Furukawa aposta em broadcasting e nos acessórios


Acompanhando a tendência mundial, o mercado de cabos e fibras ópticas continua aquecido no Brasil e deve repetir, este ano, o crescimento de 2010, entre 30% e 40%, puxado pela banda larga. Com a oferta de novos serviços, como o IPTV, o setor deve continuar crescendo, porém, em percentuais menores nos próximos anos. Um dos …

Acompanhando a tendência mundial, o mercado de cabos e fibras ópticas continua aquecido no Brasil e deve repetir, este ano, o crescimento de 2010, entre 30% e 40%, puxado pela banda larga. Com a oferta de novos serviços, como o IPTV, o setor deve continuar crescendo, porém, em percentuais menores nos próximos anos. Um dos players desse mercado, a Furukawa do Brasil, que lidera em cabeamento estruturado, com 50%, e em cabo óptico, com 31%, deve fechar 2011 com faturamento bruto de R$ 500 milhões. Para manter o ritmo, e a liderança, a fabricante está trazendo para o país uma série de produtos ligados a broadcasting, e aposta no crescimento de acessórios, como conectores, acessórios de instalação, sistemas inteligentes de identificação de rede, caixas de interface óptico-elétricas e componentes para o FTTx. Nesta entrevista, o presidente da Furukawa, Foad Shaikhzadeh, fala das perspectivas da empresa com a oferta de IPTV pelas teles, das cidades inteligentes que começam a surgir no país e das tendências de mercado.

Tele.Síntese – Como está o mercado de fibras e cabos ópticos, já normalizou ou está faltando fibra para atender a demanda?
Foad Shaikhzadeh – Está bem ativo. Continua aquecido porque a demanda por banda larga cresceu muito e continua crescendo no Extremo Oriente, com exceção do Japão e Coreia que estão bem estabelecidos, a demanda nos demais países continua forte; nos Estados Unidos continua crescendo, assim como na Europa e também no Brasil. Aqui, a demanda este ano representa 30% a 40% superior a do ano passado que, por sua vez, foi também 30% a 40% superior a de 2009. Ou seja, em dois anos o mercado duplicou e esperamos que se mantenha nesse nível, com um crescimento médio de 10% ao ano daqui para a frente.

Tele.Síntese Traduzindo esse crescimento em volumes, o mercado deve encerrar 2011 com que quantidade de fibra comercializada?
Foad Na casa de 4 milhões de quilômetros de fibra; no ano passado fechamos com 3 milhões de quilômetros; e nos anos anteriores na casa de 2 milhões e pouco de quilômetros.

Tele.Síntese E a indústria está preparada para atender a essa demanda?
Foad – Tínhamos uma capacidade grande instalada há alguns anos, quando teve o estouro da bolha da internet, o que ocorre agora é que a indústria está usando toda a sua capacidade e está e em pleno investimento para poder manter esse atendimento e a capacidade futura. O problema que ocorreu nos primeiros meses foi que, de repente, a curva de crescimento foi muito rápida e a indústria foi afetada tanto por falta de planejamento das operadoras, porque tudo concentrou na mesma época, e também por matéria prima, porque os vários insumos tiveram que ser planejados na indústria como um todo, mas agora já estamos numa situação de equilíbrio.

Tele.Síntese – Esse cenário mundial também é válido para o Brasil?
Foad – No Brasil a situação está mais equilibrada. Nos Estados Unidos, com o estímulo à banda larga, imposto pelo governo Obama, principalmente na zona rural, existe uma concentração muito grande e várias empresas americanas estão com suas plantas ocupadas por um período de seis meses; novos pedidos só entram com prazo de quatro a seis meses. Outro fator que gerou, mundialmente, queda no volume de fibra, foi o terremoto no Japão, o que gerou um desabastecimento de alguns players importantes. Praticamente um terço da capacidade japonesa ficou indisponível por quatro a cinco meses mas isto já está regularizado desde agosto, setembro.

Tele.Síntese – Essa escassez elevou os preços? A indústria fechará o ano com margens melhores?
Foad – Sim, teve uma subida porque aqueles que demandam prazos mais curtos têm se mostrado dispostos a pagarem um custo mais alto para receber o produto mais depressa. Em contrapartida o custo também é maior, porque tem hora extra, embarque de matéria prima via aérea, portanto, não quer dizer que a margem de lucro melhorou. Agora, a médio prazo a oferta e a demanda se equalizam de novo.

Tele.Síntese – No Brasil, qual o impacto que a entrada das teles no mercado de TV por assinatura, via IPTV, deve trazer para o setor?
Foad – Vai somar uma demanda, mas devemos sentir isso mais forte lá por 2013/2014. Eu acho que a Copa do Mundo vai ser um momento muito interessante de se viabilizar toda a integração desse serviço. Teremos 3G disponível em volumes muito grande, gente filmando no estádio e colocando instantaneamente no seu You Tube, que dispara para todo mundo, tudo isso alavanca uma demanda por banda cada vez maior.

