HSPA+ incrementa as redes 3G


As operadoras móveis que utilizam tecnologia de acesso a pacotes de alta velocidade (HSPA, na sigla em inglês) em todo o mundo vêm testemunhando uma grande demanda por serviços de banda larga. A proliferação de conexões em muitos segmentos de mercado e a grande oferta de dispositivos impulsiona um aumento constante no volume de dados. Para sustentar esse crescimento e melhorar a experiência do usuário, a maioria das operadoras está evoluindo suas redes HSPA para HSPA+. De forma paralela, também investem na tecnologia LTE (tecnologia de quarta geração da telefonia móvel, do inglês Long Term Evolution), quando há acesso a um novo espectro com banda mais larga.

Considerada a evolução natural do HSPA, o HSPA+ permite às operadoras oferecer taxa de dados mais alta – mais de 168Mbps, ou seja o dobro da capacidade que tem com o HSPA. Esta taxa melhora significativamente a experiência do usuário, já que a capacidade de voz também é ampliada, ou seja, é duas vezes maior em relação ao acesso múltiplo por divisão de código de banda larga (WCDMA, na sigla em inglês). A capacidade maior de dados possibilita que operadoras ofereçam serviços de banda larga móvel a menor custo, enquanto o aumento da capacidade de voz permite a elas liberar recursos para suportar mais dados.

A tecnologia HSPA+ é uma evolução econômica, que maximiza o retorno sobre investimentos já efetuados. Muitas das funcionalidades do HSPA+ são simplesmente atualizações de infraestrutura já existente. A compatibilidade entre as tecnologias permitirá que as operadoras implementem o HSPA+ em fases, sem se preocupar com a incompatibilidade entre os aparelhos e a rede. O HSPA+ também garantirá que forneçam uma vantagem de “time to market”, quando comparado a outras tecnologias concorrentes.

Com base em estimativas de analistas, o HSPA e o HSPA+ representarão cerca de 70% do mercado total de banda larga móvel em 2014. Em junho de 2010, mais de 400 operadores em 154 países já ofereciam serviços de banda larga baseados em HSPA. O HSPA+ Release 7 – a versão mais atual disponível comercialmente – registrou rápida adoção em todo o mundo e, atualmente, 63 redes HSPA+ são utilizadas em 35 países. Além disso, há mais de 50 compromissos firmados por operadoras do mundo todo para implantação do HSPA+, o que indica a evolução tecnológica sendo adotada pelas operadoras HSPA remanescentes.

A tecnologia HSPA+ manterá um desenvolvimento progressivo que passará pelos Releases 8, 9 e 10. O HSPA+ Release 8, que será comercial em 2010, introduz o primeiro passo da tecnologia multiportadora, agregando duas portadoras de 5 MHz. Isso permitirá dobrar as taxas de dados de todos os usuários na célula. A padronização do HSPA+ Release 9 acontecerá em 2010 e deverá ampliar o suporte à multiportadora em 10 MHz e introduzirá a multiportadora no uplink. O Release 10 permitirá a agregação de 4 portadoras (20 MHz) no downlink e oferecerá uma taxa de pico de dados de até 168 Mbps. A padronização do Release 10 já está em andamento e deverá estar disponível comercialmente em 2011.

As operadoras que possuem um espectro mais amplo de banda planejam fazer em suas redes, além do upgrade de HSPA para HSPA+, a implementação do LTE para aumentar a capacidade das redes. Isto é, as operadoras implementarão outra camada de rede de dados paralela ao HSPA/HSPA+ com o LTE. Desde o início, a tecnologia LTE foi concebida para interoperar de forma transparente com a tecnologia 3G por meio de dispositivos multimodo. O LTE alavanca bandas mais largas, podendo ser efetivamente usado para aumentar a capacidade de dados em áreas urbanas densas, que apresentem alta demanda por dados. Já, as tecnologias HSPA/HSPA+ poderão oferecer serviços abrangentes de banda larga em localidades que vão além das áreas de cobertura do LTE e serviços de voz em toda a rede.

O LTE é um caminho paralelo de evolução que proporciona continuidade aos ganhos de mobilidade e de alta eficiência espectral da tecnologia de terceira geração. A tecnologia para o acesso múltiplo de divisão de freqüência ortogonal (OFDMA, na sigla em inglês) do LTE se distingue alavancando bandas mais amplas para fornecer velocidades de dados muito altas e, assim, prover uma excelente experiência ao usuário, tornando-a a tecnologia mais adequada para um novo espectro com largura de banda de 10 MHz ou superior.

As primeiras redes LTE comerciais oferecem serviços de dados por meio de dispositivos, como modems, e apresentam picos de até 73 Mbps no downlink e até 36 Mbps no uplink. Futuras fases do LTE serão capazes de oferecer taxas de dados ainda maiores com bandas mais largas, podendo alcançar até 150Mbps em 10MHz e 300Mbps em 20 MHz de espectro.

Na busca para alcançar novos níveis de experiência do usuário, tanto o LTE como o HSPA+ estão evoluindo em paralelo. Para os espectros já existentes ou os novos, o HSPA+ é um caminho de evolução interessante economicamente para as operadoras HSPA. O desempenho pode ser melhorado por meio de upgrades incrementais, sem a necessidade de fazer uso de pesados investimentos. O LTE, por outro lado, dependerá principalmente da disponibilidade de um novo e mais amplo espectro ou espectro para o modo Time Division Duplex (TDD), quando o uplink e o downlink são em faixas contíguas.

Tanto a tecnologia HSPA+ como a LTE oferecem taxas similares de dados e de capacidade para uma mesma configuração de antena e largura de banda, já que ambas as tecnologias dependem das mesmas melhorias para aprimorar seus desempenhos. Além disso, ambas alavancam um grande ecossistema de operadoras, fornecedores de infraestrutura e aparelhos. Com as duas tecnologias provendo o mesmo desempenho, o próximo salto significativo na melhora da performance virá da topologia da rede e não da tecnologia. O desempenho aumentará e, dessa maneira, proporcionará ganhos além do que a tecnologia poderia prover isoladamente.

As soluções de chipset HSPA+ e LTE/3G multimodo são o caminho para os próximos aparelhos sem-fio. As redes de topologia avançada, que melhoram ainda mais o desempenho das redes móveis, são e serão foco de muitas empresas do setor sem-fio num futuro próximo.

Helio Oyama é gerente de Desenvolvimento de Negócios da Qualcomm do Brasil

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