Enterprise, a próxima unidade Siemens a ser negociada.


Antes da desmobilização da área de terminais celulares, vendida à BenQ no ano passado, a Siemens se associou à Fujitsu, em partes iguais, no segmento de computadores; e, em idêntico formato, na unidade de linha branca, à também alemã Bosch. “Todas inciativas de sucesso”, avalia Aluizio Byrro, vice-presidente de telecomunicações da subsidiária brasileira da Siemens. …

Antes da desmobilização da área de terminais celulares, vendida à BenQ no ano passado, a Siemens se associou à Fujitsu, em partes iguais, no segmento de computadores; e, em idêntico formato, na unidade de linha branca, à também alemã Bosch. “Todas inciativas de sucesso”, avalia Aluizio Byrro, vice-presidente de telecomunicações da subsidiária brasileira da Siemens. O próximo passo, informa, será a área de enterprise, para a qual a Siemens vai procurar solução semelhante, seja por meio de fusão ou outro tipo de negociação. “É certo que a Siemens não ficará sozinha nesse segmento”, garante Byrro.

No caso da Nokia Siemens Networks, as negociações entre as indústrias alemã e finlandesa vinham ocorrendo há alguns meses e, ainda no começo deste ano, a imprensa internacional chegou a levantar a hipótese de que algo se daria entre as duas mega empresas, sobretudo após a aquisição da Lucent pela Alcatel, aliás, precedida pela compra da Marconi pela Ericsson. Byrro diz que não dava para falar nada antes de concluídos os acertos. “É uma operação pesada, um negócio maior do que o de terminais com a BenQ”, observa ele.

Pressões

De acordo com o executivo, toda empresa está sempre analisando possíveis cenários – venda, associação, aquisição. No caso particular da Siemens, a questão era a situação da área de telecom em um conglomerado tão grande como o alemão. “Era grande a pressão dos acionistas, a erosão de preços, a necessidade de investimentos permanentes. Deveríamos continuar sozinhos no segmento, ou partir para trabalhar com outros? Ou criar outra empresa, como fizemos com a Osram, fábrica de lâmpadas 100% Siemens?”, conta Byrro.

De fato, a associação com a Nokia e o futuro próximo da unidade enterprise não deveriam surpreender quando são lembradas as palavras de Klaus Kleinfeld, principal executivo (CEO) da Siemens, na apresentação dos resultados do último ano fiscal, em novembro de 2005. Ele disse, então, que a direção da companhia estava “insatisfeita” com o desempenho do grupo Com: “nossos resultados foram muito prejudicados pelas unidades de serviços (SBS – Siemens Business Services) e Com”.

Essas duas divisões foram as duas únicas das 12 unidades de negócios existentes (hoje, 11) que não estavam conseguindo manter uma trajetória condizente com a meta estabelecida para o fim do ano fiscal de 2007, a de atingir margem entre 8 e 11%.

Competição

Ainda no começo do ano, analistas ponderavam que a competição vinha se intensificando tanto pela diminuição do número de grandes clientes cujo poder de barganha aumentava cada vez mais, como pela força de empresas chinesas como a Huawei e a ZTE, que não só concorrem com preços agressivos, como com enorme leque de ofertas. Diziam, também, que a Siemens procurava meios de melhorar o seu desempenho financeiro, tentando encontrar um novo posicionamento para seu grupo de negócios de comunicações – uma solução que pudesse conciliar, da melhor maneira, fatores políticos, financeiros, culturais e técnicos.

A Nokia se encaixa nesse perfil. “Tínhamos que nos juntar com alguém forte em um negócio com futuro”, comenta Byrro, acrescentando que a associação é entre duas empresas européias, portanto com culturas mais próximas. A seu ver, o grande desafio da joint é aproveitar todos os pontos fortes e eliminar os fracos, sem perder o foco nos clientes, nos negócios e no mercado.

Para o executivo, o setor de telecom adquiriu um dinamismo cada vez mais próximo ao da tecnologia da informação (TI), onde tudo acontece com rapidez. “Quem não agir rápido, morre!”, sentencia. Assim como acontece entre os clientes operadoras, cada vez menos grandes compradores com poder de barganha crescente, o setor de redes públicas tem três grandes atores: Alcatel-Lucent, com 17% de market share; Ericsson-Marconi, com idêntica participação; Nokia-Siemens, com 16%. O quarto colocado no mercado mundial é a Nortel, com 8%. Nesse cenário, ou a Siemens agia rápido ou “não encontraria mais uma noiva bonita disponível”.

E Curitiba?

No Brasil, enquanto a Siemens tem fábrica própria em Curitiba, a produção da Nokia é terceirizada. A subsidiária brasileira da Siemens ainda não tem um resposta concreta sobre o futuro da sua planta, o processo de associação tem seis meses pela frente para ser finalizado, mas a expectativa é que a fábrica seja mantida na nova empresa. No país, será criado um grupo formado pelas duas Nokia e Siemens para analisar a estrutura existente nas respectivas áreas associadas e definir sua reorganização.

Em todo o mundo, em 2005, o faturamento da Nokia no segmento de redes foi da ordem de 6,6 bilhões de euros, o da Siemens, de 9,2 bilhões. No Brasil, estima-se que a receita da empresa finlandesa na área de redes seja da ordem de 160 milhões a 180 milhões de euros anuais, e o da Siemens (que tem também produtos para rede fixa), possivelmente, muito maior, a exemplo do posicionamento no mercado mundial.

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