Escolha pelo IBOC será apressada e sem comprovações técnicas


Caso o governo escolha, até o final do ano como querem os radiodifusores, o padrão americano IBOC (In-band on channel) para a rádio digital no Brasil, estará tomando uma decisão prematura e pouco embasada tecnicamente. Até agora, ainda não se conhece o resultado dos testes que vêm sendo feito pelas 15 emissoras AM e FM …

Caso o governo escolha, até o final do ano como querem os radiodifusores, o padrão americano IBOC (In-band on channel) para a rádio digital no Brasil, estará tomando uma decisão prematura e pouco embasada tecnicamente. Até agora, ainda não se conhece o resultado dos testes que vêm sendo feito pelas 15 emissoras AM e FM com o padrão americano. É necessário verificar, especialmente, o desempenho do IBOC em cidades com topografia acidentada ou nas quais o espectro de freqüência é muito poluído, como é o caso de São Paulo, que tem o maior número de rádios do país.
As ponderações são feitas pelo professor Humberto Abdalla, diretor da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB) e um dos coordenadores do único projeto-piloto, integrado também pela Radiobrás e Rádio Senado, criado até agora para testar o padrão europeu DRM (Digital Radio Mondiale) no Brasil. “Não está provado que o IBOC é o melhor sistema para o Brasil. É muito cedo para tomar uma decisão técnica, os resultados têm que ser analisados e colocados em consulta pública para que todos os interessados saibam como foi o desempenho do padrão americano”, analisa o professor.

Abdalla contesta a afirmação do presidente da Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV), Daniel Slaviero, de que os testes mostraram que o DRM é falho e tem problemas com a robustez do sinal. Segundo o professor, os dados coletados estão sendo processados e ainda não há conclusões. Ele também nega que apenas o IBOC permita a transmissão analógica e digital na mesma faixa. Todos os padrões permitem. A diferença é que o DRM não tem proposta tecnológica para as emissoras FM, apenas para as AM e ondas curtas

Testes
Os testes com o DRM foram feitos entre julho e agosto deste ano na faixa de 26 MHz, apenas para transmissões em ondas curtas (que atingem longas distâncias), por meio de um canal digital concedido pela Anatel. A intenção era verificar o desempenho do padrão europeu no que diz respeito à qualidade da potência do sinal e a utilização correta da faixa de freqüência, entre outros pontos.

“Fizemos o testes em várias radiais (direções) para zonas urbanas e rurais. Um teste para ter validade é preciso ser feito várias vezes e ainda não temos conclusões”, explicou Abdalla.

Mas o  professor conta que os testes apresentaram um inconveniente. Segundo ele, como há poucas emissoras ocupando a faixa de 26 MHz não foi possível verificar a interferência provocada pelas transmissões em rádios que operam em sinal analógico. “E isso é importante porque, mesmo depois da adoção do padrão digital, milhares de receptores (o mercado estimado é de 200 milhões) permanecerão analógicos por um bom tempo e não será admitido que eles sofram interferência no sinal”, destacou.

Na avaliação do professor, diferentemente da TV digital, não será economicamente viável agregar um conversor digital ao rádio, porque vai encarecer muito o preço do aparelho, que, devido ao baixo custo, pode ser comprado pela maioria da população brasileira.
 

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