Escolas públicas e o fosso digital


A conclusão da votação do Orçamento Geral da União deste ano, que destina exatos R$ 10,588 milhões para o Fust (Fundo de Universalização das Telecomunicações), dos quais R$ 7,3 milhões prometem ser utilizados pelo Ministério das Comunicações em programas para portadores de deficiência, deixa, mais uma vez, uma grande frustração para aqueles que imaginam a construção de um país calcada na sociedade do conhecimento.

Embora a atual proposta do ministério tenha méritos – com tão pouco recursos, decidiu aplicá-los em um programa de importante alcance social e de menor clientela – o fato é que, se efetivamente houvesse vontade política do governo federal, uma grande quantia de recursos do Fust (que já somam mais de R$ 5 bilhões) poderia ser canalizada para projetos bem mais ambiciosos e socialmente relevantes. Mesmo com todos os problemas provocados pela lei que criou o Fust (e que não permite, por exemplo, que se utilize o dinheiro para fazer chegar a banda larga às escolas públicas), se houvesse disposição para liberar mais verbas, seria possível reverter o perverso quadro enfrentado pelas escolas públicas brasileiras.

Um detalhado estudo elaborado por Israel Bayma, da subchefia de análise e acompanhamento de políticas governamentais da Casa Civil, demonstra o fosso digital a que estão expostas nossas gerações.

Conforme o estudo, existem hoje 174.901 escolas públicas no país. Desse total, nada menos do que 70,3% não têm um computador sequer. Das poucas que têm o equipamento, 77% estão concentradas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Ainda mais dramático é que, dessas 51.927 escolas com computador, apenas 15% têm conexão à internet. E, banda larga mesmo, só nas 2.288 escolas atendidas com pontos Gesac. As demais 23.526 escolas acessam à internet pela tradicional e lenta linha discada.

Como se não bastasse, apenas 51% do total das escolas públicas brasileiras podem dispor do simples aparelho telefônico. Ou seja, apenas 88.887 instituições de ensino do país podem, pelo menos, se comunicar com o mundo exterior.
 
Esses números falam por si só. Se este é mais um ano perdido, quem sabe no próximo governo “caia a ficha” e os futuros dirigentes da Nação resolvam, efetivamente, implementar políticas públicas de inclusão digital. O dinheiro existe. Só falta a política.  

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