Governo do Ceará vai subsidiar transporte de dados para provedores do estado


A Etice (Empresa de TIC do governo do Ceará) está preparando novos editais para ceder capacidade de sua rede, o Cinturão Digital, para os provedores regionais que se dispuserem a levar fibra, e a tecnologia Gpon, para as cidades do interior do estado. “O governo vai contemplar os provedores com o transporte, a preço subsidiado”, anunciou o presidente da Etice, Fernando Carvalho, em apresentação realizada hoje no Encontro Provedores Regionais, realizado pela Bit Social em Fortaleza e dirigido para provedores locais das regiões Norte e Nordeste.

O Cinturão Digital é uma rede com 2.500 quilômetros de fibras ópticas, construída pelo governo do Ceará e inaugurada em 2011. Cobre as 47 maiores cidades do Estado, com transmissão a 10 Gbps. Seu objetivo inicial era obter a redução do custeio dos serviços de telecomunicações para o Estado – de acordo com Carvalho a cada ano o governo tem reduzido a conta em R$ 12 milhões – e, agora, passa a ter também a meta de compartilhar a infraestrutura. “Não vamos fazer a distribuição (do sinal) na casa das pessoas, esse papel é do provedor local, mas é importante que os provedores se organizem para isso”, afirmou. “O que podemos fazer é levar o transporte de qualidade para o interior e vocês (provedores) que têm o conhecimento local devem se organizar para oferecer os serviços.”

Marcelo Corradini, sócio-diretor da empresa Kyatera e diretor da Abrint, reforçou a tese de Carvalho, afirmando que o provedor local tem o “sotaque regional” e cabe a ele o contato com o cliente final. Mas, para isso, reivindicou, é necessário que as condições regulatórias e de mercado favoreçam os pequenos. “Hoje, o aluguel de um poste custa menos de 1 dólar para o grande operador e para nós custa seis dólares”, afirmou. Corradini também disse que no atual modelo os leilões para faixas de frequência acabam sendo “voltados” para as grandes empresas e que é preciso lutar por uma frequência para o SCM.

Sustentabilidade
Para a manutenção do Cinturão Digital, a Etice colocou edital para a concessão de parte da infraestrutura existente – cinco pares de fibra apagada –, mas as grandes operadoras, embora tenham mostrado interesse no edital, não apresentaram proposta no dia do leilão. A proposta, na época, era que em troca fizessem a manutenção dos cabos. “Como essa tentativa fracassou, estamos fazendo a cobrança do consumo dos órgãos estaduais ou municipais para compensar o custeio”, relatou. De acordo com Carvalho, o novo edital para a concessão dessa capacidade sairá ainda este ano: “Vamos continuar insistindo”, disse.

Além da concessão da capacidade ociosa para exploração pelas grandes operadoras, a Etice pretende, no segundo semestre, iniciar a parceria com os provedores de acesso à internet e de serviços de telecomunicações e lançar um segundo chamamento às prefeituras, para que se liguem à sua rede que cobre 47 municípios do estado. No primeiro edital, das poucas mais de 20 prefeituras que se apresentaram, apenas sete firmaram contrato para usar a rede da Etice. (Da redação)
 

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