Google Cloud já tem oferta pronta de serviços adequados à lei de proteção de dados


O Google Cloud, braço de serviços de nuvem corporativa do Google, já está pronto para vender produtos em conformidade com a futura lei de Proteção de Dados Pessoais brasileira – prevista para ser sancionada nos próximos dias.

Conforme João Bolonha, diretor do Google Cloud LatAm, a companhia já se preparou em função da GDPR, a legislação europeia de proteção de dados. Ele disse ao Tele.Síntese, durante evento realizado pela companhia em São Francisco (EUA)*, que as regras são semelhantes, e os ajustes necessários são de rápida execução.

“Sim, estamos prontos para colocar os serviços adequados no mercado assim que o texto for sancionado”, frisou. O Google participa do grupo de dezenas de empresas e entidades (que reúne Abes, Brasscom e Coalizão Direitos na Rede) para pressionar Congresso e Governo pela aprovação do texto sem vetos.

Crescimento local

O executivo falou que espera crescer no Brasil e na América Latina nos próximos anos. A seu ver, o potencial de crescimento dos serviços em nuvem é gigantesco. “Mundialmente, apenas 12% do mercado migrou ou usa a nuvem. Há muito espaço para expansão”, afirma.

A empresa vem se preparando há pouco mais de um ano para acelerar o crescimento na região. No período, fez a lição de casa e adequou os elementos tributários e financeiros das ofertas. O Brasil foi o primeiro país em que a companhia lançou produtos precificados na moeda local. A previsão é que ainda neste ano o mesmo seja feito em outros mercados latinoamericanos.

Isso feito, será hora de tornar a competição mais agressiva. Para isso, os executivos da Google Cloud criaram um plano de ação baseado em três pilares: acessibilidade, simplicidade e segurança.

O primeiro conceito consiste em vender soluções a preços baixos, adequados tanto a pequenas empresas quanto a gigantes. O segundo, diz respeito à facilidade de uso – novamente, facilitando a adoção da nuvem por empresas que quaisquer portes. Por fim, o terceiro item prevê reforço da mensagem de que os serviços do Google são quase impenetráveis e seguros contra ataques ou vazamentos.

I.A. como diferencial

Bolonha espera que a série de lançamentos dessa semana – a maior parte relacionada ao uso de inteligência artificial – seja encarada como um grande diferencial e suficiente para justificar a escolha da companhia em detrimento de rivais com Amazon (AWS) e Microsoft (Azure).

“As empresas que hoje estão na nuvem são empresas que não existiriam sem a nuvem. O mercado na América Latina vai mudar muito nos próximos anos, com a migração de empresas tradicionais”, ressalta.

Para facilitar, o Google vai ter um modelo de venda consultiva por projeto. O executivo lembra que a migração não acontece de forma rápida. As companhias precisarão realizar a mudança por etapas, o que pode levar de meses a alguns anos.

“Nossa abordagem será por projetos e todos terão metas de entregas fracionadas em intervalos curtos. Pretendemos ainda trabalhar com parceiros para acelerar a implementação”, falou. Ao mesmo tempo, a nova legislação de proteção de dados pode ser um catalisador, incentivando empresa ainda com uma base legada grande a migrar para a nuvem já ajustada às novas regras.

*O jornalista viajou a convite do Google

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