Empresas de TI precisam de apoio para criarem processos inovadores


{mosimage}O mercado brasileiro de tecnologia da informação vai crescer 15% este ano. Mas, segundo Ricardo Caldas, diretor-presidente da Telemikro, para ampliar a inovação, e manter uma evolução sustentável, é necessário contar com mais incentivos governamentais. No ano passado, entrou em vigor a Lei de Inovação, que ainda não trouxe resultados concretos. Ao que tudo indica, no entanto, vai promover a aproximação entre as universidades e o setor produtivo.  

Inovação é essencial para a sobrevivência de qualquer empresa, independente  de seu campo de atuação, pois possibilita um maior dinamismo, competitividade e lucratividade. Inovar é pensar no futuro. Se a empresa não procura evoluir seus produtos e serviços para atender as reais necessidades do mercado, ela está certamente destinada ao fracasso.

Um dos setores que mais sabe da importância da inovação como aliada fundamental para o crescimento é o de Tecnologia da Informação. Ano  após ano, o segmento de TI procura proporcionar novas opções capazes de melhorar o desempenho dos produtos utilizados e dos serviços já prestados, bem como oferecer alternativas que possam otimizar o negócio das empresas.

Como conseqüência deste despertar pela inovação, a tendência é que o mercado brasileiro de TI cresça consideravelmente nos próximos anos. Para 2007, segundo a IDC, está previsto um crescimento de 15% em relação ao ano passado, o que representa cerca de R$ 18,6 bilhões, um aumento significativo, se comparado à previsão da China, 12%, e dos Estados Unidos, 7%.

Apesar da previsão otimista na área de TI, para inovar, o mercado interno  ainda necessita de maior apoio e incentivo do governo. Hoje, a inovação no Brasil é desenvolvida em sua maioria por grandes empresas, que utilizam seus próprios recursos para crescer. E, mesmo com uma significativa participação na economia brasileira, as pequenas e médias empresas ainda apresentam dificuldades para inovar e competir no mercado globalizado.

Já nos países emergentes a inovação é amplamente incentivada e difundida pelo governo que tem consciência que seu papel é essencial para o crescimento. A China, por exemplo, destina 2,64% do Produto Interno Bruto (PIB) para o desenvolvimento de pesquisas. Os Estados Unidos, Japão e Coréia destinam 2,60%, 3,15% e 1,31%, respectivamente. O Brasil ainda está muito aquém das necessidades, tendo destinado em 2005, apenas 0,91% do PIB.

Como tentativa de suprir a carência de inovação e de incrementar as ações  realizadas por órgãos como o Ministério da Ciência e Tecnologia, CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), FAPs (Fundações de Apoio à Pesquisa Estaduais) entre outros, foi sancionada em 2004 a Lei 10.973, que estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, com vistas à capacitação e ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento industrial do Brasil.

De acordo com a lei, o governo intensificará as ações de incentivo de criação de agências de fomento, ou seja, a criação de órgãos ou instituições de natureza pública ou privada que tenham entre os seus objetivos o financiamento de ações que visem a estimular e promover o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação. A Lei de Inovação ainda não trouxe resultados, mas deve diminuir a distância entre as universidades e o setor produtivo.

Enfim, inovar é a receita para o sucesso de qualquer empresa e a chave para o desenvolvimento de toda a nação. Por esse motivo, as empresas brasileiras de TI devem e precisam contar com o apoio governamental para desenvolver processos inovadores, contribuindo para o crescimento do país.

 


 Ricardo Caldas é engenheiro e mestre em Engenharia Elétrica pela  Universidade de Brasília e diretor-presidente da Telemikro  Tecnologia da  Informação.

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