Fornecedores jogam com todas as armas na disputa pelas redes de 4G


Tele.Síntese Análise 355 A licitação das redes de 4G tem importância estratégica para a sobrevivência, ou a entrada, dos fornecedores no mercado das redes de telefonia móvel celular. Quem ficar fora da disputa, ou com um quinhão menor, vai ter seu desempenho comprometido para o futuro. Por isso, lançam mão de todas as suas armas: …

Tele.Síntese Análise 355

A licitação das redes de 4G tem importância estratégica para a sobrevivência, ou a entrada, dos fornecedores no mercado das redes de telefonia móvel celular. Quem ficar fora da disputa, ou com um quinhão menor, vai ter seu desempenho comprometido para o futuro. Por isso, lançam mão de todas as suas armas: competência tecnológica, capacidade de financiamento, benefícios adicionais.

Os mais agressivos e, portanto, os mais visados pela concorrência, são os que estão fora do mercado das redes 3G: Alcatel-Lucent e Samsung. Concorrentes as acusam de jogar com benefícios além do razoável. Segundo eles, Alcatel-Lucent estaria embutindo na proposta comercial a entrega gratuita, no futuro, de suas femtocells, pequenas estações radiobase para cobertura de áreas externas restritas, como quarteirões, e de áreas internas.

Em relação à estreante Samsung, que nunca esteve no mercado brasileiro de redes móveis, embora tenha forte presença no mercado de terminais, dizem que embutiu na proposta a entrega gratuita de aparelhos.

O próximo mês será tenso. Até o final de setembro, todas as operadoras prometem definir seus fornecedores: um mínimo de dois e um máximo de quatro, na avaliação do mercado. A primeira a anunciar um dos fornecedores foi a Claro, que escolheu a Ericsson, seu atual fornecedor de redes 3G para São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, “a fatia do leão do mercado”, segundo o ganhador. O segundo fornecedor ainda não foi anunciado, mas a avaliação é de que a Huawei, atual fornecedora de redes 3G, deverá ser mantida.

Seleção de fornecedores
Por ter sido a primeira a fazer a qualificação técnica e a negociação comercial para toda a América Latina, a América Móvil, grupo aoqual pertence a Claro, saiu na frente. A segunda mais adiantada na seleção de fornecedores é a Telefônica, que também realiza o trabalho regional. Em seguida, de acordo com os fornecedores, vem a Oi. A mais atrasada nesse processo, dizem, é a TIM. “Estamos concluindo a fase de avaliação técnica da adequação das especificações das funcionalidades dos equipamentos em laboratórios de teste”, conta Janilson Bezerra, gerente de inovação tecnológica da operadora.

Segundo ele, a empresa vai definir o caminho agora: se adota o conceito de estações radiobase multi-standards (evolução da plataforma 3G) ou se comprará equipamentos novos LTE. Dessa opção depende a entrada, ou não, de Alcatel-Lucent e Samsung na short list de fornecedores.

Se ela optar pela primeira alternativa, as entrantes estarão fora. Ficam no páreo suas atuais fornecedoras de redes 3G: Ericsson, Huawei e Nokia-Siemens.

Os azarões
Alcatel-Lucent e Samsung sabem que não tem chances de obter um grande contrato, mas trabalham para conquistar um quinhão do que está em disputa. Com um importante footprint no mercado mundial de redes LTE, a Alcatel-Lucent é a principal fornecedora da norte-americana Verizon e conta com quase 30 mil macrocélulas (estações radiobase para grandes áreas) instaladas nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia (menor participação), disputando com a Ericsson a liderança em LTE.

A Alcatel-Lucent diz que está na briga, mas rechaça as insinuações de seus competidores. “Por enquanto, ninguém cotou femtocells porque os projetos são para a primeira fase de cobertura nas grandes cidades, com as chamadas macrocélulas”, diz fonte da empresa. Mas lembra que cada empresa disputa com as armas que tem – no caso da Alcatel-Lucent, segundo ele, são o footprint e o diferencial na capacidade de entrega e de implementação, em função das funcionalidades para otimização da rede e da cobertura.

Também a Samsung diz que está jogando dentro das regras. Seus executivos têm expectativa de conseguir o contrato pelo menos em uma região, mesmo que limitada, em uma operadora. Fora das redes brasileiras de 3G, por ter optado pela tecnologia CDMA – o Brasil acabou seguindo o caminho europeu do GSM, o que se revelou uma apostada acertada em função dos benefícios da escala –, a fornecedora coreana quer agora fazer parte do jogo. Embora tenha uma parcela menor do mercado mundial de LTE, 15% do mercado mundial, com presença forte na Ásia e alguma coisa nos Estados Unidos, a Samsung considera que tem credenciais para seduzir os clientes.

Tem preços competitivos, pois é verticalizada, produzindo desde semicondutores até aparelhos terminais, passando por sistemas e serviços. Além disso, desde 1998 não tem endividamento; é uma empresa com grande liquidez. “Nossos preços são frutos da nossa competitividade”, resume um executivo.

Outro diferencial, diz ele, é a capacidade instalada no país – são duas fábricas, em Manaus e Campinas, onde produz, entre outros, TVs, tablets e smartphones. “A empresa é conhecida por cumprir prazos de entrega”, assegura ele.

À capacidade produtiva local soma-se a de P&D. No passado, a empresa investiu US$ 100 milhões localmente para um faturamento de US$ 6 bilhões, e conta com mais de 30 patentes registradas em função dos investimentos em P&D como contrapartida aos incentivos da Lei de Informática.

Se a crise econômica mundial fez a indústria, de forma geral, colocar o pé no freio, e apresentar um desempenho muito fraco, a Samsung no Brasil figura entre as exceções.

Nos primeiros seis meses deste ano, seu nível de emprego cresceu 25% e registrou um volume superior de encomendas em relação ao ano passado. Por isso, espera crescer em 2012 na casa dos dois dígitos. Globalmente, no primeiro trimestre deste ano, ultrapassou a Nokia, que liderava o mercado de terminais desde 1998.

Seus executivos não negam que entraram na disputa das redes de 4G com preços muito agressivos, “porque temos competitividade”. Asseguram que, por enquanto, não apresentaram nenhuma proposta que envolva terminais gratuitos. Em uma concorrência no exterior, embutiram no pacote de sistemas um volume de terminais. Mas não descartam essa possibilidade: “Tudo vai depender da negociação. Qualquer proposta é lícita desde que não envolva dumping, ou seja, equipamentos abaixo do valor de custo”, diz a fonte.

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