GVT e NET acirram o confronto


Muito já se falou sobre a entrada da GVT em São Paulo e como essa movimentação poderia afetar os negócios da NET Serviços, do grupo América Móvil. Mas está pouco claro qual a força da empresa do grupo Vivendi para competir com a maior empresa de TV a cabo do país e com o grupo que detém mais da metade dos acessos em TV paga do país. Pelos dados da Anatel, é possível perceber que essa disputa está apenas começando. E que a expansão da NET ameaça a GVT em diversos municípios onde esta ganhou participação expressiva, como em algumas capitais do Nordeste.

 

Conforme levantamento feito pelo Tele.Síntese Análise, entre as cidades onde a GVT mantém rede ativada há mais de 12 meses, a empresa já tem 7,36% do mercado, ante 0,91% em janeiro de 2012 e 5,26% em outubro de 2013. No país como um todo, a participação da GVT era de 3,48% em outubro.

Nessas mesmas localidades, o grupo Embratel viu sua participação cair de 58,93% em janeiro de 2012, para 55,02% em outubro de 2012. Nos últimos 12 meses, porém, o grupo mexicano registrou uma leve retomada da participação. As empresas de Carlos Slim, no universo de concorrência com a GVT, tinham participação de 55,15% em outubro, acima da média nacional. 

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Afetou o resultado do grupo Slim o desligamento dos serviços via microondas (MMDS) em Curitiba, Porto Alegre e Recife, onde contava com 6,3 mil, 7,9 mil e 17,2 mil acessos, respectivamente, em janeiro de 2012. O universo das cidades onde a GVT atua há pelo menos 12 meses, representava 6,15 milhões de acessos em outubro. Este desligamento se deu por determinação da Anatel, pois essas frequências, antes ocupadas pelo serviço de TV paga, foram destinadas à telefonia celular LTE, de quarta geração.

A avaliação sobre a competição dessas duas operadoras não integrantes do grupo das incumbentes locais deve considerar que NET Serviços conseguiu outorgas do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) apenas em novembro de 2012. Antes disso, ela não podia expandir os serviços para novas cidades. Desde então, a empresa vem ampliando os municípios de atuação, muitos dos quais só passaram a fazer parte dos dados da Anatel em outubro. Segundo a assessoria da agência, em outubro apenas cinco municípios do país ainda não estavam computados no sistema.

 

A tendência agora é de contínuo crescimento da concorrência da NET com a GVT. Em diversas cidades onde a empresa do grupo Vivendi adquiriu participação relevante, os números da NET começaram a aparecer em outubro.

A título de exemplo, em Recife, onde a GVT detinha 14,74% de participação em outubro, a NET entrou com o serviço de cabo – antes atuava apenas com o MMDS – e contabiliza 11,3 mil acessos (6,4%), ante 26,1 mil da empresa do grupo francês. Para citar apenas algumas capitais, a NET entrou em Salvador, Natal, Fortaleza. Entre as cidades menores, o números de cidades ativadas pela empresa de cabo da NET onde a GVT já se estabeleceu, e detém alguma vantagem, é maior: Serra (ES), São José dos Pinhais (PR), São José (SC), Pinhais (PR), Palhoça (SC), Olinda (PE), Almirante Tamandaré (PR), Canoas (RS), Cariacica (ES), Colombo (PR), Contagem (MG), Joboatão dos Guararapes (PE), Lauro de Freitas (BA), Osasco (SP) e São Gonçalo (RJ).

 

No quesito ampliação dos municípios cobertos, a NET tem demonstrado maior capacidade do que a GVT. Enquanto a NET prevê ativação de rede em 170 municípios, a GVT, no início de dezembro, contava com 14 ativações. A possível parceria com a EchoStar, que poderia ser um apoio para a empresa do grupo Vivendi avançar no mercado de DTH brasileiro, foi descartada pelo grupo norte-americano. E ainda não está claro quando a Vivendi pretende investir na GVT, uma vez que se desfez de parte dos negócios de telecom e separou a operadora francesa do restante do grupo de mídia.
 

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