Ericsson cresce 12% no Brasil e inova em aplicações para IPTV e IMS


Um ano após o anúncio da reorganização mundial, quando a Ericsson do Brasil deixou de ser uma subsidiária e passou a ser parte do mercado América Latina (uma das dez unidades criadas no modelo de regionalização), a empresa comemora um crescimento de 12% no país e a conquista de novos clientes. Com um faturamento local …

Um ano após o anúncio da reorganização mundial, quando a Ericsson do Brasil deixou de ser uma subsidiária e passou a ser parte do mercado América Latina (uma das dez unidades criadas no modelo de regionalização), a empresa comemora um crescimento de 12% no país e a conquista de novos clientes. Com um faturamento local perto de R$ 2 bilhões, a companhia sueca ampliou os investimentos em inovação e, em uma parceria com o governo de Minas Gerais, está desenvolvendo aplicativos para IPTV e IMS (IP Multimedia Subsystem). Duas tecnologias-chave para o futuro da televisão digital e da integração das telefonias fixa e móvel, que levarão soluções multimídia para TVs, computadores e telefones. “Esses aplicativos são usados por todos os clientes da Ericsson no mundo, não só no Brasil”, informa Eduardo Ricotta, vice-presidente da unidade Brasil (cargo oficialmente chamado pela empresa de Head of Customer Unit Brazil). Em IPTV, a Ericsson é provedora da plataforma em implementação na rede da GVT, que vai lançar os serviços neste ano.

Na área de inovação, a unidade brasileira está também desenvolvendo um piloto para a indústria de energia, conta o executivo. Ricotta está na Ericsson desde 1993 – já trabalhou em unidades da companhia na Europa, América Latina e América do Norte. No atual cargo, responde pelo atendimento de todas as operadoras e do mercado corporativo. Além disso conduz, junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia, um processo para que os equipamentos de sua linha de transmissão, produzidos na fábrica de São José dos Campos, sejam reconhecidos como tecnologia nacional, o que colocará a empresa como um importante player nas licitações do Plano Nacional de Banda Larga.

Tele.Síntese – Como ficou a Ericsson no Brasil, após a reestruturação anunciada há um ano?
Eduardo Ricotta Acho que os números mostram isso muito bem. Tivemos um crescimento, no ano passado, de 12% nas vendas, bem acima da média do mercado. A reestruturação está completando um ano. Foi quando eu assumi a posição de Head of Customer Unit Brazil. Na época, foram criadas dez regiões, mundialmente, em substituição às 23 que havia antes, chamadas de market units. A América Latina é uma das dez regiões e, dentro da América Latina, os mercados foram divididos em sete. Brasil e México são mercados isolados, pelo tamanho. Há, ainda, o Caribe (que compreende todos os países do Caribe); North, que compreende Panamá, América Central e Colômbia; tem South, que é Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai; e Pacífico, onde tem Chile, Peru e Equador; e por último, a Venezuela. É uma forma diferente de operar das outras Customers Units.

Tele.Síntese – O crescimento de 12% foi puxado por quais segmentos?
Ricotta Por novos negócios. Todo tipo de solução relacionada à internet, tanto na banda larga móvel como na fixa. Crescemos também na área de serviço e em dimensões de cliente. Para a GVT, por exemplo, estamos fazendo um projeto muito grande, que é o projeto de IPTV. Tivemos negócios novos, também.

Tele.Síntese – No projeto da GVT, vocês são responsáveis pela infraestrutura (a plataforma DTH) e pelos serviços?
RicottaExatamente. Como já anunciado pelo presidente da GVT (Amos Genish), o IPTV será lançado no meio do ano. O que eles querem é propor ao usuário final adicionar TV no pacote que a GVT oferece para os clientes. Nós fornecemos o equipamento, a maioria da Tandberg Television, que foi adquirida pela Ericsson. Fazemos a customização de rede e as adaptações necessárias; a solução para o set-top-box que vai na casa do usuário. Estamos preparando a GVT para operar esses equipamentos, trazendo especialistas de fora do Brasil para ajudá-los a montar a área operacional. É um trabalho desafiador porque é uma área diferente. O IPTV é mais novo. Temos também projetos de serviços que ganhamos no ano passado, como da Telefônica.

Tele.Síntese – São serviços de operação e manutenção?
Ricotta Sim, operação e manutenção de rede. O NOC (centro de operações de rede) da Telefônica também é operado pela Ericsson. Tudo isso aconteceu no ano passado. Então, o crescimento é basicamente nesses negócios.

Tele.Síntese – A Ericsson, como todas as empresas do segmento em que atua, tem crescido em serviços. No caso de vocês é basicamente operação e manutenção ou a empresa está focando também o mercado de soluções, com a convergência de TI / telecom?
RicottaA maior parte dos serviços é operação e manutenção, onde a Ericsson é muito forte. É onde teve o maior crescimento. Mas, obviamente, temos alguns serviços adicionais, como na banda larga, que é muito diferente numa rede 3G e numa rede GSM. Isso requer um nível de serviço diferenciado porque, no GSM 2G, você tem voz basicamente; quando vai para o mundo 3G tem muitas variáveis – tem voz, vídeo, dados, então, o serviço de otimização de rede aumenta. Para as operadoras melhorarem a qualidade, precisam de um serviço diferenciado. Temos crescido muito também nessa área.

