Ginga, o middleware brasileiro, quer ser incluído no anúncio da TV digital


O Brasil escolherá o padrão japonês de modulação para sua TV digital. Mesmo assim terá oportunidade única de ter um modelo próprio de televisão, com vistas ao desenvolvimento do país. Para tanto, basta que as autoridades não abram mão do middleware nacional, fruto da pesquisa de dois consórcios do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). …

O Brasil escolherá o padrão japonês de modulação para sua TV digital. Mesmo assim terá oportunidade única de ter um modelo próprio de televisão, com vistas ao desenvolvimento do país. Para tanto, basta que as autoridades não abram mão do middleware nacional, fruto da pesquisa de dois consórcios do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD).

A opinião é de Guido Lemos, professor de Sistemas Multimídia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).  O consórcio liderado por ele (em conjunto com outro, da PUC-RJ) desenvolveu o Ginga, middleware nacional, que recebeu elogios públicos do ministro das Comunicações Hélio Costa, um entusiasta do padrão japonês, que tem seu middleware próprio e também disputa com a versão nacional (além da européia) a prerrogativa de ser o escolhido pelo governo brasileiro.

Comandos

De acordo com Lemos é o middleware, e não o padrão de modulação, que definirá a cara da nova tecnologia no país. A TV digital é convergente, um equipamento com processador e memória. O middleware é uma camada de software que define os comandos e vocabulários dos aplicativos de interatividade, fazendo a interligação das propriedades de computador e televisão.

“É ele que define o que a sua TV quer fazer”, explica o professor da UFPB. Segundo Lemos, o middleware nacional é mais sofisticado que o japonês e o europeu, pois atende a expectativas que não são levadas em conta nos países mais desenvolvidos, como educação à distância e inclusão digital. “O Japão tem uma realidade bem diferente. As pessoas encontram computadores no lixo”, diz Lemos. Nesses países, o privilégio da interatividade se concentra nos aplicativos relacionados aos próprios programas, como uma votação de Big Brother, por exemplo.

TV ou PC?
Seria justamente este, na opinião dele, um grande passo para um país no qual, enquanto mais de 95% das pessoas têm TV, nem 2% possuem PCs. O grande atrativo do middleware é a interatividade que ele oferece. No caso do Ginga, o espectador poderá ter informações adicionais depois um programa jornalístico, por exemplo. Textos educacionais em separado. A pessoa poderá guardá-los numa pasta (como num PC) e usá-los mais tarde.

Além disso, terá aplicativos semelhantes ao e-mail (favorável a iniciativas de governo com amplo potencial de disseminação de informações) e um browser para navegação nos arquivos guardados. As pessoas continuariam a comprar TVs para verem novelas, mas, simultaneamente, seriam alfabetizadas digitalmente, na opinião de Lemos.

Decisão já
Para que tudo isso venha a se tornar realidade, cientistas que trabalharam no projeto esperam que a pesquisa brasileira seja incluída já no anúncio do padrão. “Do contrário, será mais um ano de lobby”, alerta Lemos. De acordo com o professor da UFPB, não é só na interatividade que o middleware brasileiro é competitivo. “Respeitamos padrões de comandos estabelecidos pelo ITU, a fim de que os radiodifusores possam importar e exportar conteúdo”, destaca.

Agora, resta a escolha e a transferência de tecnologia para a indústria. Lemos aposta no Ginga como um produto de custo e tempo de implementação competitivos (cerca de um ano para estar no mercado). Além disso, várias soluções complementares também foram desenvolvidas e estão em processo de patenteamento no Instituto Nacional de Propriedade Industrial. “De qualquer forma, já temos um grande resultado, a formação de mais de 100 pessoas durante a pesquisa que multiplicarão esse conhecimento na indústria e na academia”, conclui Lemos. 

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