Empresas de TI nacionais preparam IPO


 

Apesar da pouca tradição do Brasil em tecnologia, empresas nacionais começam a se preparar para uma oferta pública de ações em um cenário de dois a três anos. Entre elas, está a Cast Informática e a BSI Tecnologia trabalham para um IPO em cerca de dois anos. As duas empresas estavam presentes nesta quarta-feira (26) em evento da BM&F Bovespa em parceria com a Apimec, ao lado da Senior Solutions, empresa nacional de TI que iniciou em março a negociação de suas ações no segmento Bovespa Mais, voltado para pequenas e médias, e da TOTVS, a primeira do setor de TI da América Latina a fazer o IPO no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo em 2006. 

 

 

“Estamos preparando toda a empresa, nossa política de governança e os executivos com a intenção de abrir capital em 2015, 2016. Todo nosso trabalho é para entrarmos no Novo Mercado. Não sou do tipo ufanista, mas por que a Índia pode ter várias empresas na bolsa e nós não. Nossa proposta é abrir capital aqui, o Brasil tem tudo, pessoas inteligentes e comprometidas”, afirmou o presidente da Cast, José Calazans da Rocha. O executivo afirmou que a Cast mantém média de crescimento anual de 30%, conta com o apoio do BNDES e negocia com aporte de um fundo de private equity.

A BSI Tecnologia também está em fase de estruturação de seu plano estratégico para a abertura de capital, com “target em 2015”. No momento, a empresa realiza estudos para definir se o foco é o Bovespa Mais ou Novo Mercado. “Os estudos que estão sendo feitos nos mostrarão o caminho a seguir”, declarou Ogarito Lopes, presidente da BSI tecnologia. 
 
Para Alexandre Dinkelmann, CFO e diretor de relações com investidor da TOTVS, é natural que o setor de tecnologia da informação e comunicações cresçam porque este segmento começa a representar uma fatia maior do Produto Interno Bruto nacional. No entanto, é preciso os executivos e empresários do setor passem por um processo de aprendizado para que este movimento seja bem sucedido: “precisamos passar por um processo de aprendizado, dos empresarios e executivos. Abrir capital traz desafios de curto, médio e longo prazo. A empresa que quiser aplauso só no próximo trimestre não conseguirá sustentar no longo prazo. É preciso fazer investimentos de longo prazo”, afirmou. 

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Apesar da aposta de empresas e mesmo de fundos em relação aos IPOs no setor de TI, uma piora no mercado financeiro pode prejudicar novos IPOs ainda este ano. O BNDES, por exemplo, pode aconselhar que as empresas apoiadas pela instituição financeira estatal aguardem um cenário mais positivo.

“O BNDES não quer estimular aberturas de capital num momento que não seja interessante, em que se reduza o valor justo das empresas”, disse a chefe de departamento da área de Tecnologia da Informação e Comunicação do banco, Irecê Loureiro, após participar do seminário Perspectivas para o Setor de TI.

A executiva, no entanto, não considera que a piora do mercado está consolidada. “Talvez as condições até o final do ano melhorem. Há dois meses, estávamos apostando em mais IPOs”, completou. 

Segundo ela, o processo de novas listagens de empresas, como ocorre neste momento com a Altus, de sistemas de automação, e da Quality, de softwares, no entanto, deve seguir. “O mercado de acesso no Bovespa Mais segue interessante, não só para empresas com participação do BNDES”, afirmou. O BNDES conta com participação em 11 empresas da área de tecnologia da informação e comunicação. Destas, a Totvs, Linx e Senior já estão na bolsa. 

 

 

 

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