A frustração da renegociação da dívida da Oi acende o sinal vermelho no mercado


Desde o pedido de demissão de Bayard Gontijo, que deixou a presidência da Oi em 10 de junho, mercado e governo, que ainda tinham esperanças na renegociação da dívida da Oi, passaram a temer que a saída para a crise financeira atravessada pela empresa não fosse outra que não a recuperação judicial. A divulgação hoje, 17, pela operadora de que não conseguiu fechar o acordo de renegociação da dívida com seus credores, que queriam a emissão de novos bônus num processo em que passariam a controlar 95% da empresa, matou as poucas esperanças que restavam.

A avaliação, no governo e no mercado, é de que existe uma chance altíssima de a concessionária, presente em todo o país à exceção do estado de São Paulo, ir à recuperação judicial. O processo, avaliam fontes ouvidas pelo Tele.Síntese, daria um prazo maior para a Oi negociar com seus credores, os bancos, a repactuação da dívida (no último trimestre a dívida bruta somava pouco mais de R$ 49 bilhões). Isso porque o juiz tem dois meses para aceitar o pedido de recuperação judicial e, a partir daí, a empresa tem seis meses para repactuar suas dividas, o que poderia fazer num contexto mais próximo do que propôs aos credores: redução de 50% da dívida com a conversão em 50% de equity. Aos bancos, a intenção era alongar o pagamento das dívidas e cancelar amortizações de juros por, pelo menos, quatro anos. Ao todo, essas medidas afetariam R$ 16,86 bilhões, dos quais, R$ 4,4 bilhões seriam de dívidas com Banco do Brasil, R$ 1,85 bi com Caixa e R$ 3,26 bilhões com BNDES.

A avaliação de alguns consultores é de que, nesse contexto, ela teria condições de tocar a operação, já que conta com um caixa de R$ 8 bilhões – e o mínimo necessário para manter seus serviços em operação é de R$ 6 bilhões. Mas, todos lembram que a recuperação judicial, embora não seja o fim do mundo, tem um forte impacto na imagem da empresa que lança mão do recurso.

Pelo fato de o tema ser extremamente sensível – e de haver ainda uma remotíssima chance de uma renegociação –, a Anatel não se pronuncia sobre o tema. Procurado, o presidente da agência, João Rezende, disse que não falaria. Mas é do conhecimento público que a Anatel vem monitorando os problemas financeiros da Oi por meio de uma consultoria externa.

Se vier a ocorrer a recuperação judicial, a agência vai agir de acordo com a LGT. E a intervenção é medida extrema, que não está sendo pensada pois os indicadores da Oi, à exceção de seu problema financeiro, não fogem à média das demais empresas.

Agora é esperar os próximos fatos.

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