Fibra: investimentos em redes mistas ainda superam os em FTTH.


Tele.Síntese Análise 384 Fibra: investimentos em redes mistas ainda superam os em FTTH. Com 1,2 milhão de home passed com FTTH e 7 milhões com rede mista (fibra até o armário, fibra até o ponto comercial e fibra combinada com cabo, HFC/Docsis) no final de 2012, as operadoras de telecom que atuam no Brasil continuam …

Tele.Síntese Análise 384

Fibra: investimentos em redes mistas ainda superam os em FTTH.


Com 1,2 milhão de home passed com FTTH e 7 milhões com rede mista (fibra até o armário, fibra até o ponto comercial e fibra combinada com cabo, HFC/Docsis) no final de 2012, as operadoras de telecom que atuam no Brasil continuam a investir mais em redes mistas. O decreto de desoneração de redes, na avaliação de analistas, vai estimular o avanço da fibra na casa do assinante, mas, até pela diversidade do país, as redes mistas continuarão como uma opção tecnológica importante porque, em síntese, melhoram a velocidade de transmissão com um investimento menor e de retorno mais rápido.

 

Na opinião dos fornecedores tanto de fibra como dos equipamentos ativos da rede, a demanda por soluções mistas continua mais aquecida do que por redes de fibra puras. Todas as operadoras adotam os dois modelos tecnológicos, mas enquanto Telefônica e Oi têm privilegiado o FTTH, GVT e TIM, por exemplo, investiram proporcionalmente mais, até o momento, em soluções mistas. Já os provedores regionais de acesso à internet – que estão substituindo o acesso por rádio em frequência não licenciada por soluções de melhor qualidade – estão aderindo ao FTTH.

 

Na avaliação do presidente da Furukawa, Foad Shaik-zadeh, são mais de cem pequenas redes com 50 mil assinantes, contra cerca de 122 mil assinantes da Telefônica e Oi (com liderança disparada da primeira) ao final do ano passado, segundo estimativas da Idate, empresa de análise parceira do FTTH Council. “A cada mês, surgem dois ou três projetos”, conta ele.

 

Já as redes mistas, com fibra e cabo metálico ou fibra e cabo coaxial, contam com 154 mil assinantes, tendo na liderança a Oi, seguida pela Net. Mas, em número de domicílios cobertos, a base da Net alcança 5 milhões de domicílios, 2/3 da base total. Segundo Mauro Fukuda, diretor de Tecnologia de Plataformas de Serviços da Oi, a solução tecnológica depende da estratégia comercial da empresa para cada região. A oferta do FTTH está sendo priorizada em áreas de grande concentração populacional e alto poder aquisitivo para absorver pacotes de serviços sofisticados, nos quais o carro-chefe, além da velocidade e capacidade da banda, é a oferta de IPTV.

 

Essa também é a estratégia da Telefônica, que saiu na frente com investimentos expressivos em FTTH – R$ 200 milhões em 2012 – e um valor relevante este ano, não revelado pela empresa. De acordo com Maurício Krieger, diretor de Fibra da Telefônica Vivo, o número de assinantes, de 112 mil em dezembro, cresce aceleradamente. “O grande desafio é conseguir reduzir os custos para dar escala e massificar a colocação da fibra na casa do cliente”, informa. O programa de desoneração de redes do governo federal, em fase de implementação (os projetos têm de ser entregues para aprovação até o final de junho deste ano), vai ajudar a acelerar a implementação de redes FTTH, na avaliação de Krieger.

 

Sobrevida ao cobre

Se o FTTH com oferta de serviços de valor agregado é a aposta da Telefônica Vivo, a Oi, até pelo fato de ser concessionária em todo o território brasileiro, à exceção de São Paulo, tem de investir também em soluções para outros mercados. Segundo Fukuda, o objetivo é sempre o “encurtamento” da rede nas soluções mistas, ou seja, trazer a casa do cliente para mais perto da fibra. Aí entram as soluções de fibra até o nó ou até o armário (FTTN/C) ou até o ponto comercial ou prédio (FTTB). “Em solução mista que a fibra chega até 100 metros ou 50 metros da casa do cliente, já podemos alcançar 100 Mpbs de velocidade de transmissão”, diz ele.

 

Com o avanço da tecnologia XDSL, dos cabos metálicos e dos cabos HFC, os fornecedores dizem que as soluções mistas são capazes de oferecer velocidades bem maiores e de mais qualidade. Juan Pablo Lopez Anadon, diretor de Soluções da Alcatel Lucent Brasil, informa que a empresa, uma das primeiras a investir na tecnologia de xDSL, oferece tecnologias complementares para melhorar o desempenho das redes de cobre, como o VDSL 2 Vectoring, que reduz o ruído (interferência) que um assinante provoca no outro, e o VDS2 Bonding, solução que permite dobrar a largura da banda por meio do uso de dois pares de cobre.

 
Mas todos são unânimes em afirmar que o futuro está na fibra, não só por garantir a qualidade da transmissão, como por permitir distâncias de até 20 km entre os equipamentos de transmissão e o terminal do assinante, na casa do cliente. A GVT, que até o ano passado não tinha assinante em FTTH, lançou ontem (11) um serviço de acesso de 150 Mbps por R$ 299,00 mensais (R$ 1,99 o mega), que exige levar a fibra até a casa do cliente por meio da tecnologia GPON (Gigabit Passive Optical Network).

 

Mesmo sem ter investido em FTTH até recentemente, a GVT foi a primeira operadora a oferecer maiores velocidades em seus acessos em banda larga, encurtando a distância entre a casa do cliente e a fibra. “Enquanto o padrão de mercado era atuar com última milha em cobre na ordem de quilômetros, a GVT reduziu essa extensão até uma média atual de 400 metros”, diz comunicado da empresa.

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