Goldentree vendeu fatia na Oi de olho em revisão do plano de RJ, avalia Bradesco BBI


Na semana passada, o Goldentree anunciou a venda de um terço das ações que tinha na Oi. O fundo era o maior acionista individual da operadora. Com a venda, passou a ser o segundo, ao lado do fundo York Global. O comunicado, enviado à CVM, não detalha as datas em que as transações se deram, nem o motivo. E levou analistas a se debruçarem sobre as possibilidades estratégicas.

Para Frederico Mendes, do Bradesco BBI, o acionista reduziu sua participação a fim de votar em uma próxima assembleia de credores. O Goldentree passou a ter 9,8% das ações ordinárias. Pelas regras acordadas com os credores, sócios com menos de 10% das ações podem participar da revisão da recuperação judicial. Quem tiver mais que isso de ações, fica de fora.

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Uma assembléia de credores pode ser convocada para que a Oi proponha a venda da unidade móvel. O ativo não aparece listado no plano de recuperação judicial homologado pela Justiça em 2018. Portanto, sua inclusão teria de ser aprovada pelos bondholders.

“Como o plano terá de ser revisto, uma assembleia com os credores provavelmente será convocada para breve, o que teria motivado a venda pelo Goldentree”, explica Mendes em relatório divulgado hoje, 3. Para ele, uma oferta pela unidade móvel virá ainda neste semestre.

Novo board

Em sua análise, este movimento do acionista ajuda a entender a variação no preço das ações da Oi na última semana. Os papeis apresentaram desvalorização de cerca de 10% no dia do anúncio da venda da Unitel. Anúncio este que era esperado ansiosamente no mercado por acrescentar quase R$ 4 bilhões ao caixa da tele. A venda do acionista também explicaria o grande volume negociado, de R$ 600 milhões, ou 17% das ações da Oi no Brasil, naquele dia.

Para Mendes, diante disso, há chance de recuperação do valor das ações nos próximos dias. O relatório do analista do Bradesco BBI aponta ainda que a operadora deverá tomar medidas para acelerar seu turnaround. Entre as quais, alterar seu conselho de administração, trazendo pessoas com experiência em recuperação de empresas, conhecimento tecnológico e foco em “construção cultural”.

O board atualmente escolhido tem mandato de dois anos, que termina em setembro deste ano para a maioria dos integrantes.

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