FMI afirma que políticas dos EUA colocaram indústria de tecnologia em risco


O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou hoje, 20, um relatório sobre as perspectivas econômicas mundiais. Nele, afirma que há mais motivos para preocupação do que otimismo quanto aos rumos da economia global, cujo crescimento foi revisto para baixo.

Um dos riscos apontados como mais proeminentes é o protecionismo promovido pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Conforme a análise do fundo, o aumento recente de tarifas de importação com seus parceiros de comércio internacional “abalou o sentimento negocial” e contribuiu para freadas “cíclicas e estruturais” em muitos países ano passado.

Tal protecionismo, cujo melhor epítome seria a guerra comercial com a China, prejudicou em especial a indústria  de tecnologia, “colocando em risco cadeias logísticas mundiais”. O fundo alerta para o uso de argumentos sobre segurança nacional e proteção monetária como justificativas para a expansão desse protecionismo. E duvida de mudança de sentido neste ano.

Para o FMI, o mundo chegou ao fundo do poço em 2019 quanto ao baixo crescimento do comércio e da indústria mundial. Mas as tensões dos norte-americanos com os parceiros comerciais, como Europa e China, podem colocar tudo a perder e resultar em crescimento menor que o visto nos anos anteriores.

“Uma solução duradoura para as tensões comerciais e tecnológicas continua a ser enganosa, embora haja notícias esporádicas a respeito de negociações em andamento”, afirma o material.

Exemplo de tais notícias esporádicas é o acordo comercial fechado entre Estados Unidos e China na semana passada. No caso, a China se comprometeu a comprar US$ 200 bilhões em produtos dos EUA nos próximos dois anos, inclusive US$ 50 bilhões em itens de agricultura que também são comprados do Brasil, como soja, porco e algodão. Em contrapartida, os EUA vão baixar de 15% para 7,5% as tarifas impostas sobre o equivalente a US$ 120 bilhões em produtos chineses que entram no país todo ano. O acordo também prevê o fim da exigência para que empresas de tecnologia americanas transfiram conhecimento a empresas chinesas para entrar no mercado local. Os chineses também se comprometem a respeitar propriedade intelectual e de marca, coibindo a pirataria.

O FMI alerta que o resultado do aumento do protecionismo poderá ser catastrófico. Pode gerar um efeito cascata sobre o mercado financeiro, que buscaria reduzir a exposição a riscos. Empresas que precisem emitir debêntures terão de aumentar juros, assim como títulos soberanos. Haveria retração dos gastos com maquinários, equipamentos e bens duráveis. Eventualmente, o aumento da procura do mercado financeiro por aportes mais seguros afetaria o setor de serviços. Em consequência, e então o mundo experimentaria uma desaceleração econômica mais forte.

Por fim, o FMI ressalta que para se evitar um voo de galinha em 2020, governos devem fortalecer a cooperação multilateral, ampliar a inclusão social, assegurar o funcionamento de redes de segurança social para proteção das pessoas mais vulneráveis e fortalecer a coesão social – estes dois últimos pontos, especialmente nos países em desenvolvimento.

Projeções

Com ou sem riscos, a expectativa do FMI é que a economia mundial cresça 3,3% neste ano, ante 2,9% em 2019. Os países emergentes deverão crescer 4,4%, ante 3,7% no ano que passou. As previsões mostram, portanto, que o FMI reduziu sua expectativa, uma vez que no relatório de 2018 projetava expansão de 3% em 2019 e de 3,4% neste ano.

O Brasil, ao lado de Índia, México, Rússia e Turquia, figura entre as economias que vão crescer menos que o estimado em 2019. Em 2018, o fundo acreditava em crescimento de 1,3% do PIB brasileiro para 2019. Agora, diz que não passará de 1,2%. Em 2020, há melhora de perspectiva para o país em 0,2 p.p., para 2,2%, em função da aprovação da reforma da previdência e retomada do setor de mineração.

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