Furukawa inicia em setembro produção de cabos OPGW na fábrica de Curitiba


No meio do ano a fábrica da Furukawa instalada em Curitiba recebe as máquinas para a produção de cabos OPGW (Optical Ground Wire), a partir de setembro, com entregas para os países do Mercosul já em outubro deste ano. Especializada em fibras e cabos ópticos de alto desempenho, a Furukawa quer fortalecer seu portfólio com a fabricação local de cabos OPGW e ampliar, no Brasil, a atuação em um novo segmento de mercado, o de linhas de transmissão. “Boa parte dos investimentos neste ano, num total de US$ 20 milhões, está sendo feita na fábrica de Curitiba que, além de iniciar a produção de cabos OPGW, aumentará em 80% a capacidade de produção de fibras”, informou hoje o presidente da Furukawa, Foad Shaihkzadeh, em coletiva de imprensa durante a conferência anual que a empresa realiza em Foz do Iguaçu, Paraná.

Com a ampliação, a fábrica de Curitiba terá capacidade para produzir 1,8 milhão de quilômetros de fibras, contra 900 mil quilômetros produzidos em 2011. Já a fábrica da Argentina amplia sua capacidade de 180 mil para 250 mil quilômetros de fibras e a unidade de Salto (antiga MetroCable, adquirida no ano passado pela Furukawa), no interior de São Paulo, aumenta sua produção de 200 mil para 250 mil quilômetros de fibras. No Brasil, a Furukawa tem ainda uma unidade em Sorocaba, SP, a SBF (Sociedade Produtora de Fibras), joint venture com a Prysmian. Os investimentos não contemplam essa unidade, mas os acionistas podem aportar recursos ainda este ano para aumentar a produção, dependendo da demanda do mercado. O presidente da Furukawa está animado com os incentivos do governo à produção nacional e lembrou que a fábrica de Sorocaba tem PPB (Processo Produtivo Básico) desde os anos 90.

O presidente da Furukawa aguarda a regulamentação da lei que desonera a compra de equipamentos nacionais pelas operadoras, prevista para sair em junho, com algumas dúvidas. “Sabemos que serão contempladas algumas redes, certamente entre elas as ópticas e a 4G, mas só o regulamento vai dizer quais. E uma pergunta que faço: os data centers serão incluídos”, indagou Foad, lembrando que, afinal, os centros de dados são o “coração da rede, porque neles estão as informações,” e defendendo que equipamentos para data center também sejam desonerados.

Entusiasmado também com as medidas de incentivo à indústria que integram a segunda etapa do Plano Brasil Maior, anunciadas na semana passada, Foad lembrou que um dos beneficiados é o setor energético. “Com a vinda das redes inteligentes, o OPGW é a interface entre o mundo de telecom e o de energia”, comentou. A empresa está avaliando o plano de negócios e estudando trazer para o Brasil outros produtos, como sensores, para redes inteligentes Smart Grids.  

No mercado de OPGW a única empresa que produz os cabos óticos hoje no Brasil é a Prysmian. “Somos parceiros na fibra, que se tornou uma commodity em todo o mundo, e vamos competir no cabo centímetro a centímetro. Isso é normal no mercado”, disse Foad. A fábrica de Curitiba terá capacidade para produzir 5 mil quilômetros de cabos OPGW por ano para atender os países do Mercosul.

Crescimento FTTH

Os acessos Fiber-to-The-Home (FTTH) e Fiber-to-The-Building (FTTB) devem atingir 600 milhões de conexões em 2025 – em 2011 esses acessos somavam 81 milhões –, segundo as estimativas de Timothy Murray, CEO e presidente da OFS, subsidiária do Grupo Furukawa responsável pela atuação na América do Norte e Europa.

Em apresentação realizada hoje na convenção anual da Furukawa, Murray informou que mais de 30% das casas conectadas por fibra estão no Japão e na Coreia. Nas demais regiões a penetração é de menos de 10%. No final de 2011, o Sudeste Asiático respondia por cerca de 54,3 milhões de acessos FTTH/FTTB; enquanto a América do Norte tinha cerca de 9,7 milhões; a Europa Ocidental, 5,7 milhões; Europa Oriental, 4,5 milhões; Oriente Médio, 0,5 milhão; e Oceania, 0,3 milhão. A América Latina encerrou 2011 com apenas 200 mil acessos em fibra, perdendo apenas para África, com cerca de 20 mil acessos em fibra chegando nas casas e edifícios.

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