Esperança para a tecnologia nacional


26/08/2005 – A nomeação de Roberto Pinto Martins, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, para a presidência do Conselho do Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), publicada ontem no Diário Oficial, deve representar um alento para a direção do CPqD e para empresas e grupos acadêmicos envolvidos no desenvolvimento de projetos apoiados …

26/08/2005 – A nomeação de Roberto Pinto Martins, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, para a presidência do Conselho do Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), publicada ontem no Diário Oficial, deve representar um alento para a direção do CPqD e para empresas e grupos acadêmicos envolvidos no desenvolvimento de projetos apoiados por recursos do Fundo. Com larga experiência em questões relacionadas ao desenvolvimento local de tecnologia e à política industrial, Martins conhece a relevância dos investimentos em P&D para o desenvolvimento do país. E sabe que o constante atraso no repasse dos recursos, que marcou o ano de 2004 e escorregou para 2005, pode representar um golpe fatal para o desenvolvimento dos projetos, atingindo irremediavelmente a sua base de sustentação: a equipe técnica. Embora a política de contenção de custos implementada pelo CPqD, desde o ano passado, não tenha incluído demissão de pessoal, as dificuldades enfrentadas, de domínio público, levaram à saída voluntária de muita gente. Mais de cem técnicos trocaram a instituição por outras alternativas de trabalho. E as vagas não foram preenchidas.

Com R$ 41 milhões de seus recursos orçamentários e dos convênios que mantém com a Finep, agente de repasse dos recursos do Funttel, atrasados em 2005, o CPqD, além de cortar despesas, viu-se obrigado a suspender o repasse para cerca de 30 grupos de pesquisa de universidades que participam dos projetos. O mais atingido foi o projeto Giga, a rede de altíssima velocidade que integrará universidades em vários pontos do país. “Continuamos trabalhando nesse projeto, mas em ritmo lento”, diz Hélio Marcos Graciosa, presidente do CPqD.

Para não comprometer um de seus mais importantes projetos, o Converte, de desenvolvimento de softwares para a rede de nova geração da infra-estutura de comunicações (NGN), o CPqD teve que cobrir o buraco com recursos próprios: R$ 28 milhões. Mas o caixa está no fim. E o projeto não pode parar, sob pena de o país perder a corrida na única área de fronteira do mercado de telecomunicações que conta com tecnologia própria. O Converte é um projeto desenvolvido para a Trópico, empresa que tem como sócios a Promon (60%), o CPqD (30%) e a norte-americana Cisco (10%).

Pão e água
A gestão Eunício Oliveira tratou os projetos do Funttel, todos eles aprovados por seu Conselho com fluxo de recursos definido em contrato, a pão e água. O Converte, por exemplo, não recebeu as parcelas de R$ 12 milhões cada, vencidas em agosto/2004, fevereiro/2005 e agosto/2005. Por exigência do governo Lula para conceder o financiamento, via Funttel, para a continuidade do desenvolvimento da rede NGN, batizada de família Vectura, a Trópico viu-se obrigada a transferir a tecnologia e grande parte equipe de desenvolvimento para o CPqD. O financiamento total é de R$ 73 milhões e a tecnologia transferida para o CPqD, resultado de quatro anos e meio de investimentos em desenvolvimento, foi avaliada por consultoria contratada pela Finep em R$ 101 milhões.

A do projeto Converte, no ritmo de inovação demandado pelo mercado, depende, agora, do bom-senso do novo comando do Ministério das Comunicações e de outras áreas do governo. A rede NGN da Trópico não é uma promessa de futuro. Seu maior contrato é com a Telemar, para a qual está fornecendo nove plataformas Vectura com a função de servidor de sinalização, que permite trocar informações entre centrais sobre origem e destino da chamada, categoria do assinante, etc. E processar essas informações para cada assinante. Os servidores instalados no Rio e em Natal estão em operação e, no Estado do Rio, está fazendo, entre São Gonçalo e Niterói, a bilhetagem das chamadas locais, exigência dos novos contratos de concessão que passam a vigorar a partir do ano que vem. Para a Telefônica, a Trópico forneceu duas softswitches, em 2003, e, recentemente, quatro servidores de sinalização. No momento, a Trópico negocia com a Cisco a inclusão, em seu portfólio de produtos, para comercialização no mercado internacional, de soluções inovadoras da família Trópico.

Depois de ver seu faturamento despencar de quase R$ 300 milhões, em 2000, para R$ 2,1 milhões, em 2002, com o fim da demanda, pelas operadoras, das centrais baseadas em comutação por circuito, a Trópico voltou a conquistar mercado com desenvolvimento de software para adição de novas funcionalidades às plataformas tradicionais e com os produtos para as redes de nova geração. Em 2003, faturou R$ 21 milhões; em 2004, R$ 24 milhões. “Este ano, devemos chegar aos R$ 50 milhões”, prevê Raul Del Fiol, presidente da empresa.

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