FCC aprova a compra da Sky/DirecTV. Agora, a AT&T vai ter que resolver o Brasil


A Federal Communication Comission aprovou hoje, 24, a compra da empresa de TV por assinatura Sky/DirecTV pela operadora norte-americana AT&T por três votos a dois, um negócio de US$ 49 bilhões. Com o sinal verde da agência reguladora norte-americana, a AT&T vai poder agir com mais desenvoltura no mercado brasileiro e definir se vai mesmo ampliar sua atuação no território ou se vai vender a Sky, como ainda acreditam alguns analistas.

O negócio de US$ 49 bilhões, a compra da operadora de DTH Sky/Direct TV pela AT&T, foi aprovado hoje, 24, pela agência reguladora norte-americana.

No México, a gigante norte-americana já demonstrou que está com apetite para disputar aquele mercado e competir com a América Móvil, do bilionário Carlos Slim, que até pouco tempo era sua sócia. Lá, a AT&T já comprou duas operadoras de celular (Nextel e Iusacell) e lança planos de serviços mais agressivos.

No Brasil, a Sky é a segunda maior operadora de TV por assinatura, oferecendo o serviço via satélite – DTH. Conforme o último número divulgado pela Anatel, a Sky contava em maio com 5, 698 milhões de assinantes, atrás somente do grupo América Móvil /Telmex, que tinha 10,198 milhões de clientes. O problema do DTH é que ele não consegue oferecer outros serviços de telecom, mas a Sky comprou  frequências de 2,5 GHz e está oferecendo banda larga fixa em algumas cidades brasileiras.

A pergunta do mercado é se, com a aprovação final da FCC,  a Sky/AT&T vai vir com fôlego para o leilão de venda de espectro que vai ser realizado este ano pela Anatel. As condições para os novos entrantes – como a não exigência de garantias – são extremamente vantajosas, embora na formulação da área técnica exista  a restrição para que as empresas que tenham mais de 50 MHz de frequência na faixa de 2,5 GHz não possam participar do leilão. Restrição que deverá cair, pois a Sky tem 70 MHz e teoricamente não poderia participar, mas não deve ser isto o que quer a Anatel.

Os principais executivos da operadora norte-americana chegaram a anunciar a vinda ao Brasil para se encontrar com a presidente Dilma Rousseff e o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, visita adiada devido à demora da decisão da FCC, que foi concluída hoje. No Brasil, tanto o Cade como a Anatel aprovaram a operação, tendo em vista que a AT&T não tinha qualquer participação em nosso mercado.

Pode comprar mais?

Há muitas especulações sobre o real interesse da gigante norte-americana no mercado latino-americano. Se tiver mesmo apetite para se fortalecer na América Latina, o mercado brasileiro, mesmo em crise, é o mais importante  da região e, aí, não é provável que a empresa fique apenas com a operação de TV paga e algumas frequências de banda larga. Ela poderá partir para comprar uma operadora nacional. Nesta hipótese, duas empresas são sempre as lembradas: a TIM e a Oi.

FCC

Para aprovar a fusão, a FCC estabeleceu como condição a construção, pela operadora, de redes de fibra óptica para alcançar 2,5 milhões de norte-americanos, aumentar em 40% o número de cidades cobertas com a rede e a obrigação de submeter à agência todos os seus acordos de interconexão. No vídeo, a empresa fica também proibida de excluir os canais afiliados.

 

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