Ericsson quer evitar vantagem a produto nacional no leilão da faixa de 2,5 GHz


O presidente da Ericsson para América Latina e Caribe, Sérgio Quiroga, externou nesta segunda-feira (5) ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a preocupação da empresa m relação à inclusão, no edital da faixa de 2,5 GHz, prevista para ser leiloada em abril do próximo ano, da obrigatoriedade de uso pelas operadoras de 30% de equipamentos nacionais. Esta exigência já faz parte da proposta do edital da frequência de 3,5 GHz e tem gerado polêmica em diversos setores.

 

Segundo Quiroga, o interesse da Ericsson é de trazer para o Brasil o que há de melhor na tecnologia da quarta geração de telefonia móvel, mercado que a empresa já detém participação mundial de 40%. Ele disse que acredita que 2012 será o ano da 4G no Brasil, mas a exigência contida na proposta de edital cria reserva de mercado, o que é prejudicial para o desenvolvimento da produção nacional.

 

A preocupação da Ericsson, que mantém no Brasil uma das quatro fábricas existentes no mundo e um centro de pesquisa, é que seus produtos não são considerados nacionais, porque não se enquadram na Portaria 950/2006, que regula o desenvolvimento de produtos nacionais referente à Lei de Informática.

 

Pela norma, para ser considerado nacional tem que ser desenvolvido integralmente no país, enquanto o centro de P&D da Ericsson instalado no Brasil trabalha integrado com outros 15 centros da indústria existentes no mundo. Para Quiroga, a política mais acertada é privilegiar apenas os produtos com PPB (Processo Produtivo Básico).

 

“Não é possível que a empresa, que já investiu R$ 1 bilhão no Brasil em P&D nos últimos 10 anos seja excluída por causa dessa reserva de mercado”, reclamou. Ele disse que no último ano, a empresa aumentou sua produção no país em 90% e exportou 50%, com base apenas no PPB. Mas admitiu a possibilidade de a empresa se adaptar às regras que vierem a ser estabelecidas. “Nós não entramos para perder”, ressaltou.

O vice-presidente de marketing e estratégia da Ericsson, Lourenço Coelho, disse que a empresa é contrária a que se faça política de desenvolvimento por meio de política de compra privada. “Se o governo exigir que a Telebras privilegie os produtos nacionais, não concordamos, mas entendemos, mas estender essa exigência para a iniciativa privada é reserva de mercado”, disse.

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