Tele.Síntese – Além das operadoras, fixas e móveis, o setor público também tem investido em infovias, e tem optado por um modelo híbrido, com fibras e tecnologia sem fio. Como o senhor avalia esse novo mercado para a indústria?
Foad É um mercado que está começando agora e tende a crescer. Eles colocaram primeiro serviços voltados à coisas estatísticas e o que demanda banda mesmo é vídeo. No caso das cidades, parte dos serviços de vídeo está voltada para segurança, que é mais reativa do que proativa. Ou seja, se acontece algum acidente, roubo, se assiste ao vídeo gravado e age em cima, não é uma situação de ter a imagem de vídeo compartilhada, com softwares pesados, acho que vamos chegar nisso lá na frente. É um momento inicial de mercado, mas o setor público ainda não é um driver dessa demanda, mas há potencial para ser.

Tele.Síntese – A Furukawa continua apostando em soluções para cidades inteligentes? Que projetos já tem implementados?
Foad – Sim, totalmente. Nós consideramos que todo esse mercado que nasce num primeiro momento com redes wireless, a demanda por serviços cresce de forma exponencial e aí a única solução é fibra. Nós já temos em torno de umas 20 cidades no Brasil. O volume maior de projetos é na região do ABC paulista, que tem uma concentração de prefeituras com recursos econômicos e, ao mesmo tempo, a demanda pela concentração urbana é muito forte. Isso facilita que o projeto vá para frente. A mesma coisa acontece em Santos, no litoral paulista. Fora isso, temos projetos em Pernambuco e em outros locais.

Tele.Síntese – A Furukawa está participando de projetos de cidades inteligentes para a Copa do Mundo?
Foad – Temos vários projetos em andamento, mas neste primeiro momento nossa participação é em projetos ligados a infraestrutura urbana dentro das operadoras de telecom, depois tem projetos dentro dos estádios e nesses estamos junto com as construtoras; e uma terceira situação é relacionada a produtos. A Furukawa tem uma série de produtos ligados a broadcasting, que são novos no Brasil e estamos trazendo para colocar junto com as operadoras de televisão.

Tele.Síntese – O senhor pode detalhar um pouco mais esses produtos?
Foad – Sim, temos cabos especiais para a alimentação da câmera dentro do estádio, porque tem a imagem em vídeo e a alimentação da câmera de energia; tem sistemas de broadcasting em ISDB voltados para as áreas cegas dentro do estádio e a distribuição via tecnologia one-seg, ou seja, a segmentação da frequência permite enviar vários canais no mesmo canal que antes era analógico, o que permite criar uma mini empresa de televisão dentro do estádio. Os retransmissores para TV digital para as pequenas cidades também estão vindo agora e nós achamos que os eventos da Copa do Mundo e das Olimpíadas vão ajudar a alavancar esse negócio.

Tele.Síntese – Qual é a perspectiva da Furukawa para fechar 2011 e a expectativa para 2012?
Foad – Este ano esperamos crescimento de 15% em relação ao ano anterior,  o que deve dar um faturamento bruto próximo de R$ 500 milhões. Para 2012, esperamos um crescimento não tão grande, de 4% ou 5%, porque estamos prevendo queda para  algumas linhas de produtos, caso dos cabos telefônicos metálicos, que começaram a ter queda já neste segundo semestre, por causa da migração tecnológica. Termos sentido as operadoras cada vez mais investindo em fibra e reduzindo o investimento em cabo metálico. Outro fator que estamos considerando é o risco da retração mundial, que pode afetar o Brasil. Com todas essas turbulências na Europa, se isso afeta a China, indiretamente afeta todos os emergentes, porque são mercados da economia brasileira. Estamos, portanto, elaborando um plano para 2012 conservador, mas algum crescimento teremos em 2012 em relação a 2011, porque a área de telecom ainda é uma área de infraestrutura muito carente no Brasil.

Tele.Síntese – No primeiro semestre a Furukawa anunciou a aquisição da MetroCable, que opera no mercado brasileiro de cabos e, na ocasião, o senhor disse que avaliava a produção, na unidade da MetroCable em Salto, no interior de São Paulo, da solução Low Friction (cabo interno, compacto, para instalações residenciais e prediais com alta densidade, que facilita levar a fibra para os prédios). Há novidades?
Foad – Está andando, mas enquanto não sair a autorização da Cade, não serão feitos investimentos maiores. Todo o planejamento está feito mas aguardamos a liberação dos órgãos antitrust.