Tele.Síntese – Nos novos negócios conquistados em 2010, há algum segmento novo ou os clientes, basicamente, continuam sendo as operadoras móveis e fixas?
RicottaSim. Estamos fazendo um piloto mundial da Ericsson, de indústrias verticais para empresas de gás e óleo, energia. São três pilotos no mundo, um é no Brasil. Temos um grupo de soluções e vendas atendendo essas verticais e se o piloto for bem aqui no Brasil, provavelmente vamos estender para o mundo inteiro. Acreditamos muito na área de gás e na indústria de energia.

Tele.Síntese – Entre os clientes corporativos, vocês já atendem empresas como a Petrobras?
RicottaSim, já temos, mas agora, nesse reposicionamento, estamos entrando com uma gama diferente de soluções. Por exemplo: na otimização das redes IP, a Ericsson possui a solução smart edge (que permite múltiplas funcionalidades na borda das redes para a oferta de novos serviços) e smart grid (as chamadas redes inteligentes; que é a aplicação de tecnologias da informação e comunicação para o sistema elétrico com o objetivo de otimizar o consumo, a operação e o desempenho da rede de energia). Temos clientes como Copel, para os quais a Ericsson provê mais soluções de transmissão e, agora, estamos entrando mais numa outra parte, colocando mais inteligência nas soluções.

A estratégia global da Ericsson se baseia na crença de que vamos ter 50 bilhões de conexões em 2020, mundialmente. No Brasil, estimamos 5 bilhões de conexões. Estou falando de conexões entre coisas: machine-to-machine, celular, carro… Nós acreditamos que algumas verticais vão proporcionar esse crescimento. Por isso estamos fazendo os pilotos. Aqui no Brasil, em Curitiba, já temos um projeto implementado com a empresa de transportes que opera na cidade, que é o Ônibus Conectado. São dois mil ônibus e 500 pontos, todos com modem 3G, é isso que chamamos de coisas conectadas. Isso se aplica a frota e à segurança. Na segunda fase do projeto vamos colocar vídeo, usando a banda larga móvel. O vídeo será conectado a central de atendimento da polícia. A ideia é levar isso para outras cidades. Acredito que aí é que está o grande potencial da banda larga – e não só em domicílios e celulares. Por isso, acreditamos nos 50 bilhões e isso vai gerar um tráfego muito grande nas redes existentes. Eu acredito que o LTE é um complemento para esse tipo de solução.

Tele.Síntese – Por falar em LTE, vocês já estão fazendo algum trial no Brasil?
Ricotta Temos dois trials na América Latina, um com a Entel, no Chile; e, o outro com a Personal, na Argentina. A intenção é fazer aqui no Brasil também, mas aqui ainda estamos em fase de discussão com as operadoras.

Tele.Síntese – Como a Ericsson vê o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga)?
RicottaEstamos participando das licitações que a Telebrás está fazendo. A Ericsson tem um diferencial grande em relação a outras empresas, porque temos uma fábrica instalada no Brasil há 55 anos, centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil; temos uma parceria com o governo de Minas Gerais com investimento de R$ 16 milhões em um centro de P&D para IPTV e IMS (IP Multimedia Subsystem). Entre funcionários e colaboradores somos mais de 5 mil, só no ano passado contratamos 1.500 profissionais…. Portanto, temos uma presença forte localmente que vai de encontro com os planos do governo até para fomentar a inovação.

Tele.Síntese – Que aplicativos estão sendo desenvolvidos no centro?
Ricotta O centro já está em operação, em Santa Rita do Sapucaí, através do Inatel; e em Belo Horizonte, via Fitec. Estamos desenvolvendo aplicativos, e fazendo customização de software. Esses aplicativos são usados por todos os clientes da Ericsson no mundo, não só no Brasil. Isto se aplica tanto no IMS como no IPTV. O IPTV no Brasil está mais avançado que o IMS mas acreditamos que são duas coisas que vão ocorrer. Temos 52 pesquisadores nessa área, por dois anos, e depois a parceria vai se renovando.

Tele.Síntese – Além desse centro para o desenvolvimento de aplicativos, a Ericsson tem o centro de P&D de Indaiatuba e uma fábrica em São José dos Campos. Com essa infraestrutura a companhia se qualifica para atender a MP 417, que dá prioridade para aquisição de produtos com tecnologia nacional no PNBL?
Ricotta Ainda não. Para que a gente entre com tecnologia nacional há um processo dentro do Ministério da Ciência e Tecnologia. Nós temos esses projetos e estamos seguindo a tramitação. É um processo mais demorado, temos conversado com o governo. Uma vez que seja completado o ciclo de avaliação pelo governo, aí teremos o aval de ter tecnologia nacional para uma gama de produtos.

