Fabricantes de fibra óptica sul-coreanos vêm ao Brasil para firmar parcerias locais


Uma comitiva de empresários sul coreanos deve desembarcar em solo brasileiro no mês que vem para percorrer estados em conversas com ISPs regionais e operadoras de telecom. Eles vão tentar aumentar o posicionamento dos equipamentos de fotônica (cabos de fibra óptica, spliters, adaptadores etc) da indústria naquele país no mercado nacional, dominado por tecnologias japonesas, norte-americanas e chinesas.

Segundo Hyun-Ho Kim, gerente regional da Associação Coreana para Desenvolvimento da Indústria Fotônica, responsável por América Latina, os empresários também passarão por Peru e Venezuela. “O empresário, sozinho, não faz negócios aqui. Então eles vão buscar parceiros locais para distribuição dos equipamentos”, revela.

Foram os eventos mundiais que chamaram a atenção dos fabricantes locais, conta Kim. Primeiro, a Copa do Mundo. Agora, eles querem aproveitar a proximidade e conseguir uma fatia do bolo de infraestrutura dos Jogos Olímpicos. “O mercado de telecomunicações no Brasil ainda tem muito o que crescer”, comenta.

Uma das empresas que já atuam no Brasil, em parceria com a Rosemberger Domex, a CTNetworks acaba de obter homologação de seus cabos de fibra. Até 2015, espera vender outros equipamentos de FTTH e FTTA homologados pela Anatel.

De acordo com Sang-woo Lee, gerente de vendas no exterior da empresa, a homologação, apesar de burocrática e lenta, é um atestado que protege e garante a qualidade do produto sul-coreano. Outra barreira deverá mercer maior esforço para ser superada.

Segundo ele, a tecnologia escolhida para equipar as redes, diz, é defesada e mais cara que a coreana, mas as empresas não querem abandoná-la. “O Brasil usa muitos produtos caros dos EUA ou do Japão. Produtos que não são mais usados desde os anos 1990 nestes países, ou desde 1980 na Coreia”, alega.

Abrint
A estratégia para aprofundar a participação sul-coreana no mercado nacional deve contar com apoio da Abrint. A associação de provedores regionais tem a expectativa de fazer crescer a competição em tecnologias ópticas. Marcelo Corradini, diretor técnico da Abrint, ressaltou que até o final do ano o país demandará ao menos 5,8 milhões de quilômetros de cabos ópticos.

“No curto prazo, os pequenos provedores serão os maiores consumidores de fibra”, ressalta. Sua vontade é ver a instalação de mais um produtor local. “Quem tiver coragem de abrir uma fábrica tem potencial de abocanhar uma grande parcela do mercado. Hoje, no Brasil, se espera 60 dias para receber 4 km de fibra”, diz.

Kim, da Associação Coreana para Desenvolvimento da Indústrica de Fotônica, porém, é cauteloso. “Não cabe a nós [da Associação] dizermos se haverá produção local. Vejo que o melhor seria a importação. Mas, se os empresários [sul-coreanos] se posicionarem a favor desta alternativa, vamos dar total apoio”, diz.

Os executivos participaram, nesta segunda-feira (20), do Seminário de Tecnologia em Fibra Óptica da Coréia do Sul, que aconteceu em São Paulo. O evento foi promovido pela Agência de Comércio Exterior e Investimento da Coreia (Kotra).

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