Governo estuda subsidio de TVs digitais, mas indústria aponta falta de capacidade produtiva


O Ministério das Comunicações acredita que o mesmo modelo usado para financiamento de móveis pela Caixa Econômica Federal pode ser usado para ampliar a base de receptores de sinal digital de TV no Brasil, uma vez que está previsto para janeiro de 2015 o início do desligamento do sinal analógico em boa parte do território nacional. Mas, a indústria alerta que o país não teria capacidade para atender a demanda para que todos os cidadãos tivessem receptores digitais dentro desse prazo.

De acordo com o diretor de planejamento e uso de espectro da Associção Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), Paulo Ricardo Balduíno, para completar a digitalização de receptores, o país precisaria trocar 107 milhões de televisores, considerando uma base de 60,38 milhões de domicílios.

Mas, a estimativa é que existam no mercado hoje apenas 16 milhões de aparelhos digitais, sendo que a produção nacional é de 15 milhões de aparelhos/ano. “Considerando esses dados, chegaríamos a 2015 com apenas 76 milhões de televisores digitais”, afirmou Balduíno, que participou nesta terça-feira (20) do Congresso da SET, em São Paulo.

 

Ele lembrou que mesmo nos Estados Unidos a falta de aparelho foi um entrave para o switch off, o que acabou atrasando o cronograma. “A recepção do sinal é algo que nos preocupa porque não é  simples ou rápido de ser garantida. Requer planejamento e hoje não temos visibilidade de como será feito e em qual prazo. Como Abert, queremos fazer parte desse processo, para que não haja prejuízo para cidadãos e radiodifusores”. 

O representante do Ministério das Comunicações, João Paulo Andrade, coordenador geral de engenharia de outorgas, afirmou que o governo trabalha com algumas alternativas para garantir a recepção do sinal digital de TV aberta pelo cidadão. Uma delas é a distribuição de vales set-top-box para a população carente, que poderiam ser usados  para abatimento de preço no caso de opção de compra de TV.

 

Outra opção seria seguir o modelo de empréstimo a juros baixos e longo prazo, como o que vem sendo utilizado pela Caixa para o financiamento de móveis para a população de baixa renda. O modelo já supõe a compra de eletrodomésticos, seria o caso, apenas, de incluir televisores ou conversores entre as possibilidades de compra. 

 

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