Tele.Síntese – Que produtos integram esse processo, encaminhado ao governo?
Ricotta Basicamente estou falando da nossa linha de transmissão que já produzimos no Brasil, principalmente rádios (PDH e SDH).

Tele.Síntese – Na fábrica, em São José dos Campos, como está a produção?
Ricotta Toda fábrica tem a questão da escala. É preciso ter uma escala cada vez maior, inclusive para ter um custo melhor de produção e isso vem de encontro com o PNBL. A gente espera que o PNBL nos ajude a viabilizar ainda mais a fábrica no Brasil. Essa unidade sempre foi uma exportadora para a África, devido a proximidade de línguas, Angola principalmente. Mas hoje já abastece o Mercosul e os Estados Unidos. Nós só temos três fábricas no mundo, uma delas no Brasil. Estamos produzindo aqui quase toda a linha de transmissão, centrais de comutação, equipamentos para o core de rede, toda a linha de acesso 2G e 3G e, agora, colocamos uma nova linha de produção baseada na RBS 6000 (radio base station), que proporciona, no mesmo equipamento, 2G, 3G e LTE. As três tecnologias em uma única solução, o que minimiza os investimentos dos operadores. Outra vantagem é que permite migrações de tráfego. Por exemplo: a migração do TDMA para GSM foi muito mais sofrida do ponto de vista do investimento, de custo, do que a do GSM para o 3G e do 3G para o LTE, porque com essas soluções você consegue ter tudo num hardware só e vai migrando. Se o tráfego GSM diminui, vai passando esse tráfego para o 3G. Se, no 3G vai reduzindo, vai passando o tráfego para o LTE. É uma garantia de investimento para as operadoras no longo prazo.

Tele.Síntese E o mercado corporativo no Brasil, como está?
Ricotta Eu acho um ótimo mercado. Hoje, estamos mais focados na linha de transmissão no mercado corporativo, principalmente nas empresas de energia, que demandam transmissão. Com esse piloto queremos viabilizar uma área que poderá fazer projetos especiais para qualquer empresa, de qualquer vertical, projetos que são conectados com a banda larga móvel. Entra smart grid, etc. Pode aplicar em ônibus, em frotas, principalmente em transporte, que demanda muito, em estoque, na segurança pública, e nos grandes eventos esportivos que o país vai sediar, como a Copa do Mundo. Temos vários projetos em discussão com vários grupos que, provavelmente, devem usar a solução da Ericsson. Na segurança, haverá necessidade de projetos especiais e, com certeza, vamos disputar um pedação desse mercado. Eu acredito muito no mercado enterprise, de verticais. Foco em grandes empresas e em soluções customizadas. Estamos procurando as melhores soluções para o momento conectado pela banda larga.

Voltando ao caso de Curitiba, a solução verifica, por exemplo, peso do ônibus. Quando está lotado, o peso aumenta muito, então, o sistema dispara um alarme para o centro de gestão, o operador fica sabendo que o ônibus, da linha tal, está cheio, e libera um segundo ônibus da garagem para atender aquela linha. Eu acredito muito nesses projetos de verticais, que aumentam muito o tráfego máquina para máquina.

Tele.Síntese – Como você avalia o mercado de banda larga no Brasil?
Ricotta Eu vejo em três fases o que estamos passando. A primeira fase foi quando as operadoras lançaram a banda larga móvel. A oferta se baseava num valor flat fee, ou seja, você paga R$ 50 e vai ter banda larga à vontade. É uma estratégia boa para o lançamento mas complicada no longo prazo, porque é igual a história do condomínio, onde a água não é individual. Acaba todo mundo gastando mais e o custo é dividido por todos. O que a gente vê em outros mercados é que 70% das pessoas pagam mais que utilizam e 30% se beneficiam. Quando se passa para a segunda fase, surgem soluções que permitem pagar o que é justo, paga-se pelo que utiliza e paga baseado na qualidade. Eu enxergo o mercado brasileiro nesse momento. Nos Estados Unidos, a AT&T está lançando a banda larga fixa no modelo que chamamos de caps na rede, ou seja, a operadora coloca um teto e, quando o cliente atinge esse teto ela reduz a velocidade ou cobra mais. É um movimento que tem mais na rede móvel, mas terá também na fixa. E a terceira onda é mais uma onda que tem um movimento chamado upstream. Acredito que as operadoras terão que fazer um movimento, que já começou em algumas partes do mundo, de fazer soluções em conjunto com prestadores de serviço. Por exemplo: pega uma operadora, ela se conecta com uma corporação grande e faz um aplicativo customizado; acho que é um mercado que vai crescer bastante e é conectado com esses 50 bilhões de conexões sobre o qual estamos falando.

Tele.Síntese – A aquisição da Nortel foi concluída? Quais os resultados, as sinergias com a incorporação da divisão de comunicações móveis da Nortel?
Ricotta Foi um excelente negócio e adquirimos também a parte do core. Tem muito equipamento Nortel no core de rede das operadoras aqui. Isto não estava no acordo feito anteriormente pela Ericsson e, com isso a gente aumenta ainda mais as oportunidades no Brasil.

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