shutterstock_Deniseus_cidade_digital_banda_larga_telefonia_fixaEm setembro de 2017, a Telefónica passou 18,6 milhões de instalações com fibra na Espanha, tornando-se a maior rede FTTH da Europa. No total, a Espanha conta com uma planta de 31 milhões de domicílios e empresas conectados com fibra óptica, mais do que França, Alemanha, Reino Unido e Itália combinados. E, no âmbito da OCDE, só é superada pela Coreia e Japão. Até 2016, cerca de 63% das famílias espanholas tinham acesso a banda larga ultra-rápida.

O estudo de caso da Espanha vem inspirando estudiosos, analistas e executivos do setor a cobrarem da Comissão Europeia novas diretrizes em relação à implantação de redes de ultrabanda larga em seu território. Recentemente, CEOs de empresas de telecomunicações da região endereçaram um comunicado aos líderes europeus solicitando a revisão do Código Europeu de Comunicação Eletrônica no sentido de conduzi-lo ao espírito original da Sociedade Gigabit da Europa e seus planos de incentivar o investimento baseado na competição. Política que, de acordo com o comunicado dos executivos, funcionou bem na Espanha.

Segundo matéria publicada no site da Telefónica, a Espanha saltou do último lugar, em 2008, para o primeiro lugar, em 2014, na ranking europeu de implantação de rede FTTH. “Investir bilhões de euros em redes de fibra de última geração durante a crise financeira não era uma escolha óbvia para a Telefónica ou seus pares. A recessão reduziu o PIB do país em quase um décimo entre 2008 e 2013 e mais de um quarto da força de trabalho estava procurando um emprego”, diz o artigo, mas investir em fibra foi o caminho adotado pelas operadoras que atuavam no país como forma de transformar seus serviços.

Para isso, houve uma contribuição importante da regulamentação espanhola, que promoveu o investimento e a concorrência, criando incentivos para que os operadores lançassem redes de fibra. A Telefónica, avalia a empresa, não foi obrigada a permitir que outros provedores acessassem sua rede a velocidades acima de 30 megabits por segundo, o que significava que outros operadores teriam que lançar suas próprias redes para competir por serviços de banda larga.

Ao mesmo tempo, os operadores tiveram acesso à infraestrutura civil de alta qualidade necessária para conectar a fibra às casas. Isso incluiu caixas de entrada, dutos, postes e acesso a edifícios, bem como uma obrigação para os proprietários fornecerem acesso à infraestrutura de fibra incorporada. A disponibilidade dessa infraestrutura foi um diferencial chave na Espanha.

Compartilhamento

Na esteira dos investimentos da Telefónica em fibra, vieram as redes de outros concorrentes e, depois, o processo de consolidação. Em 2013, a Jazztel chegou a um acordo para liberar fibra em conjunto com a Telefónica. A Vodafone e a Orange começaram a investir em suas próprias redes de fibra. A Vodafone finalmente comprou o operador de cabo Ono, e a Orange comprou o Jazztel.

Recentemente, a Telefónica chegou a um acordo comercial de venda no atqacado com a Vodafone na Espanha. Através deste acordo, a Vodafone poderá acessar a fibra da Telefónica, não só em certos municípios que estão sujeitos à regulação, mas também em outros onde a Telefónica não possui obrigações de acesso à fibra por atacado.

Esta abordagem baseada no mercado poderia ser aplicada em outros lugares e contribuir para o debate atual sobre o Código Europeu de Comunicações Eletrônicas, que visa incentivar o investimento em redes super rápidas, diz o boletim da Analysys Mason & IDATE. A Europa perdeu a vantagem tecnológica que teve na década de 1990 e corre o risco de cair mais com a chegada dessa última onda, o que poderá ver bilhões de novos dispositivos inteligentes conectados à internet. (Com noticiário internacional)