Financiamento segue como maior entrave para start-ups brasileiras


O mercado de start-ups brasileiro evolui, muda de perfil, mas ainda enfrenta significativos entraves para seu crescimento e consolidação, sendo o maior deles a falta de apoio financeiro. Ao menos, é isso o que aponta a pesquisa realizada pela e.Bricks e a Consumoteca, “O Perfil do Empreendedor Digital no Brasil”, em sua segunda edição (a primeira foi realizada em outubro de 2011).

A pesquisa apontou uma forte mudança no foco das start-ups. Em 2011, os entrevistados estavam empreendendo em Marketing Online (17%), Conteúdo (17%), Software (16%), Educação (14%) e Social Media (13%). Já em 2013, os segmentos apontados como os de maior investimento dos empreendedores foram Serviços (33%), Aplicativos (30%) e E-commerce (29%). “Os resultados apontam para uma clara profissionalização do mercado, tendo em vista que os setores de maior crescimento exigem mais dos empreendedores, tanto em capital quanto em esforço de equipe”, afirma Fabio Bruggioni, CEO da e.Bricks Digital. “Negócios disruptivos tem chances maiores de competir com players globais”, completa Bruggioni.

O estudo abordou também o ciclo de lançamento das start-ups. Segundo os entrevistados, o tempo médio para que os negócios e as ideias dos empreendedores entrevistados estejam prontos é de seis meses, um ciclo considerado rápido. A pesquisa aponta que apenas 7% dos empreendedores ainda estão na fase de ideias, 8% estão com o projeto no papel, 33% estão em fase inicial de desenvolvimento, 26% estão com seus produtos em fase beta e 26% já estão com o produto finalizado.

Quando questionados sobre a formalidade dos negócios, 78% constituem empresa formal ou estão no processo de legalização, um número bem próximo aos 77% que estavam nessa situação em 2011. Quarenta e três por cento dos empreendedores trabalham exclusivamente em seus projetos, enquanto que 52% dedicam parte do seu tempo ao negócio. Vinte e sete por cento dos entrevistados afirmaram ter uma equipe formada por quatro ou seis pessoas; 15% responderam tocar o negócio sozinhos.

Apoio financeiro (ou a falta dele)
A falta de recursos é a principal barreira para os empreendedores digitais no país, de acordo com 45% dos entrevistados. Se pudessem, portanto, contar com um apoio de empresas especializadas em start-ups, 33% dos entrevistados pediriam financiamento. Já 28% de empreendedores gostariam de ter mais contato com o mercado, ou seja, maior facilidade para apresentar e comercializar o produto desenvolvido. Aproximadamente 80% dos projetos são financiados pelos sócios do negócio.

Entre os que não possuem investimento externo, 27% já apresentaram seu projeto para algum investidor. O status após a apresentação dos projetos a investidores não possui diferença significativa entre os numero de 2011 e os de 2013. Em ambas as pesquisas, 42% dos entrevistados disseram estar em negociação e 17% afirmaram que não houve interesse por parte dos investidores, dois pontos percentuais a mais que em 2011.

Nove por cento dos empreendedores entrevistados disseram estar trabalhando na lista de exigências – em 2011 eles eram 8%. Dos que não contaram com investimento externo, 46% disseram ter a intenção de apresentar posteriormente – em 2011 este número era de 55%.

Uma parcela pequena dos empreendedores entrevistados possui algum tipo de financiador, como investidor anjo (12%), empresa de venture capital (5%), empresa privada (4%) ou banco de investimento (1%). A participação de programas do governo e instituições de ensino é baixa, 3% e 1% respectivamente.

Outras dificuldades
A burocracia (39%) e a falta de mão de obra qualificada (35% em 2013 e 30% em 2011) também foram apontadas por boa parte dos entrevistados como entraves ao empreendedorismo. Observa-se redução significativa na insatisfação com políticas públicas de incentivo (28% em 2013 e 34% em 2011) e na falta de tempo para dedicação ao projeto (18% em 2013 e 34% em 2011).

Perfil do empreendedor
A pesquisa aponta uma concentração de empreendedores nas regiões Sudeste (43% estão em São Paulo) e Sul (21%). Os empreendedores são, em sua maioria, homens com idade entre 25 e 40 anos. A pirâmide social dos empreendedores apresenta maior concentração de pessoas com maior poder aquisitivo e alto nível de escolaridade – 42% fizeram algum tipo de pós-graduação – do que na população brasileira em geral.

Cursos de graduação relacionados à tecnologia são os mais comuns entre os empreendedores digitais (19%), seguidos por administração de empresas (16%) e comunicação social (13%). A necessidade de gerir seu negócio e colocar sua ideia para frente faz com que os cursos de pós-graduação mais frequentes estejam relacionados com gestão de negócios (23%), marketing (16%) e administração de empresas (11%).

Sobre a pesquisa
O levantamento foi realizado pela e.Bricks Digital, empresa de investimentos do Grupo RBS, e a Consumoteca, boutique de conhecimento especializada no consumidor brasileiro. O questionário foi aplicado em outubro de 2013 e foram ouvidos 342 empreendedores digitais, por meio de questionário estruturado online, com apoio dos parceiros Endeavor, Brazil Founders, Anjos do Brasil, Brazil Innovators e Startupi. (Da redação)
 

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