Receita do setor eletroeletrônico cai 8% no primeiro tri


Sem levar em conta a inflação no período, encolhimento foi de 4%. Segmento de telecomunicações foi o único que apresentou crescimento, puxado pela venda de aparelhos celulares. Abinee alerta para vendas menores em número de unidades, mas prevê crescimento de 2% no ano para a área.

Shutterstock-Angela Waye_economia_desempenho_graficoO faturamento do setor eletroeletrônico caiu 4% no primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período de 2014. Se levada em consideração a inflação registrada desde então, o encolhimento real chega a 8%. O único segmento do setor que apresentou crescimento foi o telecomunicações: 13%. A área se beneficiou de aumento nas vendas de 2% em equipamentos para infraestrutura e de 27% em telefones celulares.

Os dados foram levantados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). A entidade ressalta, porém, que o crescimento em telecomunicações pode não significar que o segmento esteja performando bem. Diz, em comunicado, que o aumento nas vendas em infraestrutura ocorreu porque o início de 2014 registrou uma base muito pequena e que, se comparado ao resultado de 2013, houve um encolhimento de 18% nas vendas.

A Abinee também destaca a possível saturação do mercado de celulares, uma vez que o crescimento de 27% nas receitas teria sido motivado pela troca de aparelhos antigos por smartphones, de valor mais alto. Em números absolutos, o trimestre registrou 2% menos unidades vendidas. Os celulares inteligentes representaram 92% do mercado, contra 68% um ano antes.

Os índices revelam, ainda,  uma forte retração no segmento de informática, no qual a receita encolheu 10%. O segmento viu cair a venda de desktops, notebooks e tablets em relação aos três primeiros meses do ano passado. A venda de computadores de mesa caiu 21%, a de notebooks caiu 19%, e a de tablets caiu 17%. Ao todo, este mercado vendeu 3,8 milhões de unidades.

A entidade reúne também, no levantamento divulgado hoje, índices de produção do setor. Com base em dados do IBGE, mostra que houve retração de 26,8% na produção da indústria eletrônica. Houve queda de 1,3% na fabricação de equipamentos de comunicação. Na indústria elétrica, a retração na produção foi de 2,7% no período.

A valorização do dólar não gerou relexo imediato nas vendas ao exterior no primeiro trimestre do ano. Segundo a Abinee, a receita com exportações caiu 13% entre janeiro e março, para US$ 1,37 bilhão. No segmento de telecomunicações, as vendas foram 3% menores. No de informática, foram 4% menores.

As importações caíram 10% no período, para US$ 9,63 bilhões. A entidade destaca a retração das importações de Componentes Elétricos e Eletrônicos (-11%), que passaram de US$ 6,38 bilhões no 1º trimestre de 2014, para US$ 5,69 bilhões no 1º trimestre de 2015. “Este caso, efetivamente, reflete o baixo nível da atividade produtiva do setor neste início de ano”, diz, em nota. No segmento de informática, as compras do exterior caíram 26%. No de telecomunicações, 14%.

Projeções
A entidade acredita que mesmo diante do cenário desafiador, o faturamento do setor eletroeletrônico irá crescer 1%, movimentando R$ 155,3 bilhões. Em moeda estrangeira, a receita vai encolher 23%, para US$ 50,2 bilhões. Na soma dos 12 meses do ano, as exportações devem cair 8%, atingindo US$ 6 bilhões. As importações devem ter retração de 13%, ficando em US$ 36 bilhões. O saldo comercial, portanto, do setor deve ser negativo em US$ 30 bilhões, 13% pior que em 2014.

Os segmentos que terão melhor desempenho serão de informática e de telecomunicações. O primeiro ficará estagnado, com crescimento nulo, enquanto o segundo deve crescer, em receita, 2%. Todos os demais segmentos eletroeletrônicos, como automação industria, componentes, geração e transmissão de energia, utilidades domésticas, vão encolher entre 3% e 4%.

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