Fixas levam a melhor no terceiro trimestre


04/11/2005 –  De julho a setembro, as operadoras fixas se saíram melhor do que as móveis. No primeiro grupo, a Embratel superou as expectativas, e a nota destoante foi a BrT, com margem baixíssima. No desempenho das empresas do STFC foi decisivo o reajuste tarifário, que compensou a redução dos ganhos com interconexão. O mesmo …

04/11/2005 –  De julho a setembro, as operadoras fixas se saíram melhor do que as móveis. No primeiro grupo, a Embratel superou as expectativas, e a nota destoante foi a BrT, com margem baixíssima. No desempenho das empresas do STFC foi decisivo o reajuste tarifário, que compensou a redução dos ganhos com interconexão. O mesmo não se pode dizer do crescimento do tráfego móvel-móvel, que afetou o tráfego local das operadoras fixas. Em resumo, avalia Jacqueline Lison, do Fator Doria Atherino, a receita das empresas do STFC aumentou graças ao crescimento das tarifas e à falta de competição.

A Embratel, diz Jacqueline, tem, no mínimo, três grandes desafios. Recuperar pelo menos parte do tráfego de longa distância, tanto menor quanto maior a agressividade das concessionárias. Acelerar a entrada no mercado local, o que poderia fazer com a NET (é difícil a expansão via telefonia convencional). E obter maior rentabilidade com o serviço de dados, um mercado que cresce, mas cujos preços caem. Em suma, os resultados melhoraram, embora os papéis tenham reagido muito em função de expectativas, assinala a analista. “A margem da Embratel avança, mesmo devagar, o que significa que ela está fazendo o seu dever de casa”, observa.

Entre as operadoras do SMP, o destaque foi a Oi. E apesar dos péssimos resultados do segmento, o mercado reagiu bem. No balanço trimestral consolidado da Tele Norte Leste Participações (TNL), Felipe Cunha, do Banco Brascan aponta como fatos positivos o avanço de market share da Oi, a evolução do número de clientes pós-pagos e o primeiro lucro obtido da operação, apesar da mudança de critério na contabilização da adição de clientes, cujo custo passou a ser diluído em períodos de doze meses.

De acordo com a analista do Fator, a situação da Telemar é tranqüila por ser a operadora mais integrada e cuja base móvel está quase alcançado a fixa. O que permite que a queda no tráfego local seja compensada pelo aumento do móvel-móvel. Falta, porém, baixar seu endividamento. Por outro lado, a base Telemar é a que tem maior número de assinantes de baixo poder aquisitivo, o que explicaria os 500 mil desligamentos do trimestre. Pergunta: como crescerá o serviço fixo da operadora? Nas duas outras incumbents, o avanço da banda larga tem sido expressivo, o que dificilmente se repetirá em áreas como a Norte e Nordeste. Enquanto o segmento de alta velocidade como um todo cresceu por volta de 14 a 15%, na Telemar, não passou de 10%, no terceiro trimestre. “A operadora precisa recuperar a rentabilidade o mais rapidamente possível”, avalia o analista do Brascan.
Dilema na Brasil Telecoms

Diversamente, na BrT, o ponto negativo foi justo a margem EBITDA (um dos indicadores de rentabilidade da operação) do serviço móvel, que recuou 72%. Por isso, é difícil que se realize a previsão feita em setembro de 2004, segundo a qual o break even da BrTGSM seria atingido entre 15 a 18 meses. Jacqueline resume o dilema da BrT: quem vai comprá-la? Ponto a favor na BrT foi o aumento da planta em serviço, resultante da oferta de planos alternativos mais baratos que evitam inadimplência e desligamentos. Além da expansão trimestral de 19% nos acessos DSL.

Os resultados consolidados da TIM Participações (TIM Sul e Nordeste) foram considerados positivos – aumentaram as adições líquidas de clientes e a margem EBITDA. Entretanto, o churn cresceu, o que refletiria deterioração no mix das classes de renda C, D e E, ocasionando leve perda de participação, o que não aconteceu na Oi, compara Felipe Cunha. Para compensar, em matéria de rentabilidade, a TIM se saiu muito melhor do que as empresas do grupo Vivo, em particular a Telesp Celular.

É sabida a intensa competição no segmento móvel, cujo alucinado aumento da base deve começar a desacelerar quando a penetração chegar aos 55% (hoje está por volta de 43 a 44%). Enquanto prevalece uma agressiva disputa pela aquisição do cliente, pondera Jacqueline, a vantagem é das operadoras GSM, cujos terminais, mais baratos, implicam em menores despesas com subsídios, caso em que a Vivo se encontra em desvantagem. E com foco no pós pago, quanto mais high end o aparelho, maiores as despesas com subsídios. Uma situação pontual, segundo a analista do Fator. Porque, em um mercado mais acomodado, o foco passa de aquisição para retenção e, aqui, pesará a qualidade e a marca Vivo, além da cobertura de sua rede.

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