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*Por Hector Silva, diretor de tecnologia da Ciena para a América Latina

O tráfego de rede está crescendo rapidamente. Na verdade, espera-se que ao longo dos próximos três anos a interconexão de data centers na América Latina cresça em um ritmo maior do que em outras partes do mundo. As demandas por escalabilidade estão sobrecarregando rotas entre os data centers, que já estão com sua capacidade ultrapassada, ao longo das conexões entre as principais filiais e suas sedes, dentro de um campus ou em rotas de backbone regionais e de longa distância.

E esse problema tende a piorar, uma vez que a América Latina atualmente apresenta escassez de data centers. Por exemplo, o Brasil concentra 2,5% do tráfego mundial de internet e 40% do tráfego IP da América Latina. É também o país com a maior concentração de cabos submarinos, mas conta com apenas 0,9% dos data centers do mundo.

Muitos acreditam que a solução seja construir mais data centers. Mas os gestores de operações de data centers da região já estão cuidando disso. Recentemente, a Equinix adquiriu 15 novos data centers da Verizon na América do Sul e na América do Norte e já deu início à construção de sua quinta unidade no Brasil, a maior da América Latina.

No curto prazo, o mercado de data centers não deve desacelerar, com taxa de crescimento esperado de 15% até 2020 na América Latina. Contudo, a demanda global por banda larga deverá apresentar um aumento de 40% ao longo do mesmo período, com desafios ainda maiores e inesperados.

Existem vários fatores por trás da banda larga – compartilhamento de dados e arquivos de vários terabytes entre instituições de pesquisa, a migração de aplicações, armazenamento e computação para a nuvem, transmissão de imagens médicas complexas e de alta resolução entre hospitais, ferramentas educacionais em desenvolvimento ou outras aplicações que exigem altas taxas de banda são apenas alguns exemplos. Mas, no final das contas, o problema é um só: atualizações de rede caras e complexas.

Uma vez que um problema de escalabilidade tenha sido identificado, os meios tradicionais de sobreposição de capacidade normalmente não podem resolver o problema de forma eficiente ou econômica. Os desafios de escalabilidade podem parecer insuperáveis, mas problemas semelhantes já foram superados em outros setores no momento em que se decidiu encará-los a partir de outro ângulo.

O setor de transportes passou por desafios de escalabilidade semelhantes. O transporte de bits entre diferentes pontos se parece muito com o transporte de pessoas, e oferecer formas econômicas para levar os clientes de um lugar ao outro pela rota mais rápida e menos congestionada não é uma tarefa simples. Para resolver esse problema, novas empresas privadas de transporte e de carona decidiram olhar a questão a partir de um ângulo diferente. Elas tomaram como ponto de partida o conceito de serviços de transporte privado e modificaram o modelo para que estivesse disponível a todos.

Agora, em vez de se desgastar com rotas de ônibus, instruções de GPS ou tentando encontrar um táxi em locais de pouca circulação, o cliente pode simplesmente acessar um aplicativo, solicitar uma corrida e ser atendido por um motorista qualificado dentro de poucos minutos. E se os operadores de redes pudessem olhar para o problema de escalabilidade por um ângulo diferente e, da mesma forma que o setor de transportes, alavancar um modo fácil de escala de capacidade para atender a demanda crescente de tráfego de rede?

Diferentemente do transporte de pessoas, o transporte de dados depende fortemente de uma grande rede de infraestrutura já existente. E se existisse uma forma de simplesmente integrar uma solução para otimização de baixo impacto das estruturas já existentes de fibra, em vez de mais um projeto caro e pouco flexível para ampliar uma infraestrutura de rede? Um simples botão para aumento de banda? Na verdade, essa solução já existe.

Olhando para o problema de aumento de banda por outro ângulo, vemos que não é tão diferente do crescimento exponencial de banda enfrentado por operadores de data centers em interconexões. As interconexões de data centers exigem dispositivos com altas taxas de transmissão, pouco espaço e baixo consumo de energia, e que tenham configuração rápida e simples como um servidor, possibilitando infinitas opções de integração e execução dentro de poucas horas, não dias.

Novas plataformas construídas especialmente para interconexões de alta capacidade oferecem velocidade incrível e grande densidade com uma simplicidade ainda pouco conhecida. Essas plataformas proporcionam transmissões de alta velocidade, variando de 100G a 400G por comprimento de onda, por meio de um modelo operacional simples e semelhante a um servidor, oferecendo aos operadores uma nova ferramenta para capacidade crescente que também seja fácil de usar. Além disso, APIs abertas oferecem integração completa com infraestruturas já existentes. Clientes de empresas, governos e centros de P&D já estão aplicando essas plataformas desenvolvidas para data centers, alavancando-as em conexões com capacidade já exaurida em toda a rede, aumentando a banda em links congestionados em questão de horas e economizando dezenas de milhares de dólares.

Às vezes, é necessário olhar o problema a partir de um novo ângulo para se chegar à melhor solução.