Empresas brasileiras nas nuvens


 

Os desafios de eficiência, produtividade e relacionamento com clientes estão hoje fortemente relacionados com a inserção das empresas em redes de comunicação e a maximização da sua utilidade. Na era das redes sociais, a constante troca de ideias e trabalho em colaboração se consolida, e só tende a ganhar força na medida em que chegam a postos executivos, pessoas mais jovens, que já incorporaram a interação permanente à sua forma de pensar e de se relacionar. Tal fenômeno também se verifica tanto na ponta do cliente quanto na cadeia de fornecedores e parceiros.

Diante das novas possibilidades e demandas de comunicação no mundo corporativo, já não basta criar uma robusta infraestrutura de rede e tratar de minimizar sua vulnerabilidade a ataques externos e internos. É preciso aliar solidez e segurança com rapidez e flexibilidade. 

Muitas empresas se voltam hoje para a computação em nuvem em busca da realização de várias expectativas e vantagens, nem todas elas ainda amplamente materializadas. Estamos indubitavelmente diante de um novo modelo de negócios, em que a empresa paga apenas pelos serviços consumidos. Surgem novos conceitos, tais como, Infraestrutura como Serviço (IaaS), Plataforma como Serviço (PaaS) e Software como Serviço (SaaS). Assim, é possível responder, com economia, à sazonalidade de negócios e a todo o tipo de situação em que se modificam drástica e rapidamente as necessidades da empresa. Estes conceitos também têm fomentado o surgimento de novos Cloud Services de comunicação, tais como, telefonia e vídeo sobre IP ou ainda aplicações de colaboração.

No Brasil, essas vantagens têm sido rapidamente apreendidas, e o país se encontra na vanguarda no que toca à adoção da computação em nuvem. De acordo com pesquisa realizada pela Cisco, intitulada Cisco Connected World, em 13 países e divulgada em oito de dezembro, o Brasil e a Alemanha são os primeiros no ranking mundial, com 27% das companhias utilizando aplicações na nuvem, contra uma média mundial de 18%. Segunda colocada, a Índia (26% das empresas) será a primeira em crescimento, seguida do Brasil, com respectivamente 76% e 70% das empresas usando a Cloud Computing nos próximos anos.

De fato, uma estrutura altamente flexível e escalável se traduz em maior produtividade. Facilita a expansão das empresas, ao permitir que em novos escritórios, em qualquer parte do mundo, se instalem de imediato todos os serviços de telecomunicações e TI necessários, além de oferecer acesso às redes e aplicações corporativas a qualquer momento, de qualquer lugar, possibilitando novas formas de trabalho e um novo equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos funcionários. Cloud Services voltados para o mercado corporativo são implementados com arquiteturas de alta resiliência, assegurando a continuidade de negócios em casos de incidentes. Tais características liberam as organizações de TI de tarefas rotineiras de gerenciamento e manutenção de serviços, permitindo uma atuação mais estratégica e criativa do CIO e sua equipe na busca de soluções inovadoras para responder às necessidades dos negócios da empresa.

Mas o que é a nuvem senão uma metáfora para a própria rede?

Diante das profundas transformações que apenas se iniciam, as redes (públicas e privadas) desempenharão um papel cada vez mais crucial. Para corresponder às exigências de desempenho dos novos serviços, sua capacidade, alcance e confiabilidade terão que ser cada vez maiores. O protocolo IP está consolidado como padrão, porém a multitude de meios de acesso, a diversidade de dispositivos conectados e a interconexão entre redes de diferentes provedores aumenta a complexidade intrínseca da “nuvem”, sem que isto seja necessariamente aparente ao usuário final. O crescimento exponencial do tráfego, promovido pela popularização das trocas de vídeo e a crescente adesão à alta definição (HD) representa pressão significativa sobre a capacidade dos backbones.

A bem-sucedida experiência do Reino Unido demonstra que um ambiente propício à competição, com um mercado de atacado entre operadoras viabilizado por regras claras e equitativas, principalmente relativas ao uso de infraestrutura básica essencial (essential facilities), é fundamental para estimular os investimentos que se fazem necessários. A competição também fomenta a inovação, agregando maior valor às ofertas de serviço ou tornando-as mais acessíveis do ponto de vista de preço. Em ambos os casos, o grande beneficiário é o cliente final. Ele vê a comunicação, ou mais ainda, os serviços de nuvem, como insumos para sua atividade fim e espera, com razão, que estes sejam cada vez mais adequados às suas necessidades de funcionalidade e custo.

Computação e serviços em nuvem são abstrações ou são fato?

Há que se reconhecer que estamos testemunhando os primeiros passos de um novo modelo de serviços. Todavia, a fase conceitual já está certamente superada. Se o novo modelo ainda não atingiu ampla concretude no meio corporativo, não parece haver dúvida sobre sua inexorabilidade. Muitas empresas de tecnologia e provedores de serviço têm investido expressivamente em novas e refinadas ofertas. Grandes corporações estão ativamente analisando as alternativas.

O grande desafio das corporações na adoção de Cloud Computing e Cloud Services está, portanto, na seleção dos parceiros tecnológicos de jornada. Os requerimentos de nível de serviço, confiabilidade e disponibilidade para aplicações de negócios não devem ser negligenciados, sob pena de ineficiências e prejuízos. O modelo comercial também deve ser aderente às características e aos requisitos do negócio que terão nos serviços em nuvem um substrato operacional importante. Estar na nuvem não pode ser sinônimo de flutuar na incerteza ou conformar-se com uma visão opaca da adequação e da qualidade do serviço.

Boa escolha e boa jornada na nuvem!

Sergio Paulo Gallindo é diretor geral da BT (British Telecom ) Brasil

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