Exportação de software e TI: o Brasil é capaz?


O Brasil tem como meta exportar US$ 2 bilhões em software e serviços de tecnologia da informação (TI) no ano de 2007. Hoje, 14, durante seminário Centros de Competência de Empresas Globais 2006, em São Paulo, o ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, afirmou que a expectativa pode ser cumprida, embora …

O Brasil tem como meta exportar US$ 2 bilhões em software e serviços de tecnologia da informação (TI) no ano de 2007. Hoje, 14, durante seminário Centros de Competência de Empresas Globais 2006, em São Paulo, o ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, afirmou que a expectativa pode ser cumprida, embora com dificuldades. Além disso, foi cobrado por empresários para um novo objetivo: US$ 5 bilhões em 2010. O objetivo da Índia é exportar US$ 50 bilhões em 2010.

“Existe ainda uma demanda não satisfeita em relação à mão-de-obra. Mas estamos melhorando com programas de capacitação”, comentou Furlan, que demonstrou otimismo. “Há um momento de convergência favorável e as empresas brasileiras desta área estão ganhando musculatura.”

O mercado mundial de software e serviços de TI é estimado, hoje, em US$ 1,14 trilhão, com crescimento anual de 3%. Em países que não pertencem ao chamado primeiro mundo, o mercado é de US$ 36 bilhões, dos quais US$ 20 bilhões são da Índia. Os Brasil beira os US$ 2 bi. A vantagens para as nações menos desenvolvidas é que o crescimento anual, no caso, é de 40%. Os dados são do Gartner Group.

“Existe uma janela aberta, se não entrarmos agora, não entraremos nunca”, convoca Antônio Carlos do Rego Gil, presidente da CPM e da Brazilian Association Software & Service Export Companies (Brasscom).  Mas o que falta ao Brasil para se equiparar a países como Índia e China?

Publicidade

Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, ano passado, quem por ali andou viu outdoors do governo indiano que remetiam à potência do país em TI. Além disso, nos encontros e seminários, eram distribuídos brindes relacionados ao país. Até o ministro Furlan ganhou um pen drive. “Eles investiram US$ 4 milhões em Davos”, disse o ministro. E o Brasil?  Nenhuma quantia significativa.

O fato, concordam empresários e governo, é que o Brasil tem que ser conhecido internacionalmente nestas áreas, como acontece com China e Índia, por meio de divulgação na mídia. Outro fator considerado crucial é o investimento na educação, com formação de doutores e especialistas em ciências da computação e áreas afins.

“O Brasil precisa entender que exportar software não é meramente adicionar dólares na balança comercial, mas se posicionar na Sociedade do Conhecimento, a que vivemos hoje”, explica Rego Gil, da CPM.

Outro problema levantado por empresários são as altas taxas de impostos e as severas leis trabalhistas no Brasil, que elevam o preço dos serviços. “Um programador custa o mesmo preço aqui e na Índia, a diferença é que pagamos muito mais encargos”, protesta Gil.
“Não é um problema só do governo, mas também de empresários, que têm de ser mais agressivos e investir em certificação, e da sociedade, cujos filhos devem dar a devida importância à tecnologia”, concluiu o executivo. 
 

PUBLICIDADE
Anterior IBM doa conteúdo para desenvolvimento de software de código aberto
Próximos Para Gil, governo precisa definir melhor demandas para a TV digital