Globo já cobra espectro para 4K


A Rede Globo quer mais atenção do governo ao futuro da TV aberta, para além da migração dos canais analógicos para o padrão digital. Segundo o Raymundo Barros, diretor de tecnologia do grupo, “não estamos falando do futuro da TV aberta, e já estamos atrasados. O governo da Coreia do Sul já reservou espectro para iniciar transmissões em UHD. Este tema tem que fazer parte da pauta da Anatel e Minicom”, frisou, em palestra sobre o desligamento da TV analógica no país.

O executivo destacou que a Globo já renovou todo o parque de câmeras e tem capacidade de gravar toda sua programação em 4K. Ele prevê que, em 2018, a empresa terá capacidade para entregar a maior parte da programação na ultra-definição. “Vamos correr com o switch-off e iniciar imediatamente esta discussão”, repisou. 

Ele considerou positiva a notícia de que o Minicom vai acelerar a outorga de RTVs, inicitiva essencial para viabilizar o switch-off. Barros mostrou como a rede, que hoje tem 350 RTVs e 105 geradoras transmitindo em TVD, será composta por 122 geradoras e 1190 RTVs para cobrir uma população de 172 milhões de pessoas em 2018. “A portaria é fundamental para atingir a meta de cobertura de 93% da população. Não haverá cobertura sem que as RTVs entrem em operação”, frisou.

 

A Anatel reconhece a necessidade de debater a próxima geração de TV em ultra-alta-definição. Mas descarta qualquer iniciativa para regulamentar a questão antes do fim do desligamento dos canais analógicos, em 2018. “Hoje o foco total é fazer o processo de transição. A gente precisa antes terminar esse processo para depois pensar no UHD”, diz o conselheiro Rodrigo Zerbone.

Set-top box
Segundo Zerbone, o Gired e a EAD já escolheram o modelo de set-top box que erá distribuído em Rio Verde, em Goiás, primeira cidade a desligar completamente os canais analógicos. Ali, o conversor será idêntico ao definido no primeiro semestre. Mas, em razão dos prazos, aceitará menos modelos de modems móveis para realizar as funções de interatividade.

“Trabalhamos com duas hipóteses: uma, com o conversor aceitando três modelos de modems, em vez dos cinco determinados na especificação. Ou aceitando um modelo. Neste caso, as operadoras deverão garantir a oferta deste único modelo no mercado local, a preços de mercado. E, após o lançamento do set-top box definitivo, garantir a atualização ou troca do equipamento”, explica. A cidade seguinte no cronograma, Brasília, receberá já o equipamento definitivo. A distribuição dos set-top boxes deve começar no final de setembro em Rio Verde.

Outra dificuldade, apontada por Marcio Herman, executivo da Samsung responsável por relações governamentais, pode ser a adequação do Ginga C, uma vez que a nova versão do Ginga C ainda está sendo desenvolvida. Segundo ele, a expectativa na indústria é que o preço médio do set-top box para a EAD, a entidade que fará a compra e distribuição dos aparelhos para beneficiários do Bolsa Família, deve ficar, em média, em R$ 130. “No varejo o valor deve mudar bastante”, ressalta.

Ela tranquilizou o setor ao dizer que a indústria está preparada para atender a demanda por STBs e TVs com conversores. “Em 2014 o mercado consumiu 10 milhões de conversores, entre analógicos, digitais, por satélite ou cabo. A indústria brasileira produziu 14,8 milhões de unidades. Este ano estamos com retração, queda de 40%”, destacou.

Por isso, cobrou do governo uma política não apenas de distribuição, mas de incentivos à aquisição de conversores e de aparelhos de TV de entrada. “O consumidor mundial muda de TV em média a cada cinco ou seis anos. O brasileiro não troca de TV, acumula. Ao comprar uma nova TV, põe a TV da sala no quarto do filho, se o filho tiver, põe no escritório etc. Tem uma parcela da população, que não é do Bolsa Família e para a qual devemos olhar. Também há um mercado importante de pessoas que fará a troca do segundo ou terceiro aparelho”, observou.

 

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