Fim da Ceitec favorece produtos importados, diz entidade


Associação da Indústria de Semicondutores entende que a liquidação da estatal diminui chances de o Brasil reduzir a dependência externa de alta tecnologia, como se viu com equipamentos para combater a pandemia do novo coronavírus

Marcos Pontes visitou a sede da Ceitec em Porto Alegre logo após tomar posse em 2019/ Foto:Ascom/MCTIC

A liquidação da empresa estatal Ceitec, localizada no Rio Grande do Sul, distanciará ainda mais o Brasil da indústria de alta tecnologia e diminuirá as chances de o país reduzir a enorme dependência de produtos importados. É  o que afirma a Abisemi (Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores), em nota sobre a provável liquidação da estatal pelo governo federal, conforme proposta do Programa de Parcerias de Investimentos.

“A sua liquidação distanciará ainda mais o Brasil do conhecimento de ponta necessário ao desenvolvimento de produtos de alta tecnologia e diminuirá as chances para que possamos reduzir a enorme dependência de produtos importados”, afirma o presidente da entidade, Rogério Duair Jacomini Nunes. “O momento em que vivemos é bastante revelador de como é deletério depender totalmente de componentes e produtos importados frente à atual dificuldade na obtenção de equipamentos e insumos essenciais para salvar vidas em meio ao combate da Covid-19 no país”.

Na nota, Nunes classificou como  ilustrativo verificar que a decisão de liquidar a Ceitec ocorreu no mesmo dia em que parlamentares dos Estados Unidos apresentaram um projeto de lei para fornecer mais de US$ 22,8 bilhões em ajuda aos fabricantes de semicondutores, objetivando estimular a construção de fábricas de chips naquele país, em mais uma etapa da rivalidade tecnológica com a China.

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“Nesse sentido, a Ceitec configura-se na única fábrica que logrou desenvolver um certo nível de capacidade de difusão dos chips no hemisfério sul do planeta, num investimento estratégico feito pelo País nos últimos anos. Ressalta-se que o processo de difusão é a primeira fase da fabricação de uma pastilha de silício e representa na cadeia de produção de chips o processo com maior agregação tecnológica e complexidade, antes das etapas de encapsulamento e teste”, acrescenta.

Investimentos

Cita ainda a nota que, ao longo de quase 12 anos de atividades, a Ceitec desenvolveu capacidade tecnológica e formou recursos humanos que desenvolveram projetos e patentes na área de circuitos integrados. “Sua fundação contribuiu, inclusive, para atração de investimentos estrangeiros ao Brasil neste setor, dando início a novos empreendimentos privados com atuação nacional e consolidando uma cadeia de valor no país neste segmento”, reforça.

Segundo a Abisemi,  apesar da liquidação da Ceitec, o conhecimento produzido pela estatal deve ser aproveitado em importantes projetos  relacionados à indústria 4.0, Internet das Coisas (IoT), por entender que recursos preciosos com e altos investimentos não podem ser simplesmente liquidados junto com a empresa.

“Lamentamos que o processo de privatização tenha sido infrutífero, mas a Abisemi espera que o Brasil continue investindo no setor de semicondutores devido à sua vital importância para a evolução tecnológica, para a inovação, para o desenvolvimento sócio econômico e consequentemente para a vida das pessoas, que usam cada dia mais e mais produtos dependentes de agregação tecnológica de última geração”, conclui.

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