Exportações do setor eletroeletrônico para Argentina caem 19,3% neste ano


As exportações brasileiras do setor eletroeletrônico para a Argentina registraram uma queda de 19,3% de janeiro a maio, para US$ 6 bilhões, na comparação com igual período do ano passado. Nesses cinco meses, as áreas que mais exportaram foram as de componentes e de informática, mas ambas com volumes inferiores ao do ano passado, conforme os dados levantados pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica). Na avaliação da indústria brasileira, este cenário ruim pode se agravar com as dificuldades enfrentadas pelo governo argentino na renegociação de sua dívida com os Estados Unidos. 

Na área de componentes elétricos e eletrônicos, as exportações para a Argentina foram puxadas pelos componentes automotivos e somaram US$ 310 milhões nos primeiros cinco meses deste ano, registrando queda de 21% em relação ao ano passado. “Outro produto significativo, o de equipamentos industriais, teve um volume de US$ 56,2 milhões nesse período, com queda de 22%”, informou Luiz César Rochel, gerente do Departamento de Economia da Abinee.

A área de informática, que compreende computadores, impressoras e periféricos, exportou US$ 25,4 milhões, com queda de 60,5% na comparação com os primeiros cinco meses de 2013. Dentro deste segmento, bens de informática, onde são relacionados itens como as máquinas de processamento de dados, a queda foi de 70% no período (foram exportados este ano apenas US$ 7 milhões). O gerente da Abinee destaca também a queda de 44% nas exportações de impressoras, que somaram US$ 9,5 milhões.

A área de celulares, cujas exportações já foram bastante representativas para a Argentina (em 2010, por exemplo, o país exportou US$ 536 milhões em aparelhos celulares para o país vizinho) praticamente não existe mais. Conforme os números da Abinee, os celulares representaram apenas US$ 9,2 mil nos primeiros cinco meses do ano, com queda de 95% em relação ao mesmo período do ano passado.

Na avaliação do economista da Abinee, as duas principais razões para a queda são a economia da Argentina, que não está bem, e as restrições à importações adotadas pelo governo. “A Argentina sempre foi um grande mercado para a indústria elétrica e eletrônica, mas a cada ano tem se tornado menos representativo”, observou Cesar.

Com os conflitos da última semana (quando houve ameaça de calote a uma dívida e a Justiça americana determinou o pagamento da dívida de US$ 1,5 bi aos fundos e, agora, o país tenta negociar), a situação tende a se agravar. “A questão do pagamento da dívida é reflexo do processo de instabilidade no país e influencia no comércio, resultando em dificuldades nas negociações comerciais e em restrições a importações”, analisa o gerente da Abinee.

 

 

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