Fios e Cabos ganham novos players no Brasil, mas demanda cai.


O ano de 2013 foi atípico para o setor de fios e cabos. Animados com a política de incentivo à expansão da banda larga, que criou alguns benefícios para incentivar a produção local, como o REPNBL, tradicionais fabricantes do mercado de cabos e fibras ópticas ampliaram os investimentos no país e novos players anunciaram planos para produzir localmente. A demanda estimada para o ano, no entanto, que previa vendas em torno de cinco milhões de km de fibra, não se concretizou.

“O mercado deve ficar bem abaixo e atingirá, no máximo, quatro milhões de km de fibras”, estima Foad Shaikhzadeh, vice-presidente global do Grupo Furukawa Eletric e presidente da Furukawa Brasil. A avaliação de Armando Comparato Júnior, presidente do Grupo Prysmian na América do Sul, é ainda mais pessimista. “Nossa avaliação de mercado é que não chega aos quatro milhões. Fecharemos em 3,5 milhões de km de fibra para baixo”, estima.

Das quatro empresas com produção local, as duas maiores, Furukawa e Prysmian, investiram para ampliar a produção. A suíça Huber+Suhner, que já atuava no mercado nacional de conectores, investiu na fábrica de Caçapava (SP) para iniciar a produção de cabos ópticos, e a mexicana Cablena injetou recursos na sua planta de Itupeva (SP) para aumentar a capacidade.

 

Além desses fabricantes, outros quatro anunciaram investimentos no país, embora ainda não tenham iniciado as operações: as empresas japonesas Sumitomo (fábrica de cabo óptico) e a Fujikura (fábrica de OPGW), a chinesa Hengtong, que fez uma parceria com o grupo brasileiro Brascopper, que produz cabo metálico; e a indiana Sterlete (especializada em soluções de transmissão e distribuição de energia e fibra ótica), que anunciou em julho a criação de uma joint venture com a Conduspar, do Paraná, que produz cabos de energia.

 

A produção comercial da joint venture entre o grupo indiano e a companhia paranaense está prevista para o primeiro trimestre de 2015, mas a japonesa Fujikura promete iniciar as atividades em julho de 2014. A Fujikura criou uma joint venture com a brasileira ProCable para fabricar cabos OPGW. O investimento de R$ 30 milhões está sendo feito em uma unidade em Montenegro (RS), e os planos são de que até 2015 a fábrica alcance sua capacidade produtiva anual de cinco mil km de cabos OPGW.

Mais produção, menos vendas

“Hoje não tem demanda nem para os quatro que estão aqui, as fábricas devem estar com ocupação de 70%”, constata Foad. Na sua avaliação, os novos players foram atraídos pelo crescimento da demanda, com os planos de internet do governo brasileiro, mas na prática os negócios não ocorreram no ritmo esperado. “É um fenômeno similar ao que vivemos em 1999/2000: o Brasil chegou a ter oito plantas de cabos ópticos, e no pós estouro da bolha da internet reduziu a três (Furukawa, Prysmian e Telcon)”, recorda.

 

Em março deste ano a Furukawa inaugurou a unidade de OPGW, expandindo em 80% a capacidade produtiva de cabos ópticos no Brasil. Além dos investimentos na fábrica de OPGW, a companhia anunciou, no início do segundo semestre, um aporte de US$ 18 milhões até meados de 2014 para a construção de uma nova unidade produtiva em Sorocaba (SP) para aumentar a capacidade de fabricação de fibras ópticas para cerca de 2,3 milhões de km de fibras/ano. “O ano começou com uma expectativa positiva para o setor de fios e cabos, teve um razoável movimento nos primeiros trimestres mas depois arrefeceu”, conta Foad.

O presidente do Grupo Prysmian calcula que o mercado terá este ano queda de 25% em relação ao ano passado. “O ano de 2013 foi muito difícil, os volumes foram ruins em termos de cabos, as operadoras podem estar investindo mais em outras coisas. Em fibra estamos calculando um mercado pior que no ano passado”, afirma. Em 2012, o setor teve o primeiro semestre aquecido, mas no segundo as vendas arrefeceram.

 

Após a aquisição da Telcon, a Prysmian também ampliou a capacidade de produção de cabos ópticos e, hoje, está com capacidade ociosa, de acordo com Comparato. Mesmo assim, ele conseguiu aprovar, em outubro, os investimentos da ordem de R$ 42 milhões anunciados para aumentar a capacidade de produção de fibra óptica. Com isso, a partir de setembro do ano que vem, aumenta a capacidade de fibra para 3,5 milhões de km/ano.

A Cablena, que faz parte das empresas do grupo do empresário Carlos Slim, investiu para ampliar a produção, mas não divulga os valores. A empresa, que está no país desde 2005, foi montada para atender as operadoras do grupo Telmex que atuam no Brasil (Claro, Embratel e Net). A Huber+Suhner, presente no Brasil desde 99, iniciou este ano a produção de cabos ópticos – ainda está certificando o produto na Anatel. “Estamos ainda em roll out, mas esperamos crescimento forte para 2014, quando os novos produtos devem estar homologados”, informa Daniel Escobar, gerente de vendas da Huber+Suhner para setor de fibras ópticas. A empresa investiu em torno de US$ 10 milhões na unidade de cabos.

 

Na avaliação de Escobar, os negócios neste ano ficaram abaixo da expectativa. “Quem se baseia muito no mercado de telecom, que é nosso caso, hoje, registrou queda”, afirma. A empresa tem fábricas na Suíça e na China e decidiu pela produção local para ter mais flexibilidade para atender seus clientes no país e para iniciar um novo negócio na área de cabos. “Com certeza o benefício fiscal ajuda a colocar o custo de produção aqui similar ao das outras fábricas, pois não teremos o custo de importar esses cabos”, acredita. Além das operadoras, a fabricante suíça fornece para fabricantes de equipamentos como Ericsson e Huawei.

 

Para a Furukawa Brasil, apesar da queda no volume de negócios com as operadoras, o ano de 2013 terá crescimento estimado em 9% sobre os resultados de 2012. Esse resultado se deve aos negócios na área de OPGW, um mercado novo para a fabricante, e às vendas para o mercado corporativo, e às exportações. “No geral, para a empresa, o ano não foi ruim e devemos encerrar com vendas líquidas de R$ 600 milhões”, informa Foad. Ele esclarece, no entanto, que a empresa mudou o seu ano fiscal, que agora passa a ser entre abril e março, para se adequar ao calendário do Japão. “Mas, esse crescimento não foi fruto do setor de telecomunicações”, enfatiza. Segundo ele, mesmo no mercado de acessórios e FTTx houve uma certa paralisia das operadoras.

Boas perspectivas

Para convencer o board a aprovar novos investimentos para ampliar a capacidade de produção de fibra, a Prysmian Brasil fez uma série de entrevistas com seus clientes (operadoras) e com o governo (MiniCom, Mdic e MCTI) e constatou demanda crescente. “Todos são unânimes em dizer que o Brasil vai para a casa dos 6 milhões de km de fibra”, comenta Comparato. Na sua avaliação, essa demanda virá ao longo dos próximos anos. Para 2014, ele acredita num volume de vendas entre quatro e cinco milhões de km de fibra, retomando os níveis de 2012, quando o setor vendeu 4,5 milhões de km de fibras.

 

O presidente da Furukawa aguarda para 2014 os negócios que não se realizaram neste ano. “Esperamos um incremento, cada vez maior, do uso da fibra na casa do assinante”, diz Foad.

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