Felipe Spilari: Financiamento para ISPs ainda a ser descoberto


Chama a atenção o pequeno número de projetos em vias de aprovação, causado pelas dificuldades que pequenos e médios provedores têm encontrado na obtenção dos recursos junto aos agentes financeiros.

Felipe Spilari, consultor Ativar (foto: divulgação)
Felipe Spilari, consultor Ativar (foto: divulgação)

Nos últimos encontros de provedores de internet pelo Brasil, o financiamento tem sido um tema constante entre as grandes preocupações do segmento. Representantes do BNDES e do Departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações têm marcado presença para esclarecer dúvidas e discutir alternativas com o mercado.  Desde que o BNDES aprovou a inclusão de cabos de fibra óptica como produtos “finamizáveis”, somente 37 projetos de cabeamento por fibra óptica foram apresentados aos agentes financeiros do banco para a compra de cabos fornecidos pelos fabricantes com produtos homologados no Finame, que permite o financiamento com juros a partir de 4% ao ano.

No entanto, mesmo com o aumento do incentivo governamental e com toda a discussão sobre o assunto em eventos, chama a atenção o pequeno número de projetos em vias de aprovação, causado pelas dificuldades que pequenos e médios provedores têm encontrado na obtenção dos recursos junto aos agentes financeiros. O Minicom e o BNDES já estão inclusive articulando a realização de alguns pilotos junto ao Banco do Brasil a fim de identificar os principais gargalos que estão travando fechamento dos financiamentos.

Os principais entraves que os pequenos e médios provedores têm se deparado para conseguir recursos são:

– Ter um bom projeto, que se demonstre viável do ponto de vista econômico-financeiro e mercadológico e que esteja bem fundamentado;

– Possuir documentos contábeis e gerenciais organizados que comprovem a capacidade da empresa de tomar o financiamento;

– Apresentar garantias que atendam às exigências do banco para disponibilização dos recursos;

– Interagir com um agente financeiro que conheça as linhas de financiamento disponíveis e que consiga entender as questões tecnológicas envolvidas no projeto.

Nesse sentido, contar com o apoio de uma consultoria especializada na elaboração de projetos pode facilitar o caminho de provedores que buscam recursos externos para sustentar o seu crescimento. Elaborar um plano de negócios consistente é fundamental para aumentar as chances de sucesso na negociação com instituições financeiras. No que diz respeito à organização gerencial e contábil, esta é uma necessidade de toda empresa. Certamente a oportunidade de tomar recursos e alavancar a empresa com juros baixos fará com que aqueles provedores que ainda são excessivamente informais ou gerencialmente desorganizados enxerguem a necessidade de administrar de forma profissional seus negócios.

Quando se fala em garantias, é importante observar que nem todas as empresas ou empreendedores terão condições de oferecer garantias reais em seus processos de financiamento. A disponibilização de um fundo garantidor que não onerasse tanto a operação certamente contribuiria para o crescimento do número de projetos aprovados. Além disso, o estabelecimento de uma política que aceite os recebíveis da carteira atual de clientes dos provedores como garantia também facilitaria muito a aprovação. Já quanto ao conhecimento das linhas pelos agentes financeiros, cabe aqui um esforço do BNDES para disseminá-las junto a seus repassadores, ampliando assim as possibilidades de crescimento de provedores de todo o Brasil.

 Felipe Spilari é consultor da Ativar, consultoria de planejamento, gestão e desenvolvimento pessoal.

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