Tele.Síntese – Já há sinergia das operações?
Foad – Sim, com a entrada da MetroCable, que é especializada em cabos finos e cabos voltados para instalações internas, temos sentido uma evolução boa e isso tem melhorado tanto a produtividade interna da Furukawa na fábrica de Curitiba quanto da própria fábrica da MetroCable, que tem operado em plena carga, aproveitando esse momento atual do mercado.

Tele.SínteseQual a previsão de investimento da Furukawa no Brasil para 2012?
Foad – A previsão global de investimento é de R$ 30 milhões para o Brasil. São investimentos focados em produção de fibra e cabo óptico, na produção de acessórios e equipamentos para as redes como um todo e alguma coisa na área de TV que estamos iniciando no Brasil.

Tele.Síntese A Furukawa anunciou este mês a abertura de um novo centro de distribuição em Curitiba. Que contribuições esse centro traz para o mercado?
Foad – Esse centro vai dar mais agilidade no atendimento aos clientes, nos diversos projetos. Na medida em que a Furukawa está crescendo, não só em cabo mas fornecendo os diversos acessórios para a solução como um todo, há muitos itens a serem administrados, tanto nas redes de cabeamento estruturado metálicas, quanto ópticas e FTTx. Temos diversos produtos desenhados e produzidos pela empresa, às vezes importados e redistribuídos, produtos de terceiros, como equipamentos que fornecemos dentro de pacotes, e esse centro de distribuição vai permitir um  crescimento maior. Nós prevemos que essa área de acessórios vai crescer de 10% a 15% ao ano nos próximos anos. A Furukawa está apostante nessa área, até para cobrir as coisas que vão cair em venda. O centro dará, além de agilidade, confiança maior, pois acreditamos que além de preço e qualidade, que são obrigações em qualquer lugar, a qualidade do serviço é que vai determinar de quem o cliente vai comprar. O objetivo desse centro de distribuição é gerar excelência em serviço.

Tele.Síntese – Quais são os componentes que vocês acreditam que vão crescer 15% ao ano?
Foad – São conectores, acessórios de instalação, caixas de emenda, painéis, sistemas inteligentes de identificação de rede, caixas de interface óptico-elétricas, muitos componentes para o FTTx. São produtos de nossa linha de produção, que agora estão na curva ascendente de crescimento. A opticalização de rede cada vez mais vai demandar mais tecnologia e uma linha diferente do que é hoje. É a mesma mudança que originariamente teve ao se substituir cabo metálico por cabo óptico nas linhas de longa distância troncais, hoje, cada vez mais, de uma cidade para outra, de um país para outro, isso entra na rede interna, seja na casa do assinante ou nas grandes corporações. Isso muda muito a linha de produtos e se a gente não fornecer os acessórios e equipamentos não decola. Não basta ser um fabricante de cabo. É um segmento (o de componentes) que já tem vendas este ano. Fazendo um paralelo, eu diria que aquilo que está dentro de uma cidade digital eu posso colocar dentro de um prédio. Por exemplo, hoje estamos trabalhando em um grande projeto para um bairro em São Paulo onde o shopping center e as casas terão uma rede óptica interna. Com essa tendência, a demanda por componentes será gigante. Os acessórios são muito dedicados por modelo de instalação. Esse centro de distribuição administrava antes 8 mil itens por mês, passou para 16 mil, está em 21 mil e estamos prevendo passar de 30 mil itens mês.

Tele.Síntese – Nos demais países da América Latina o mercado de fibras e cabos está tão aquecido quanto no Brasil?
Foad – Está bem ativo. A banda larga está chegando em todo lugar. A Furukawa tem expandido sua presença cada vez mais, nosso desejo é ter a mesma liderança do Brasil, gradativamente, nos demais países da região. A Furukawa do Brasil é responsável pelas vendas e operação do grupo do México até o Cone Sul. Temos fábrica no Brasil e na Argentina; se no futuro for necessário outra fábrica na região a gente vai avaliar. A operação de Curitiba alimenta o centro de distribuição no Panamá.

Tele.Síntese – O Brasil continua respondendo pela maior parte do faturamento da Furukawa na região?
Foad – Sim, 80% do faturamento na região é do Brasil. Dos R$ 500 milhões, R$ 400 milhões são gerados aqui e o restante nos demais países.

Tele.Síntese – A Fuarukawa mantém o market share e continua liderando em cabeamento estrututurado?
Foad – Na parte de cabeamento estruturado (redes internas de dados), temos 50% de mercado; na linha de cabo telefônico metálico, temos de 22% a 23%; em cabo óptico tínhamos 27% e com a aquisição da MetroCable passamos para 31%. Nosso market share está estável nesse crescimento, porque o que aconteceu nessa parte de cabos ópticos é que as fábricas foram todas ocupadas. Para manter esse ritmo, com a demanda de mercado, é que a gente prevê os investimentos futuros.

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