Guarda de dados no país não aumenta segurança, afirmam executivos.


A obrigatoriedade do armazenamento de dados de usuários brasileiros no país não terá eficácia para evitar que essas informações possam ser protegidas de eventuais requisições dos EUA. A avaliação é unânime entre os representantes da Google, Facebook e Microsoft, que foram ouvidos nesta quinta-feira (15), na Comissão de Relações Exteriores do Senado, a respeito da participação das companhias no programa de espionagem eletrônica dos Estados Unidos.

De acordo com os executivos, que se manifestaram contra a proposta do Ministério das Comunicações de incluir a obrigação no texto da proposta do Marco Civil da Internet, o que vale é a legislação do país de origem, no caso, os Estados Unidos. “Exigir que as empresas instalem datacenters no Brasil resultará em altos custos e ineficiências e, consequentemente, na degradação do serviço”, afirma Bruno Magrani, representante do Facebook.

Segundo o executivo da Microsoft, Alexandre Esper, a companhia já possui um datacenter no país e está estudando a possibilidade de instalar outros no futuro, mas ressalta que a segurança das informações depende mais de ferramentas e tecnologias do que do local onde estão armazenadas. “Essa exigência pode levar o Brasil ao isolamento”, afirma.

Para o representante da Google Brasil, Marcel Leonardi, o que menos preocupa é a localização dos dados, mas sim quem controla as informações. Ele sugere, que ao invés de exigir a instalação de datacenters, o Brasil crie legislação mais eficaz que obrigue as empresas a passar os dados, quando requisitadas judicialmente.

Todos os executivos se manifestaram a favor da aprovação do Marco Civil da Internet como está, sem qualquer alteração. “É a legislação da internet mais desenvolvida do mundo”, afirmou Esper.

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