente, os celulares.

Com faturamento de US$ 1,2 bilhão e carteira de contratos de US$ 1,4 bilhão em 2009 no país (o faturamento mundial foi de US$ 30,2 bilhões no ano passado), a Huawei é líder de vendas em vários segmentos de mercado. A expectativa da empresa, em nível mundial, é crescer 20%.

Impostos e falta de escala

O levantamento da Teleco relativo ao primeiro trimestre de 2010 mostra que os preços do modem para 3G vêm caindo no mercado brasileiro. O preço médio é de R$ 294, com queda de 21,6% em relação ao trimestre anterior. Mesmo assim reconhece que valor é elevado, o que ele atribui à falta de escala e aos impostos, que representam 80% do preço FOB de importação. Até meados do ano passado, a Huawei fabricava seus modems para 3G no país, montados pela Flextronics. Mas a queda do preço do produto no mercado internacional e a reduzida escala do mercado brasileiro tornaram, segundo ele, a operação inviável.

Motta tem dúvidas se a desoneração do PIS/Cofins (perto de 10%), prevista no PNBL, vai ser suficiente para estimular a venda no varejo. Em função do preço, a comercialização dos modems no varejo é pequena. A maioria quase absoluta do dispositivo é subsidiada pelas operadoras celulares dentro da comercialização do pacote de dados. “Para avaliar o impacto da medida, é preciso um estudo mais detalhado da composição dos preços e conhecer melhor o que o governo pretende”, pondera.

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