Fujimoto critica a falta de investimentos das teles em redes


O gargalo para acelerar a massificação da banda larga no país é a falta de infraestrutura, sobretudo em redes intermediárias (backhaul), disse, nesta terça-feira (10), o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Nelson Fujimoto. Segundo ele, que falou na audiência pública sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, as teles não têm investido na ampliação das redes. “Construir rede é caro e as concessionárias não vão investir se não tiverem incentivos”, avalia.

Segundo Fujimoto, as teles só conseguiram chegar com o backhaul em todos os municípios com recursos públicos, fruto da troca dos PSTs (Postos de Serviços de Telecomunicações), negociada com o governo em 2008, durante a revisão do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU). Ele informou que o governo está discutindo como desonerar e incentivar investimentos em infraestrutura, mas ainda não há uma definição.

A única certeza é de que o país necessitará de R$ 7 bilhões em quatro anos para ampliação do backhaul. Fujimoto disse que R$ 4 bilhões poderão ser bancados pelo próprio governo, e os R$ 3 bilhões restantes podem vir da iniciativa privada, mas não necessariamente das empresas de telecomunicações. “Os Correios, por exemplo, têm necessidade de muita capacidade de rede, assim como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, que inclusive já estão pensando em ser operadores virtuais de telefonia móvel (MVNO). Então, nada impede que essas empresas também possam investir em infraestrutura”, disse.

O presidente do SindiTelebrasil, Eduardo Levy, disse na audiência que as operadoras privadas investem anualmente R$ 17,8 bilhões no país. Mas Fujimoto avalia que a maior parte desses recursos é canalizada para o acesso, gestão do serviço, ou seja, investimentos no serviço. E o governo não calculou os investimentos necessários nesse segmento porque entenda que não lhe cabe ofertar o serviço no varejo.

Fujimoto disse que outra frente para atacar o gargalo na infraestrutura de rede é a troca de capacidade entre operadoras e Telebrás, por meio de parcerias firmadas, sobretudo com as operadoras móveis, que também já demonstraram interesse em investir em redes. “O futuro, entretanto, será o unbundling”, disse o secretário.

O superintendente de Universalização da Anatel, José Gonçalves Neto, que também participou da audiência, descreveu o esforço da agência em aprovar os regulamentos necessários para massificar a banda larga. Ele observou que o grande desafio é a oferta desse serviço na zona rural, que agrega 15% da população do país.

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