Facebook quer tecnologia aberta na infra de telecom


Mark Zuckerberg anunciou o Telecom Infra Project, em parceria com Intel, Nokia, Deutsche Telekom e SK Telekom, para criar padrões universais em tecnologias de acesso, backhaul e núcleo de rede.

mark-zuckerberg-headshotMark Zuckerberg, o fundador do Facebook, anunciou hoje, 22, no MWC, congresso mundial de telefonia móvel, a iniciativa Telecom Infra Project (TIP). O objetivo deste programa é incentivar a adoção de padrões abertos de tecnologias de telecomunicações, harmonizando a engenharia das redes ao redor do mundo. Foram anunciados como parceiros Nokia e Intel, que fornecerão designs de referência, além de Deutsche Telekom e SK Telecom, que vão implementar tais referências e ajudar a chegar às especificações que funcionem na prática.

O projeto é baseado em outra iniciativa do Facebook, de anos atrás, chamado Open Compute. Neste caso, a rede social definiu padrões para data-centers. Segundo Zuckerberg, desde o início do Open Compute, em 2011, a empresa já economizou US$ 2 bilhões em integração de sistemas e diferentes tecnologias. O mesmo, defende, será alcançado pelas operadoras com o TIP.

“Com a tecnologia aberta, todos ganham em eficiência. Será mais simples investir na infraestrutura e oferecer planos de acesso mais baratos ao consumidor”, falou à audiência do MWC, em Barcelona, na Espanha. O evento foi transmitido pela internet. No TIP, os parceiros vão atuar para desenvolver padrões abertos em três frentes: acesso, backhaul, e núcleo e gerenciamento. Aos poucos, o TIP vai acelerar, também, a criação de tecnologias para a 5G.

A iniciativa já está sendo posta em prática. A operadora filipina Globe começou um piloto dentro do projeto para levar cobertura móvel a uma vila que ainda não tinha cobertura. A escocesa EE vai lançar um teste em 4G para cobrir comunidades com baixo acesso.

Freebasics
O criador do Facebook também comentou o Freebasics, braço executivo da iniciativa Internet.org, cuja missão é conectar mais pessoas à internet. Segundo ele, 19 milhões de pessoas foram conectadas à internet por meio do Freebasics, no mundo. A iniciativa sofreu recentemente um revés, ao ser proibido na Índia. Sobre a questão, ele evitou entrar em detalhes.

Aprendemos com o caso da Índia que cada país é diferente. O Freebasics foi o primeiro programa de conectividade que pensamos. Mas vimos que os modelos que aplicamos em um país podem não se aplicar a outros. Não consigo pensar em nenhum outro programa de conectividade que tenha conectado 19 milhões de pessoas”, falou.

Zuckerberg prometeu para este ano testes com a aeronave não tripulada, movida a energia solar, e que dispararia feixes laser de acesso à internet a áreas sem conectividade. “Faremos os testes em escala completa este ano ainda. No ano que vem, espero, já incorporaremos essa tecnologia à expansão de infraestrutura onde não é rentável investir em redes terrestres”, afirmou. O executivo disse que “há vários governos e operadoras” interessados em testar essas tecnologias, e defendeu seu uso em casos específicos, como para levar acesso a rincões da floresta amazônica.

Enfático, Zuckerberg contestou acusações de que suas iniciativas para conectar mais pessoas sejam calculadas e criadas com vistas a ganhar dinheiro sobre a oferta de serviços de conexão. “Nós somos uma empresa de internet. Temos em mente que quanto mais gente online, melhor para nosso modelo de negócio. Mas não queremos ganhar dinheiro diretamente com nenhuma dessas outras iniciativas”, reiterou.

Regulação
Por fim, ele comentou o desejo das operadoras de buscar a desregulamentação do setor fazendo comparações com as empresas de internet. “Em algumas partes do mundo, a transição de voz para dados aconteceu. Em outros, as operadoras ainda estão fazendo. Entendo que as operadoras querem as mesmas regras que para as OTTs, e concordamos com isso. Achamos que isso incentiva a inovação. Mas não concordo que devamos ter as mesmas regras, obrigações e metas existentes para as operadoras”, falou.

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