Hélio Costa culpa a privatização das teles pela falta de uma rede pública de TV


  O ministro das Comunicações, Hélio Costa, resolveu acusar, agora, a privatização das telecomunicações pela ausência de uma rede pública de TV. “Antes da privatização, a TV tinha uma rede pública nacional, suportada pelos nossos satélites. Deixou de ter, pois os satélites foram adquiridos pela Embratel. Agora, qualquer emergência, temos que pedir licença ao México”, …

  O ministro das Comunicações, Hélio Costa, resolveu acusar, agora, a privatização das telecomunicações pela ausência de uma rede pública de TV. “Antes da privatização, a TV tinha uma rede pública nacional, suportada pelos nossos satélites. Deixou de ter, pois os satélites foram adquiridos pela Embratel. Agora, qualquer emergência, temos que pedir licença ao México”, afirmou o ministro em audiência pública na comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados.

Segundo ele, durante a discussão da privatização das operadoras de telecomunicações, foi ele, que, como senador, criou a salvaguarda para que as forças armadas brasileiras pudessem manter o seu direito de continuar a usar os satélites da Embratel. “Não temos qualquer controle sobre essas redes. O governo deveria ter, no mínimo, golden share”, completou Costa.

Para sair do tiroteio sobre a sua proposta de criação da TV do Executivo, que, segundo o ministro, foi mal interpretada, pois não cabe à sua gestão decidir qual é o conteúdo que será transmitido nos quatro canais públicos criados pela política da TV digital, Costa preferiu apontar para a Embratel e atacar também todas as concessionárias de telecomunicações. “As empresas foram vendidas a preço de banana. Hoje, o setor de comunicações fatura por ano R$ 100 bilhões, dos quais R$ 90 bilhões vêm das teles e apenas R$ 10 bilhões da radiodifusão”, afirmou Costa, ao rebater o deputado Julio Semeghini (PSDB/SP), que havia contestado a venda das teles a “preço de banana.” E, num novo bate-boca com o deputado durante a audiência pública, Costa assinalou que as teles foram vendidas por R$ 22 bilhões, enquanto faturam hoje R$ 90 bilhões. Ao que Semeghini reagiu lembrando que esse valor foi pago por menos de 20% do capital total das empresas e  afirmou "mas o  governo, se estiver  insatisfeito, pode reestatizá-las",  ironizou  o deputado.

TV Pública

O comportamento dos deputados da comissão demonstra que a coalizão PT/PMDB está mesmo funcionando. Logo depois de sua primeira intervenção, quando insistiu que não cabe a ele discutir qual será o conteúdo ou o formato desses novos canais, mas sim somente viabilizar a parte técnica , pelo menos cinco deputados do PT apoiaram o ministro pelo fato de ele ter aberto o debate sobre a TV pública no país.

Plano de Outorgas

O deputado Jorge Bittar (PT/RJ) sugeriu a criação de um Plano Geral de Outorgas de Radiodifusão, sugestão que agradou Hélio Costa, que disse querer incluí-la na projeto de lei de comunicação eletrônica de massa, em discussão no governo.

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