Escala, preços baixos e melhor sinal são as ofertas do ATSC para a TV digital


Economia de escala, com custo menor para a fabricação e venda de receptores (TVs e conversores de sinais), incremento nas exportações brasileiras, financiamentos para compra de equipamentos e para o desenvolvimento de pesquisas, melhor robustez no sinal transmitido e a oferta de aplicativos de interatividade. Essas são as principais ofertas que os americanos têm a …

Economia de escala, com custo menor para a fabricação e venda de receptores (TVs e conversores de sinais), incremento nas exportações brasileiras, financiamentos para compra de equipamentos e para o desenvolvimento de pesquisas, melhor robustez no sinal transmitido e a oferta de aplicativos de interatividade. Essas são as principais ofertas que os americanos têm a aprentar ao governo brasileiro nas negociações para a implantação da TV digital no Brasil.

Em meio às sinalizações de que o padrão americano seria o com menores chances de ser escolhido, as qualidades do ATSC foram defendidas hoje, 23, mais uma vez, por Robert Graves, presidente do ATSC Fórum em apresentação sobre aplicativos de interatividade desenvolvidos com o Acap (Advanced Common Application Platform) — padrão de middleware adotado pelo ATSC —  pela institução de pesquisa nacional FiTec Inovações Tecnológicas tendo, como foco, a TV digital brasileira. Essas demonstrações serão feitas hoje e amanhã para integrantes do governo brasileiro, em Brasília. Foram convidados representantes dos ministérios das Comunicações, Casa Civil, Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, entre outros. Na quarta e quinta-feira, as mesmas demonstrações serão feitas em São Paulo.

Para Graves, a economia de escala oferecida pelo ATSC e o baixo custo dos terminais são argumentos de peso em favor do padrão americano. Além dos Estados Unidos, o padrão também foi adotado no Canadá, México e Coréia do Sul. Nos Estados Unidos, a previsão é de que a transição da tecnologia analógica para a digital esteja concluída em março de 2009. Até lá, a estimativa é de que 152 milhões de aparelhos de TV digital tenham sido vendidos naquele país, o que provocará a redução dos preços dos produtos. Hoje, segundo Graves, já é possível encontrar conversores a venda por US$ 89 e a expectativa é que esse valor caia para US$ 50, em 2008. “Um receptor de baixo custo pode promover a inclusão social no Brasil”, destaca. Televisores em definição padrão já são vendidos, nos Estados Unidos, a US$ 299 e em alta definição, a US$ 499.

Caso o Brasil, que os americanos consideram o mercado mais importante da América do Sul, adote o ATSC será possível ter um padrão único nas Américas, o que dará ganho de escala na compra de produtos e poderá transformar o Brasil em pólo exportador de equipamentos para os demais países, avalia o defensor do ATSC.

Além disso, os americanos acenam com US$ 150 milhões de recursos para aplicações em pesquisa e desenvolvimento na área de TV digital que poderão ser ofertados pela agência do governo OPIC (Overseas Private Investment Cooperate). Esses recursos poderão ser usados por empresas americanas no Brasil ou por joint-venture entre empresas dos dois países. Graves frisou que o Ex-Im Bank (Export Import Bank) também estaria disposto a ofertar financiamentos para que empresas brasileiras comprem equipamentos para transmissões digitais nos Estados Unidos. Esses financiamentos teriam baixo custo, a taxas anuais de 3% a 4%, e entre cinco e sete anos para pagamento.

Na avaliação de Graves, o governo brasileiro não está dando a devida atenção ao problema de cobertura e potencia de sinal apresentado pelos padrões europeu (DVB) e japonês (ISDB-T). Ele informou que testes feitos na Inglaterra demonstraram que, nas recepções in door, a falha do sinal nos dois padrões ocorrem em distâncias menores do que as cobertas pelo ATSC. “O sistema deles precisa de 2,5 mais potência do que o nosso”, afirmou.

Anterior TV digital: troca de ministros excluiu padrão chinês
Próximos “Problema com portabilidade não é motivo para sermos descartados”, afima presidente do ATSC.